A Situação Crítica da

C R Í T I C A

Um persistente dito da Burrice Popular costuma dizer que Gosto não se Discute. É uma coisa estranha de se afirmar num planeta onde 6 mil anos de história não mostram outra coisa do que intermináveis discussões de gostos. Pois não havendo forma objetiva e definitiva de decidir qual a melhor religião, sistema econômico ou ideologia política, nos habituamos a escolhê-las baseado em intuições e sensibilidades íntimas que podem ser facilmente traduzidas pelo termo popular gosto.

Portanto, o Apreço Estético Pessoal Subjetivo (um nome mais pomposo para 'gosto'), tem simplesmente movido a raça humana, ainda que de forma inconsciente. E este texto, atendendo a um pedido e a um impulso fortíssimo que sempre tive, pretende dizer nem tão poucas e nem tão boas sobre a Crítica Estética, ou a Crítica de Arte, especialmente, a de Cinema.

A R T E

É muito interessante, ao pensar sobre Crítica de Arte, entender cada um desses termos. Se quisermos saber o que é ARTE, há uma dica muito útil. Descubra onde ficam os departamentos de Artes das Universidades e passe longe deles. Digo de experiência própria, pois fiquei uns 3 anos no Instituto de Artes da UnB, tempo suficiente para estar bem convencido de que lá ninguém sabe o que é arte, embora a maioria saiba fazê-la, e bem.

Descubra também onde ficam os Departamentos de Filosofia, onde se leciona disciplinas de Estética (Filosofia da Arte), e passe mais longe ainda. Pois estou há 7 anos envolvido com o Departamento de Filosofia da mesma UnB, o suficiente para estar mais convencido ainda de que lá ninguém sabe também, com o agravante que a maioria também não a faz.

Acredito que Estética é a parte mais problemática da filosofia, principalmente porque o que se entendia por Arte até bem poucos séculos atrás é muito diferente do que se entende hoje. Posso estar enganado, mas todas as obras clássicas que li não conseguem dar conta do fenômeno da Arte devidamente, por isso decidi eu mesmo desenvolver minha teoria no texto, ARTE.

A mim, Arte é nada mais que uma forma de transmitir emoções por meios materiais. Pegamos nossas sensações, paixões, impulsos e tentamos encerrá-las num meio físico qualquer, quer seja uma escultura, uma música (sequência de sons), um texto, dança ou projeção audiovisual. Esperamos que os espectadores compartilhem conosco essas emoções, que sendo em geral muito confusas, é perfeitamente natural que nem sempre o que o apreciador sinta seja o mesmo que o autor pretendia.

Resta saber também o que é 'crítica', que os dicionários definem como simplesmente uma forma de analisar e comentar algo, tanto de forma a descrevê-la como de forma a emitir opiniões sobre a mesma. E só isso já serviria para questionar certos indivíduos que não distinguem 'criticar' de 'denegrir'.

SUBJETIVIDADE

Emoções dificilmente são postas em palavras. Podemos emitir com precisão um raciocínio, mas qualquer um sabe que não é o mesmo dizer o que estamos sentindo. Isso ocorre porque se trata de um fenômeno restrito ao "sujeito" pessoal, subjectum, por isso se fala em Subjetividade, para diferenciar da Objetividade, que é relativo a objetos externos ao sujeito.

Assim, tudo que é externo e perceptível por todos é Objetivo, e o que só é percebido por cada um, individualmente, é Subjetivo. Seus próprios pensamentos, sentimentos, intuições e afins.

A mente é inviolável (bem que tentaram, e ainda estão tentando, mas não dá pra realmente penetrar na subjetividade alheia). Assim, o que se passa no meu interior é quase impossível de ser integralmente transmitido para outra pessoa, portanto, quando gostamos de algo, o porquê só pode ser dito em parte.

Em parte porque muitos motivos podem ser objetivos. Posso ter gostado de um livro porque o autor demonstrou bons conhecimentos técnicos e históricos, confirmados por outras fontes, mesmo que a narrativa em si não seja boa. Posso não gostar de um filme porque houve um furo no roteiro, um erro de continuidade, ou os efeitos especiais são tecnicamente primitivos em relação a outros filmes da mesma safra.

Mas há motivos difíceis de descrever, pessoais. Talvez me lembre bons momentos da infância, ou reviva traumas. Talvez apenas não vá com a cara dos atores ou não aprecie as músicas. E é muito comum não saber dizer exatamente porque gostamos ou não, e tentar inventar motivos objetivos.

Embora haja uma parte da crítica que seja objetiva, outra parte, talvez a maior dela, não é. E como a maioria dos críticos que conheço não costuma se dar ao trabalho de se expressar objetivamente, ou as faz cometendo erros objetivos, acaba que é muitíssimo comum a crítica poder ser resumida num simples não gostei porque não.

PAIXÕES

Sendo ligada à emoção, óbvio que a arte desperta paixões, ódios e amores, e quando gostamos muito de uma obra, algo em nós se identifica com ela, e assim passa a fazer parte de nós mesmos. É por isso que quando adoramos uma coisa, nós fazemos propaganda de graça, queremos compartilhá-la de graça, queremos que os outros sintam o que sentimos.

Ficamos tão envolvidos com o que gostamos que uma crítica negativa dura contra a coisa nos atinge por tabela. Alguém que insulta duramente um livro ou filme que admiramos, indiretamente insulta a nós mesmos. Soa algo como "Só um imbecil pode gostar disso".

O contrário também acontece. Quando detestamos algo, queremos afirmar nossa diferença em relação a ele. Ouvir alguém elogiá-lo rasgadamente incomoda por ser a exaltação de algo que consideramos hostil a nossos sentimentos. É como elogiar nosso inimigo.

Por isso críticas podem incomodar tanto, e vemos discussões homéricas em toda parte, especialmente na internet, onde pessoas podem se exaltar, e se esconder no anonimato, sem risco de "se pegarem"!

O maior problema é que muitas pessoas as vezes criticam uma coisa não por um espírito analítico, mas apenas para ofender os que gostam dela. Não é raro que a crítica, positiva ou negativa, seja uma provocação, uma forma velada de agredir outra pessoa. Muitos o fazem de propósito, outras sem perceber, sem intenção consciente de machucar.

E muitos o fazem apenas por um apreço perverso pela amargura, num impulso desesperado de por para fora toda dor e feiúra que possuem por dentro, motivo pelo qual detestam tudo o que vêem.

INVERSÃO TOTAL

Nada disso seria grave não fosse um único detalhe. Se uma crítica objetiva pode ser feita na forma de afirmação direta, que pode estar correta ou não, uma crítica subjetiva É, E SEMPRE SERÁ, uma opinião pessoal que NÃO TEM VALOR DE VERDADE. Se digo que Jurrasic Park erra ao atribuir ao período Jurássico animais que são do Cretáceo, isso é uma crítica objetiva, que pode estar CERTA ou ERRADA, podendo ser comparada com fontes científicas. Mas se afirmo que a atuação dos atores não convence, exceto se for opinião de todos, isso é subjetivo demais para poder ser considerado verdadeiro ou falso, pois ninguém pode dizer a uma pessoa que ela está certa ou errada em sua sensibilidade.

Podemos tentar fazê-la sentir outros aspectos, apontar outras características e ver se mostrando outro ponto de vista ela muda de opinião, mas caberá somente a ela fazê-lo. A sensibilidade pessoal e intransferível é SOBERANA. E por isso mesmo, as opiniões deveriam SEMPRE vir precedidas de uma declaração pessoal, do tipo "acho que", "me parece", "sou do pensamento que", etc.

É muito diferente de dizer que O Segredo do Abismo está errado ao afirmar que o corpo humano respira água durante 9 meses, ou por não mostrar uma única forma de vida marinha em mais de uma hora de imagens submarinas. E mesmo assim ainda posso gostar do filme. E de fato gosto muito, principalmente da versão estendida.

Mas se cientistas, juristas ou filósofos são extremamente cuidadosos em suas afirmações, e quanto mais conhecimento e bons argumentos tem, mais eles deixam claro estarem emitindo opiniões, os Críticos de Arte, no extremo oposto, costumam transformar suas opiniões subjetivas pessoais em declaração objetivas.

Críticos de arte, quase sempre, não opinam. Eles proclamam! Decretam a realidade! É muitíssimo difícil encontrar um que não diga frases no formato "o filme é fraco", "o livro não consegue se sustentar", "a estória se perde", "o diretor está ausente", "o argumento é péssimo", etc, sem ter a menor disposição de argumentar, o que e até compreensível, mas também sem a menor humildade em colocar aquilo como uma opinião pessoal.

Como se não bastasse, ousam dizer ao leitor se ele deve ou não ver o filme ou o livro. Críticas nesse estilo são desgraçadamente frequentes: "não perca seu tempo assistindo", "não compre", "não vale a pena ler", "leitura obrigatória", "economize seu dinheiro", etc.

Além de fazerem de seu mundinho mental pessoal um parâmetro de determinação do mundo físico, e pior ainda, do mundo mental pessoal das outras pessoas, como se fossem deuses que ao dizer "ASSIM É", assim realmente se torna, ainda por cima fazem declarações imperativas, legislando o que você deve ou não ver! E o pior de tudo. Muita gente dá ouvidos!

CRÍTICO FRUSTRADO

Que "críticos de arte são artistas frustrados" é uma opinião quase possível de ser justificada. Uma vez que estes, no caso dos profissionais, estão envolvidos com a arte, e uma vez que a realização maior na arte é ser de fato um artista, é quase inevitável deduzir isto.

Não existe quem goste de futebol que não tenha, em algum momento da vida, pensado em ser um jogador profissional, ou que ao menos gostaria de tentar se tivesse oportunidade. Quem vai negar que os jogadores em campo, principalmente na Copa do Mundo, são as estrelas máximas de todo o universo futebolístico?

Assim, é muito difícil negar que qualquer um que se envolva profissionalmente com futebol não gostaria, se fosse possível, de ser um jogador. Da mesma forma, qualquer um que se envolva profissionalmente com arte gostaria, se possível, de ser um artista.

Até aí, tudo bem, mas considerando que artistas raramente criticam o trabalho alheio, e os críticos profissionais vivem disso, fica aquela sensação incômoda que nos dá a impressão que grande parte das críticas negativas carregam uma forma de despeito.

Mas, se isso for verdade, há algo muito pior do que ser um artista frustrado. É ser um CRÍTICO FRUSTRADO!

É aquele sujeito que bem queria ser um crítico profissional, e não conseguindo, se especializa em fazer críticas de graça.

Digo isso, é claro, dos críticos negativistas, pois falar bem das coisas faz bem à própria saúde e a dos outros, uma vez que exercita a alegria de gostar do que se vê. Mas note que, na grande maioria dos casos, os críticos, falam muito mais MAL do que BEM!

Na verdade, arrisco a medir a qualidade de um crítico pela porcentagem de críticas positivas que ele faz. Isso não significa que ele seja obrigado a gostar do que vê, mas que comente o que gostou, e que seja capaz de gostar. Se você detesta tudo o que assiste no cinema, então pra quê ir?! Pra sofrer?!

Duvido que haja alguém que não se lembre de um bom número de críticos que só abrem a boca para malhar. É praticamente uma doença. O sujeito parece ter tanta falta de amor próprio ou bem estar interior, que acha ruim tudo o que vê, pelo fato óbvio de que a ruindade está nele, contaminando suas percepções.

Não é a toa que os críticos melhores e mais bem humorados são justamente os que fazem com frequência críticas positivas. E são, consequentemente, mais felizes. Também não é difícil notar que pessoas que criticam duramente tudo o que vêem pela frente são depressivas e infelizes.

VÍRUS MENTAL

É claro que há bons críticos, tanto profissionais quanto amadores. Mas mesmo esses acabam contribuindo para um problema que se espalha pelo público como uma infecção virótica. Mesmo uma crítica lúcida, ainda que seja negativa, e bem embasada, pode fazer com que pessoas deixem de ver algo que poderiam gostar, visto que nada impede que mesmo pessoas com muitas afinidades discordem.

Ainda mais problemático é que, por outro lado, críticas positivas podem ter o efeito inverso do que pretendem, incentivar pessoas a ver o filme, ler o livro, assistir a peça, ou jogar o jogo, etc, e elas acabarem se decepcionando, porque criaram expectativas demais.

Ao menos pela minha experiência pessoal e a de todos que conheço, quanto menos expectativas você tiver sobre uma coisa, mais tende a gostar dela. A melhor coisa é ser surpreendido por algo bom quando não esperávamos. Tomar contato com críticas antecipadamente, principalmente aquelas entusiasmadas de nossos conhecidos, costuma ter o efeito de nos fazer projetar nossas próprias imagens mentais no que vamos ver, e como a experiência é inevitavelmente diferente, o resultado é uma decepção.

Em síntese, não se deve investir emoções demais numa obra de arte antes de conhecê-la. É preferível investir de menos, e o que vier é lucro.

E nem toquei no caso dos spoilers (informações antecipadas que podem estragar a surpresa).

Além do mais, considerando que muitas pessoas são facilmente manipuláveis, é comum que tenham 'a cabeça feita' pelas críticas, e realmente desgostar de algo que possivelmente gostariam se tivessem se mantido imaculadas de idéias alheias. O inverso pode ocorrer, claro, e passar a gostar de algo que antes não gostariam, mas aí deixa de ser um problema, por que GOSTAR É SEMPRE MELHOR DO QUE NÃO GOSTAR!

Você pode ter mil e um motivos para apontar problemas objetivos em um livro, mas isso não impede que você aprecie e sinta prazer na leitura. Qual o problema? Isso não prejudicará seu senso crítico muito menos o fará mais ignorante. Se tem algo que me sinto no direito e dever de afirmar é que pode-se jogar no lixo a idéia de que "Ignorância é Felicidade", e que ser inteligente é ser rabugento e infeliz.

Por isso, de um modo geral, recomendo tomar o mínimo contato com críticas antes de examinar a obra pessoalmente. Há exceções, claro, como no caso de não estar disposto a ver ou ler algo, e precisar ser convencido. Mas cuidado com as expectativas.

Pense nisso como uma vacina memética contra a tendência das críticas de contaminarem o universo artístico e estragarem o prazer estético, contribuindo para um mundo menos feliz.

MINHA OPINIÃO

Recomendo aprender a apreciar aquilo que há de bom. Ver o lado positivo das coisas é nada mais nada menos que O SEGREDO DA FELICIDADE! Portanto, o fato de haver uma série de falhas numa obra de arte, e mesmo coisas que não lhe agradem subjetivamente, procure ver o que pode agradar. É raro, ao menos nas produções mais bem cuidadas, que as qualidades não superem os defeitos. E só ter discernimento sobre o que esperar.

Não faz sentido ler Crepúsculo esperando encontrar grandes lições filosóficas, e personagens profundos e convincentes. Menos ainda assistir filmes de ação desejando ver grandes interpretações e verossimilhança. Não crie expectativas injustas.

Sobretudo, seja mais humilde. Não transforme a crítica numa forma de agredir os apreciadores do que você está denegrindo. Antes de ofender uma obra, pense nas pessoas que gostam dela. Você realmente diria tudo o que pensa sobre algo que detestou diretamente ao autor da mesma, caso ele lhe fosse um grande amigo ou assim que tivesse lhe feito um grande favor? Talvez você ficasse tentado a reexaminar sua opinião.

Na verdade, nem mesmo quando a grande maioria detesta, e o filme possua erros objetivos factuais, declará-lo ruim como se isso fosse tão objetivo quanto afirmar sua metragem ou seu ano de lançamento é e SEMPRE SERÁ uma impostura. É cair na tentação de querer determinar de acordo com nossas características internas algo cuja apreciação varia de acordo com a sensibilidade de cada um. E é claro que tudo isso é muito discutível. É expressão direta de minhas peculiaridades pessoais, que inevitavelmente se projetam para o mundo.

Aliás, é possível descrever a existência humana como uma perpétua luta para tornar o mundo interno pessoal e o mundo externo o mais idênticos possível, quer seja nos deixando ser moldados pelo mundo, quer seja tentando moldá-lo de acordo com o que somos, ou ao menos tentando vê-lo de modo que gostamos. Ou melhor dizendo, fazendo tudo isso ao mesmo tempo, em constante disputa e colaboração com as outras pessoas.

E é exatamente por isso que gosto se discute sim. E muito.

ALGUMAS CRÍTICAS

Para finalizar, nada melhor do que mostrar algumas críticas de minha autoria. Já comentei, aqui mesmo em meu site, breve, média ou LONGAMENTE, as obras:

CLOUD ATLAS
EU SOU A LENDA
NOSSO LAR
PREDATOR & ALIEN
LOST
ÁGORA
G.I.Joe (apenas sobre uma frase da Scarlet)
Crepúsculo (breve comentário), análise mais alongada
WATCHMEN
Batman
FIM DOS TEMPOS
Manual de sobrevivência a Zumbis
DEUS - UM DELÍRIO (periódicos)
DEUS - UM DELÍRIO (ensaio)
CLOVERFIELD
(Eu Sou a Lenda, Omega Man, Last Man on Earth, O Caçador de Pipas),
ALIEN X PREDADOR 2

Tropa de Elite (periódicos)
Tropa de Elite (ensaio sobre o filme e tráfico de drogas)
Harry Potter and Deadly Hallows
Stealth, Underworld, A Dama da Água
MATADOURO 5, Superman Returns
O Mapa dos Ossos
Escatologia da Pessoa, Dan Brown, Crítica de Arte
DRAGONFORCE, Soul Calibur 3
EPISÓDIO III
Grandes Debates da Ciência, Os Pilares do Tempo
Código da Vinci (Livro), Capitão Sky
A Vila, eu Robô
Apanhador de Sonhos, Riddick, Em Solipse

Todas as críticas são predominantemente positivas, e assim, talvez esteja na hora de realizar algumas que serão inevitavelmente negativas, o que, garanto, para mim é raro, uma vez que sou a pessoa mais tolerante que conheço em relação a filmes pelo menos. Tendo inclusive gostado de filmes quase inequivocamente odiados. Jamais me arrependi de ver um, com uma única exceção.

Está na hora, então, de apresentar o meu BOTTOM 10+ cinematográfico! Ficaram alguns de fora, e lembro que não estou considerando filmes 'B' ou trash, mas sim produções tidas como Classe 'A'. A maioria é, ou pretende ser, Ficção Científica, que é minha especialidade, ou ao menos fantásticos.

Não dê tanta importância à classificação, mesmo porque, como já disse, essa ordem, bem como as críticas, não pode ser totalmente objetiva. E quem ache que posso ter incorrido nos mesmos defeitos que apontei, possivelmente tem razão. Isso serve para mostrar o quanto é difícil fazer críticas realmente objetivas sobre coisas que nos despertam reações passionais fortes. No meu caso, tenho um especial apreço pela coerência da ambientação. Mas acho muito difícil considerar ruim um filme que a grande maioria tenha gostado, mesmo que possua erros objetivos claros. O máximo que posso dizer e que "Eu não gosto", e por quê.

ADVERTÊNCIA: SPOILERS!!!
(Pra quem não sabe: Informações que podem estragar a experiência de quem ainda não viu.)

-11 O
Armageddon

Ótima ação e visual, e alguns bons momentos dramáticos, mas tem falhas conceituais inexplicáveis. A começar pela detecção de um asteróide do tamanho do Texas apenas 18 dias antes do impacto, e a premissa de que seriam necessários perfuradores petrolíferos para a missão (cujos maiores expoentes mundiais estão na Petrobrás), algo no mínimo discutível. Os salvadores da humanidade, cercados de luxos e atenções governamentais, são liberados para uma última noite de diversão e nem sequer têm uma escolta! Se envolvendo em brigas que podiam tê-los matado. Um homem obeso sobreviveria a uma aceleração de 12G? Uma vez pousados no asteróide, se movem no interior da nave como se estivessem em gravidade terrestre, e depois de ter insistido em mostrar que a primeira explosão alterou a rotação do asteróide para revoluções nos dois eixos ortogonais, se esqueceram que isso invalidaria o plano original, exigindo uma alteração no ângulo e distância da segunda explosão, cuja trajetória jamais permaneceria a mesma. Para quem tem um mínimo de noção do tema, um verdadeiro insulto à inteligência. Além disso, temos que tolerar a insistente tradição norte americana de forçar um 'vilão' humano mesmo num filme de catástrofe natural (Tradição possivelmente popularizada por Irwin Allen), e discussões inúteis tomam tempo de pessoas que não revelam o mínimo preparo psicológico para a missão. E é uma pena gastarem esse nome num filme que nada tem haver com o significado de Armageddon. Bem. Ao menos os efeitos especiais compensam.


-10 O
Planeta dos Macacos
de Tim Burton

Adoro Tim Burton, e mais ainda sua parceria com Johnny Deep. Mas ficou claro que não é indicado para fazer Ficção Científica, principalmente refilmando um clássico. Tendo um estilo 'bizarro' e meio surreal, como tornaria a estória minimamente convincente? Gravidade Artificial inexplicável não me incomoda por ser quase onipresente na FC, mas que espécie de sensor uma nave pode ter para ser capaz de contar a passagem dos anos numa viagem no tempo inesperada gerada por um fenômeno imprevisível? E que diabos de navezinha é essa que voa na atmosfera, no espaço e pelo jeito também no hiperespaço, considerando que a tecnologia do filme é de 2029! Conseguiram tecnologia comparável a de Star Trek em menos de 30 anos!? Tecnologia que, por sinal, é capaz de funcionar mil anos depois de destruída. Afora esses absurdos técnicos, essa nova versão torna a escravidão dos humanos menos verossímil no momento em que lhe mantém a capacidade linguística, que não havia na versão anterior, e que lhes dá um poder de mobilização que não parece compatível com sua situação cativa. Pra piorar, mesmo mil anos depois com a ascensão de uma sociedade símia que despreza a própria cultura humana, esses orangotangos, chimpanzés e gorilas mantém a mesmíssima linguagem, um inglês perfeitamente inteligível para um americano do começo do século XXI. O filme original tem o mesmo problema, mas como os humanos não falavam, fica menos grave, pois os macacos podiam com ainda maior propriedade manter a ilusão de serem os autores de toda aquela cultura e tecnologia. É incrível a incapacidade de tanta gente de não perceber esse problema, como se existisse um único caso de um idioma que consiga se manter inalterado, sequer por 2 séculos mesmo numa sociedade contínua que luta para preservá-lo. Ainda assim o filme está cheio de bons momentos. Esquecendo essas falhas, dá pra apreciá-lo. Só lamento que tenha sido rasgadamente elogiado pela crítica, que evidentemente nada percebe disso.


-9 O
Planeta Vermelho

Esse filme dividiu os cinemas quase simultaneamente com o ótimo Missão Marte (algo similar aconteceu com o Armageddon, que os dividiu com o também ótimo IMPACTO PROFUNDO), e mais uma vez foi sua antítese. Embora com muitas idéias boas e promissoras, desperdiça tudo no primeiro 1/4. O personagem mais interessante, o filósofo, autor dos comentários inteligentes, é o primeiro a morrer, e temos que aguentar dois personagens inverossímeis como astronautas. Um deles, geneticista, que a mim mais parece um troglodita, faz comentários sobre a profissão como se fosse um deus que determina que tipo de características VOCÊ vai ter! Se você vai a Marte para uma expedição de caráter científico esperando encontrar no máximo bactérias, que tipo de robô você levaria? Um de exploração, um de pesquisa ou um militar assassino? O último! Claro, principalmente um que basta clicar no ícone errado para sair matando todo mundo! Quem não adivinhou imediatamente o que aconteceria no momento em que ele é mostrado? Além disso, naquele tempo já havia planos bem delineados para viagens à Marte. Porque Hollywood insiste em ignorar que, numa viagem de meses é no mínimo imprudente levar uma tripulação do tipo 5 homens e uma única mulher? Por sinal, metade deles mentalmente desequilibrados. Mas devo algo a esse filme. Além de algumas cenas boas, a frase do melhor personagem me marcou. Ele disse: Quando descobri que a ciência não responderia as questões realmente interessantes, mudei para a filosofia.


-8 O
Minority Report

Tom Cruise já tem o mau hábito de interpretar personagens estúpidos, mas Spielberg não tem o hábito de dirigi-los, e muito menos Philip K. Dick de escrevê-los. Como explicar o policial que se vê condenado por uma previsão de que se tornaria um assassino, fazer consciente e deliberadamente tudo para realizar esse futuro que queria evitar? O sistema Pré-Crime deu alguns detalhes do local onde ele cometeria o assassinato, uso de arma de fogo, localizado num prédio alto, hora exata. O que você faria para provar que a profecia está errada? Não iria para o meio do mato sem nenhuma arma por perto até passar a hora prevista? O que ele faz? Vai para o exato local, de arma na mão para provar que não mataria ninguém! Afinal ele, um pai que teve o filho pequeno morto por um bandido que jamais foi pego, NÃO CONSEGUE IMAGINAR que motivo teria para ser um assassino! Adivinhe o que aconteceu?

Mas ele não está sozinho na burrice, que é estrutural ao próprio filme. Se fosse muitos séculos no futuro, é até possível supor que o sistema jurídico seria o avesso do que é hoje no ocidente. Mas no ano de 2054, como um sistema pode aceitar que alguém seja preso e condenado a prisão perpétua, SEM JULGAMENTO, por um crime que nem sequer chegou a cometer?! Se até mesmo assassinatos consumados e provados recebem julgamento. E o mais incrível, quando se descobre uma mínima falha no sistema, o que fizeram? Derrubaram tudo, e puxaram da tomada um serviço que já havia evitado centenas de assassinatos! Tecnicamente o sistema funcionava, o absurdo era jurídico. Bastava aplicar penas mais leves, ou apenas evitar os crimes. Ainda mais incrível uma parte onde se diz que os presos por crimes do futuro do pretérito, que eram condenados a um tipo de estado de coma, estariam a solta matando se não fosse o pré-crime, quando é dito que vários deles cometeram crimes passionais, como o mostrado no início do filme. E pessoas desse tipo não se tornam assassinos seriais.

Mas não é só o mocinho que é estúpido, o vilão consegue ser ainda pior. Para remover um impecilho à viabilidade do Pré-Crime, ele que era seu principal arquiteto e defensor, inclusive insistindo que o mesmo era infalível, decide nada menos do que SABOTAR O SISTEMA! Introduz uma falha ao mesmo tempo que pretende que o sistema nunca falha! E completamente desnecessária, pois o sistema só previa assassinatos violentos, e o que ele realizou poderia se dar de inúmeras outras formas sutis. Um poderoso chefe de polícia precisa pessoalmente assassinar uma pobre drogada insana que mal tinha onde cair morta?

Com essas incoerências, chega a ser pouco digno de nota que o policial que foi declarado foragido em uma rede informática totalmente integrada, tendo até que mudar suas córneas, com as quais seria rastreado em qualquer lugar. Ainda assim consegue penetrar, usando o olho extraído na mão, no centro de comando da polícia! Que simplesmente continuou mantendo a validade de seu acesso ao mesmo tempo que o caçava no mundo inteiro!

O que salva é a ação e o visual.


-7 O
Sunshine

Com um argumento interessante e uma promissora abordagem inicial, a meu ver tem basicamente 2 problemas. A contradição entre uma nave com sistemas inteligentes capazes de regular detalhes em nome da segurança, que mais atrapalha do que ajuda, mas que no entanto deixa um único tripulante cometer um erro primário ao realizar, sem supervisão alguma, uma manobra que por pouco não destruiu tudo e matou todos, arruinando a missão que tinha como objetivo salvar a vida na Terra. O outro problema é que de uma ficção científica bem delineada, o filme num dado momento se transforma em terror quando um astronauta enlouquecido com super força e super resistência decide sair matando todo mundo em nome de uma nova religião fundada por ele mesmo. Sem contar a estranha mudança de comportamento de alguns personagens, incluindo um que, por ciúmes, hora manda o cientista mais importante para uma missão suicida, hora quer sacrificar todos para salvá-lo. Achei merecida a crítica a este filme em GATO POR LEBRE, embora eu ache que esse título tenha mais haver com o próximo filme.


-6 O
Enigma do Horizonte
Event Horizon

Esse filme basicamente agrava muito mais um problema do filme anterior, visto que engana o espectador fazendo-o crer que verá um filme de Ficção Científica. O próprio título original, "Horizonte de Evento" é um termo típico da Teoria da Relatividade Geral, relacionado a Buracos Negros, o que leva um bom fã de FC a esperar algo relativo às questões de distorções temporais típicas da teoria. Chega a animar bastante que seja um dos primeiros filmes a dar alguma atenção à questão da Gravidade Artificial. Mas na verdade trata-se de um filme de terror, cujo único objetivo é causar medo e repulsa apelando para um argumento maluco de que uma viagem hiperespacial levou as pessoas ao inferno, e explorando o típico desespero de vítimas indefesas fugindo de uma ameaça tão irracional quanto invencível. Coisas de filme de horror.


-5 O
Extermínio 2
28 Weeks Later

O fato da quase totalidade das críticas a esse filme terem sido positivas aniquilou de vez qualquer esperança minha de que a situação da crítica cinematográfica pudesse ser levada a sério. É algo que seria melhor explicado por um suborno sistemático de todos os críticos, se isso fosse possível. Após uma abertura eletrizante e um ótimo clima inicial, somos apresentados a uma interessante situação. O vírus supostamente irresistível pode ser contido pelo sistema imunológico de uma mulher que foi covardemente abandonada pelo marido numa situação de perigo, e deixada para morrer, sendo depois salva pelos filhos. Amargando esse arrependimento, em menos de 1/3 de filme é delineada a situação. O drama familiar de um casal abalado por um evento chocante, e que ainda guarda a chave para a cura da doença que transforma qualquer pessoa em um insano homicida hiperativo em menos de 20 segundos. De repente, toda a situação é destruída de uma só vez, num gesto que não se sabe ter sido vingança, perversa se levarmos em consideração os filhos, ou uma completa insanidade de mulher somada a insensatez do homem que não poderia cometer uma imprudência tão óbvia na posição em que estava. E o mais incrível. NINGUÉM VIGIANDO aquela que prometia ser a solução para o vírus que havia devastado a Inglaterra!

Ficou-me a pergunta: Peraí! Mas qual será a estória daqui pra frente? Resposta: Nenhuma! Uma correria desenfreada que poderia ser ótima se o roteiro não enveredasse para a completa IRRACIONALIDADE. Todos criam que no mínimo contato físico o vírus tomava conta do comportamento quase instantaneamente, tornando a pessoa um animal irracional cuja única cura era a morte. Assim, jamais houve uma doença tão fácil de diagnosticar! Ou você está NÃO infectado, ou é um monstro assassino babando, grunhindo e de olhos vermelhos. Apesar disso existia um tal procedimento que previa atirar em todo mundo no caso de uma emergência! Algo que só faria sentido se fosse possível que o vírus se incubasse por períodos indefinidos e a manifestação tivesse graus distintos. E se pensa que foi exatamente isso que foi posto em cheque com a mulher sobrevivente, NÃO, porque ninguém teve tempo de sequer dizer o que havia acontecido, e os poucos que sabiam foram mortos a tiros pelo exército que seguia o tal código vermelho. Isso após por em quarentena milhares de pessoas trancadas numa galeria subterrânea quando a quebra de segurança foi EXATAMENTE ao lado da galeria, sendo óbvio que seria necessária apenas fechar o subterrâneo sem por ninguém mais lá dentro! Evidente que o infectado entra na galeria e pega todo mundo, que no final acabam conseguindo fugir com notável facilidade. Ou seja, só funcionava para prender quem não precisava ser preso.

O absurdo chega ao ponto de lançarem um bombardeio de napalm para matar toda a população humana, e toda cidade, não infectada e claramente lúcida, que, é claro, não conseguiu exterminar os verdadeiros infectados. Depois, um helicóptero abre fogo contra um carro em movimento, como se os infectados fossem capazes de dirigir ou deixar alguém dentro de um carro fazê-lo. E a coroação vem quando o piloto de helicóptero dá um vôo rasante e usa A PRÓPRIA HÉLICE para sair partindo os infectados ao meio! Nunca vi tanta irracionalidade junta!


-4 O
Titan - AE

Quando terminei de assistir esse desenho animado da FOX, juro que duvidei que o roteirista tivessem coragem de assinar os créditos. Tiveram! Mas o fato de serem 2 escritores e 3 roteiristas já dá uma boa pista de onde veio a confusão. Ao contrário do dito popular, duas cabeças raramente pensam melhor que uma, e o próprio Descartes já dizia que as melhores obras são resultado do projeto de um só autor. Nem mesmo a presença de um gênio como Joss Whedon conseguiu impedir o descaminho da narrativa. Aliás, o que adianta você fazer 90% de trabalho perfeito se os demais 10% estragarem tudo? Com imagens espetaculares, computação gráfica soberba que se encaixa primorosamente com os desenhos 2D, e alguns personagens ótimos, o argumento do filme, que só é entendido quase ao final, é no mínimo... 'esquisito'. Uma raça, a humana, tinha desenvolvido a estupenda tecnologia de criar planetas. Uma outra raça, viu nisso uma tremenda ameaça! Afinal, ficar sentado de frente para um médico capaz de salvar vidas deve ser mesmo mais aterrorizante do que de frente para um assassino serial! Muitíssimo preocupados com essa terrível ameaça, os Drej decidem tomar uma sábia e sensata atitude para impedir que tal tecnologia venha a ser usada. Qual? Simples? DESTRUIR O PLANETA TERRA! Claro! Afinal só porque você tem a tecnologia de criar um planeta, não quer dizer que tem que usá-la, e para garantir isso, o que fazer, DESTRUIR O SEU PLANETA! Pronto! Agora você não precisa mais criar um! Curioso que os mesmos Drej não pareceram preocupados em exterminar a humanidade que estava espalhada em vários pontos da galáxia, e é óbvio, que para uma raça tão poderosa que prometia dominar tudo, seria uma pura e simples questão de destruir a TITAN, que apesar de um nome que pode sugerir tudo menos isso, era a nave que criava planetas. E nem sequer se preocuparam em assimilar a tecnologia! Embora a estória seja em si interessante, é um excelente exemplo do dano que pode fazer um argumento ruim. Além de possuir um personagem simpático e cativante que instantaneamente, sem qualquer motivo sensato, passa odiar o herói de um jeito inexplicável. Ser subornado para mudar de lado é uma coisa, mas para inverter totalmente seus sentimentos... E depois de fazer tudo que um vilão cruel tem direito, de repente muda de lado de novo! Como se nada tivesse acontecido. Uma pena que um trabalho tecnicamente tão primoroso tenha sido destruído por um roteiro cujo grau de confusão é ainda maior do que sugere essa breve crítica. Mas é difícil negar que tenha sido merecido seu fracasso de público, o que levou a divisão de animação da Fox à falência.


-3 O
Je Vous Salue, Marie

Esse polêmico filme do francês Jean-Luc Godard ficou famoso sem ter sido muito visto, devido ao movimento de católicos que simplesmente o vetaram na maioria dos cinemas, numa atitude autoritária em plena era democrática e que, como sempre, não fez o menor sentido. Por sorte eu não o vi na época em que foi exibido nos cinemas, 1985/86, caso contrário era capaz de ter me juntado aos católicos, embora por um motivo completamente diferente. O filme pode ter atentado contra a frescura de alguns religiosos, mas a mim atentou contra a paciência e a insistência em querer ver uma estória se desenrolar. Só não me foi mais irracional do que o filme acima pelo fato de que não há sequer um roteiro para se aplicar o conceito de racionalidade. Na verdade são duas 'estórias' totalmente independentes, que jamais se tocam, dos quais uma até tem uns poucos diálogos interessantes, mas a outra, a principal, não tem sequer diálogos, tem bate bocas que não levam a lugar algum. Como se não bastasse ainda termos que aguentar um Arcanjo Gabriel, misteriosamente acompanhado por uma garotinha, que passa o tempo todo xingando e agredindo o José em questão, ainda temos que aguentar uma Maria que praticamente diz apenas duas frases "NÃO!", para toda vez que José tenta tocar nela, e "Eu te toco José", para toda vez que ele reclama disso. Já vi muitos filmes franceses e gostei muito, mas esse nem me pareceu um filme, mas sim uma colcha de retalhos de situações desconexas, a cada 5 minutos interrompidas por uma tela preta com a frase "Naquele tempo", que evidentemente nada significa. Já havia visto um outro filme de Godard, a pseudo ficção científica Alphaville, que também não recomendo. Mas não acho que mereça um lugar nesta lista.


-2 O
Bloodrayne

Chega a ser difícil comentar esse filme, que sequer teve repercussão como todos os demais devido a tantos defeitos que se pode encontrar. É até difícil achar críticas favoráveis. Há uma coisa boa, Kristanna Loken! Suas cenas sensuais nos induzem a acreditar que seria melhor ter transformado o filme num pornô softcore. Só. A coreografia de artes marciais parece coisa de novela da Globo, e a moça, com seus movimentos lentos e desajeitados não teve direito sequer a uma boa edição e efeitos especiais para que sua capacidade de combate fosse minimamente crível. Duvida? Procure clips no Youtube e tente discordar! Pra piorar, as lutas são repletas de gore, como se nojeira compensasse incompetência coreográfica. E quando os caçadores de vampiros vão atacar o castelo, o método que usam é se entregar para depois fugir da prisão como o velho truque do prisioneiro doente... Sem comentários. Ser baseado em videogame e ter um diretor maluco não são motivos para justificar o fiasco que foi esse filme. Que faturou menos de 1/10 do que gastou! Uma mancha na carreira de Ben Kingsley.


-1 O
Poltergeist 3

Nada pior para uma sequência do que, de cara, destruir o fundamento que baseou os filmes anteriores. Após achar que o problema foi ter construído uma casa em cima de um cemitério (Poltergeist - O Fenômeno), e depois que a Besta estava perseguindo especificamente a caçula da família, (Poltergeist 2 - O Outro Lado), esses dois bons filmes foram contrariados em sua essência, que era a de que a união familiar a mais efetiva arma para combater a legião de fantasmas. Esse terceiro filme simplesmente decide enviar a pobre menina para longe da família, indo morar com dois tios desconhecidos num arranha-céus de uma cidade grande. É claro que esse argumento foi o pior resultado possível de não terem conseguido recontratar os demais atores dos filmes anteriores. No mais, nem me lembro direito, a não ser do fato claro que os efeitos especiais eram bem mais pobres que os do primeiro filme de 6 anos antes. No geral, a recepção do filme nos cinemas foi suficientemente ruim para que os produtores chegassem a apelar para o golpe baixo de fazer sensacionalismo com a prematura morte da garotinha que fazia a personagem principal, e faleceu antes do filme terminar, aos 12 anos, conseguindo alavancar as vendas do VHS com base nos boatos da Maldição Poltergeist, que seria responsável pela morte de 4 pessoas que trabalharam nos filmes.


0 O
Highlander 2

Existe, afinal, uma maneira de tornar uma crítica subjetiva praticamente objetiva, que é quando a totalidade das pessoas concorda com a mesma opinião. Se um filme é incapaz de agradar a quem quer que seja, seguramente não pode ser considerado bom. Ao menos para seres humanos. Esse é o caso inequívoco deste que é, considerado por muitos, o pior filme de todos os tempos. Desafio qualquer um a achar uma única crítica favorável, no caso a versão original, pois a versão do diretor, que ainda não tive coragem de ver, também tem sido considerada por todos como melhor, aliás, como sempre. Na verdade, é ate difícil encontrar críticas sobre este filme. É difícil achar até nas locadoras, pois não foram poucas as lojas que nem sequer quiseram comprá-lo para revender ou alugar. SEM COMENTÁRIOS. O original é um filme tão ruim, tão RUIM, TÃO ABSURDAMENTE PÉSSIMO, que não tenho o menor receio de ofender alguém ao dizer isso. Até o diretor concorda! Visto que ele próprio abandonou a sala de projeção aos 15 minutos na pré-estréia!



Quanto a livros, é mais complicado, porque se eu não estiver gostando de um, simplesmente não consigo ler até o final, e aí seria injusto criticá-los. Mas posso dizer seguramente qual o pior livro que já li, nesta mensagem, onde também comentei O Dia em que a Terra Parou.


ADENDOS EM JULHO DE 2011

Decidi acrescentar mais alguns títulos, alguns dos quais foram omitidos da lista anterior por pura falta de tempo.


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Os Substitutos (The Surrogates)

Partindo da infantil noção de "inventores" em ciência e tecnologia, este filme começa elevando ao extremo uma estranha e persistente tendência hollywoodiana a não ter coragem de fazer futurâmica em futuros ditantes, sempre ambientando estórias em futuros intra geracionais, isto é, em que pessoas da geração presente ainda estariam vivas levando em conta a expectativa de vida atual. Como se já não bastasse a suprema ousadia em achar que sairíamos da tecnologia atual para a criação de antróides perfeitos em meros 14 anos, ainda não fica claro se houve a completa erradicação da pobreza, ou se os tais Surrogates seriam tão baratos que qualquer um poderia comprar, visto que é dito que mais de 99% da população havia deixado de sair de casa para operar remotamente seus robôs substitutos. Além de pressupor essa inacreditável reviravolta econômica, social e tecnológica (ainda que fora os antróides, não haja qualquer sinal de outro tipo de tecnologia ou mesmo design mais avançado que o atual), a ambientação de poucas décadas à frente também pressupõe uma transformação cultural e midiática espantosa, onde absolutamente ninguém, nem médicos, fisioculturistas, esportistas, nutricionistas ou marombeiros em geral, parece se importar com o fato de toda a humanidade ter se tornado completamente sedentária, passando o dia inteiro deitada em suas camas controlando seus surrogates remotamente, e atrofiando todo o corpo ao ponto da completa deterioriação física.

Que houvesse um pequenino movimento contrário a essa patética nova forma de interação social (que já parece obsoleta em comparação a idéia de redes virtuais e telepresença por meio de avatares digitais), era esperado, mesmo na forma de um violento grupo que pregava a rejeição e hostilizava os antróides, ainda que liderados por um louco ao estilo fanático religioso. Mas qual não foi minha surpresa e decepção ao perceber, bem antes do que pretendia o diretor, que o tal líder não passava também de um andróide manipulado por ninguém menos que "O Inventor dos Surrogates" que, arrependido do mal que sua "invenção" causou a humanidade, decide remediá-lo por meio de uma manobra que, curiosamente, mataria quase TODA a humanidade!

Ainda mais infantilmente tolo que a idéia de que uma tecnologia de tal natureza seria "invenção" de um gênio, ao invés da culminância de uma longa série de pesquisas e aperfeiçoamentos que vem sendo realizados há decadas, é a pressuposição de que a destruição de todo o sistema em rede de Surrogates, que destruria tanto os antróides quanto mataria seus operadores humanos remotos, seria de algum modo irreversível! Como se de repente a destruição da internet ou mesmo de todos os micro computadores fizesse com que inexplicavelmente ninguém mais tentasse construir novos e voltassem felizes para a era do papel e lápis!


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Resident Evil 4

Após uma trilogia eficiente e cujo final havia sido animador, esta quarto filme parece ter se inspirado no sofrível filme da Capcom (Resident Evil: Degeneration, em CGI, que só não incluo nesta lista de filmes detestáveis por falta de paciência.) e decidiu baixar seu nível mental para melhor se adequar ao novo espírito "zumbi" da atualidade. A sequência inicial serve para jogar fora em poucos minutos o incrível trunfo que havia sido conseguido pela heroína ao final do terceiro filme, que é seu exército de clones, tão poderoso quanto ela própria. Não obstante, TODAS as suas "irmãs" morrem como moscas numa missão absolutamente inútil que só serviu para matar pobres soldadinhos inocentes, enquanto o famigerado vilão (Cuja interpretação do ator consegue ser menos expressiva que seu correspondente em Marvel vs Capcom 3. Se bem que parece de propósito.) escapa absolutamente ileso, mas não sem antes promover uma manobra que retira também TODOS os super poderes da heroína.

A exemplo da Terceira Temporada de Heroes: Há algo mais desanimador do que o protagonista super poderoso perder todos os seus poderes enquanto ainda tem vilões super poderosos para enfrentar? O espectador que ao final do terceiro filme esperava uma Armageddon titânico entre duas forças poderossíssimas, teve que amargar o absoluto oposto, ver a força heróica reduzida a nada, voltando a um estado mais precário que o do começo do primeiro filme! É o que se chama de reestartar a série, típico de refilmagens disfarçadas de sequência.

Mas afinal, a personagem, interpretada por Mila Jojovich, perdeu seus poderes ou não? Visto que ao longo do filme continua fazendo acrobacias absolutamente impossíveis para qualquer humano normal? Além disso, a outra personagem, interpretada por Ali Larter, também tem super poderes? Curiosamente, nestes filmes e muitos outros, habilides acrobáticas spidermaninanas parkournianas parecem ser monopólio das mulheres!

Fora isso, a lista de tolices é infindável. Desde uma cidade que continua em chamas mesmo uma década depois de destrúida, até a tediosa paranóia anti corporativa para qual as mega empresas são sempre filiais do inferno na Terra, a ponto de quererem destruir o mundo inteiro em prol de um surreal lucro que seria obtido sabe-se lá de onde!



Há outros. Talvez eu ainda comente os terríveis '30 Dias de Noite 2', uma ofensa ao ótimo primeiro filme, ou a inacreditavelmente grotesca tentativa de 'piloto de série / sequência' Darkman 2, quase desconhecida e por sorte rejeitada, poupando o excelente primeiro filme de outra ofensa intolerável.

Mas, como disse desde o começo, eu detesto falar mal das coisas, mesmo das que realmente acho ruim. Por isso decidi concentrar aqui todas as minhas críticas mais duras, me liberando para viver antes de tudo a apreciação de tudo o que há de bom.

Marcus Valerio XR
7-10 de Julho de 2009
Adendos em Julho de 2011
e 29 de Novembro de 2011
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O Código dá 20
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