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2 0 1 9
31 de Janeiro - 16:01

Felipe Quintas
29 de Janeiro

As atrocidades cometidas contra o Lula são o preço que ele paga por não ter dado o pré-sal, o solo e as estatais para os gringos, e ainda por cima ter impulsionado grandes empresas brasileiras na América Latina e na África concorrendo com as dos países centrais. Nada de novo: Vargas, Jango, Allende, Perón, Chávez, Maduro, Kadafi, Assad e Erdogan passaram por situações ainda mais brutais. É a disputa violenta por recursos estratégicos, e não a busca por democracia e Estado de direito, o que move o mundo. Sem defender sua soberania, não importa o regime político, nenhum país terá como sustentar um bom padrão de vida para seu povo. Quem não entender isso (como o próprio Lula parece não ter entendido, ao aceitar ser preso e dizer que iria a pé para a prisão provar a sua inocência, como se a questão fosse moral/individual e não política/geopolítica), não entende mais nada. E não, Lula não ganhará o Nobel da Paz, pois a Noruega, que é quem concede esse prêmio através de uma comissão apontada pelo Parlamento, é uma das principais interessadas na Lava-Jato (vide a farra que a Statoil está fazendo aqui), com a primeira-ministra do país tendo dito publicamente há pouco mais de um ano que a Lava-Jato deveria continuar e que ela estava muito "preocupada" que fosse interrompida. Mais fácil o Moro ganhar o Nobel da Paz.

PS: Se o Ciro quiser se firmar como liderança da centro-esquerda, vai ter que parar de afagar a trupe de entreguistas do governo Bolsonaro e honrar a tradição trabalhista do seu partido, na linha de Vargas mas sendo ainda mais duro que ele para não ter o mesmo fim. Caso contrário, será mais um Cristóvam Buarque - um excelente quadro com ótimas propostas mas que se perde por resolver agir apenas pelo ressentimento com o PT.


31 de Janeiro - 14:58

MEU... ZEUS... DO... CELL... MAJIN BOO... E SHENG LONG ! ! !

31 de Janeiro - 11:22

Alessandre Argolo
29 de Janeiro

Sou totalmente contra a prisão, nessa altura dos fatos, dos engenheiros que atestaram a segurança da barragem de Brumadinho que se rompeu. Prisão arbitrária, ilegal, baseada em mera suposição de fraude. Não deu nem tempo de indícios de fraude serem encontrados.

Para mim, claramente soa como um rompante ditatorial do regime neofascista da era Bolsonaro e tem muita gente que se declara de esquerda caindo nesse conto do vigário, como se essa atitude não servisse para encobrir a política anti-meio ambiente dos bolsonaristas.

O despreparo da mídia de esquerda, ao produzir matérias que endossam o arbítrio da prisão sem qualquer investigação mínima sobre se eles fraudaram alguma coisa, mostra que ela embarcou na onda sensacionalista que tomou conta da mídia em relação a esta tragédia de Brumadinho.

De repente, pessoas que nunca se preocuparam com o meio-ambiente, ao contrário, votaram em político que é contra as políticas que visam preservar o meio-ambiente, se tornaram sensíveis ao problema. O pior é que a imprensa de esquerda vai mudar o discurso quando perceber para onde aponta a ação do Poder Judiciário e do governo Bolsonaro: mais uma vez para a criminalização do PT.

Aguardem o jornalismo sem noção de muitos sites que praticam um jornalismo identificado politicamente com esquerda mudar o discurso assim que políticos do PT forem responsabilizados pela tragédia.

Quando esse tipo de jornalismo amador tentou guiar a esquerda brasileira (a chamada "blogosfera progressista", da qual vários sites de jornalismo hoje existentes no Brasil são subprodutos), houve golpe de estado, condenação e prisão de Lula e eleição do neofascista Bolsonaro. É muita incompetência.

Mesmo que se considere que foram técnicos brasileiros que fizeram a avaliação da barragem que se rompeu em Brumadinho, considerando que a empresa alemã Tüv Süd, contratada pela Vale para fazer a avaliação, tem escritório em São Paulo (500 empregados e um laboratório), o fato é que não deu nem tempo do trabalho deles ser analisado para que existissem indícios de fraudes.

Está na cara que as autoridades responsáveis pelas investigações estão supondo isso. A empresa alemã, Tüv Süd, é uma das mais antigas do mundo, existe desde 1860, ou seja, há mais de 150 anos e tem 23 mil empregados espalhados por todo o mundo. Só no Brasil são 500 empregados.

Ela foi contratada pela Vale para fazer a avaliação da barragem que se rompeu . A contratação de uma empresa alemã dotada de inegável know how já sinaliza para uma certa autonomia concedida pela Vale para que ela fizesse o trabalho de acordo com o que entendesse tecnicamente, até porque a Vale poderia se valer dos seus próprios técnicos para avaliar.

Uma empresa terceirizada não teria nenhum motivo para encobrir riscos de rompimento da barragem, isso em condições normais. Não havia motivos para fraudar nada. Ela receberia normalmente os valores contratados para fazer a avaliação, independentemente do resultado do laudo.

E claro que a Vale teria interesse de saber dos riscos, até para evitar ser punida como está sendo, isso é óbvio. A barragem que se rompeu em Brumadinho estava desativada há três anos. Ou seja, não havia nenhum interesse da Vale em esconder os riscos de rompimento.

O que existe neste caso da prisão dos engenheiros é o Governo Bolsonaro e o braço do Poder Judiciário que o apoia praticando ilegalidades e arbitrariedades para enganar a população e esconder a sua política favorável à exploração do meio-ambiente sem maiores cuidados ou fiscalizações.

A mente de quem não lida com assuntos dessa natureza funciona assim: se os engenheiros que avaliaram a barragem disseram que não havia problemas mas a barragem se rompeu, então eles ou erraram ou mentiram intencionalmente (fraude). Pode não ter acontecido nem uma coisa nem outra.

Vou citar pelo menos mais 3 hipóteses, distintas do dolo fraudulento ou da culpa:

1 - Caso fortuito ou de força maior, como um evento da natureza ou uma sabotagem.

2 - Mudança das condições encontradas no momento da avaliação (um fato superveniente, como um erro humano posterior, uma colisão de veículo com pontos da barragem ou qualquer evento posterior que mudou as condições que os engenheiros encontraram no momento da avaliação).

3 - Condição de segurança indicada no laudo descumprida pela Vale.

Veja que podem ter existido muito mais hipóteses que expliquem o rompimento da barragem de Brumadinho, para além da culpa (na modalidade imperícia) ou dolo fraudulento dos engenheiros que fizeram o laudo.

Pode ter havido erro no laudo? Pode, é claro. Mas prender os engenheiros por supostamente fraudar documentos usados na avaliação é pura arbitrariedade. Não deu nem tempo de levantar sequer indícios neste sentido. É um ato de populismo penal de um regime neofascista.


26 de Janeiro

Jean Wyllys é um produto da Globo, fato que não pode ser esquecido, e subscreve a mesma ideologia feminista da emissora, da qual a ideologia LGBT é mera derivação. Só isso já deveria ser suficiente para por em xeque a pretensão "revolucionária" de quem crê combater um todo poderoso sistema de repressão, considerando que esta mesma ideologia é defendida pela quase totalidade dos governos, megacorporações e grandes organizações do ocidente.

O que tal ideologia combate efetivamente, além de espantalhos farsescos e fraudes estatísticas criados pela manipulação midiática dessas mesmíssimas entidades, são as simples tradições culturais e costumes populares do mesmo povo efetivamente explorado por um sistema econômico mantido e endossado, mais uma vez, pelas mesmíssimas entidades estatais, megacorporativas e organizacionais.

E o povo não é de forma alguma homofóbico, transfóbico ou misógino, pelo contrário, como qualquer experiência social que se faça evidencia claramente!

A luta da ideologia sustentada por Wyllys é contra o próprio povo, chamado de machista, racista, e "Xfóbico" e que, como tal, precisa ser educado e esclarecido por uma casta de iluminados como o próprio Wyllys, que não hesitou em xingar grosseiramente um delegado que prontamente solucionou o assassinato de uma travesti e prendeu os culpados, pelo fato dele ter manifestado o que seria no máximo falta de informação sobre um conceito obscuro que na cabeça de Jean Wyllys todo muito teria obrigação de saber. Fato este que relatei detalhadamente aqui, uma vergonhosa manifestação de desprezo e intolerância aliada a incompetência cognitiva que foi duramente criticada até mesmo por seus apoiadores.

Não bastasse subscrever a esse Cavalo de Tróia ideológico que finge se preocupar com causas de minorias enquanto trabalha para sabotar a sociedade e os valores populares, Jean Wyllys também é, tal como Bolsonaro, um sionista, defendendo arduamente o direito de uma ideologia política essencialmente contrária a tradição judaica, e por isso mesmo antissemita no mais pleno sentido da palavra, em invadir, roubar e exterminar populações inteiras na Palestina em nome de uma interpretação bíblica que, assumidamente, não acredita na própria Bíblia!

E o faz por quê? Porque diferente do que pensam os imbecis neoconservadores que elegeram Bolsonaro, Israel não é uma terra prometida zelosa da palavra de Deus, e sim a atual Sodoma e Gomorra do Oriente Médio onde todas as pautas globalistas na neoesquerda já foram implantadas e há mais Paradas Gay do que Wyllys daria conta de frequentar. O que significa que para ele isso é mais importante que as mais de 100 mil mortes de uma guerra perpétua ou as milhões de pessoas expulsas de terras nas quais suas famílias viveram por milhares de anos, condenadas a toda sorte de exploração e opressão.

Nada disso impede que ele frequentemente estivesse do lado do interesse nacional, quando, por exemplo, se posicionou contra o impeachment e todas as atrocidades promovidas pelo governo golpista, cujo interesse visava sobretudo a destruição do país, a ser levada adiante agora pelo Governo Bolsonaro. Naquela ocasião, porém, portou-se de modo desonroso quando tentou cuspir em seu desafeto político, o próprio Jair em questão.

Mas o verdadeiramente digno perante o clã dos Bolsonaro em questão seria ter a decência de chegar de frente em enfiar-lhe um soco direto na cara (sim, pode-se fazer isso no congresso), e não sendo viável, que ao menos abdique de qualquer outra atitude física e se limite a ofensa verbal. Cuspir nos outros não é sinal de coragem nem desafio, mas sinal de arrogância perante quem é considerado inferior e sem condição de reagir, pois no caso ele contava com a intervenção dos demais parlamentares e seguranças quando o ofendido inevitavelmente reagisse. (E o Dudu ainda cuspiu de volta!)

Agora, como se vê, Jean Wyllys, diante de uma verdadeira e concreta ameaça de termos um governo literalmente criminoso no pior sentido da palavra, o que o parlamentar faz? Foge do país! Mostrando que toda a prepotência, verborragia e "macheza" com as palavras só se dava em contextos de perfeita segurança, e que na hora de realmente se expor e lutar um combate muitíssimo mais digno e efetivamente arriscado, acabou a coragem!

Não, não tenho respeito por essa atitude. Jean Wyllys pode ter acertado muitas vezes graças à ingenuidade dominante de quem ainda acredita que há compatibilidade entre a defesa dos trabalhadores, o povo por excelência, e a defesa de pautas de minorias nitidamente anti populares. Mas isso não compensa seu trabalho principal e incansável em prol de causas impostas pela elite financeira globalista e muito menos o abandono do país justo na hora em que mais lhe poderia ser útil.

24 de Janeiro

E disse o profeta: "Aos que congelam feijão em pote de sorvete, Allah reservou ignominioso castigo."

21 de Janeiro

Homens fazendo "homice".

20 de Janeiro - 18:32

O Mourão vai dar uma de Temer.

André Luiz dos Reis
20 de Janeiro

A fragilidade do governo Bolsonaro é impressionante. Não que seja surpresa, o fenômeno que o levou à Presidência é como aquelas ondas ameaçadoras que engolem os que buscam surfá-la sem possuírem a devida qualificação para tanto. E, tirando uma meia dúzia de três ''nacionalistas'' surtados, era fácil ver que o Bozó era um mané e não o surfista prateado.

Em todos esses anos nessa indústria vital, nunca tinha visto um Presidente que, de tão acuado, prefere não se manifestar em público, porque toda vez que o faz é desautorizado por assessores, ministros, colegas. Também nunca vi um vice-Presidente com tanto ímpeto pra ficar discordando de membros do governo, inclusive do Presidente, na imprensa, alimentando as especulações e agravando o cenário político.

O partido do Bozó se esfarelou. Está ressentido, rachado, sem o número de cargos com que sonhou, e já está se revelando aquilo que os mais perspicazes sabiam desde o início: um mafuá permeado por incompetência. Comparar o PSL com o PT ou com o PDT é uma sandice. Esses partidos possuem base social, história, doutrina, lideranças. O PSL é um aglomerado de histéricos.

As descobertas do Coaf acabaram em documentos que já estão de posse da Rede Globo. Os escândalos em torno de Queiroz e da família Bolsonaro, a começar por Eduardo, serão paulatinamente despejados na grande mídia em doses homeopáticas, como capítulos de uma novela, cuja audiência e repercussão nos diferentes grupos sociais tende a crescer à medida em que a lua de mel com o governo se arrefeça -- e sempre arrefece. Os Marinhos vão se juntar à grande mídia paulista em sua caça ao bozós.

Jair cometeu um erro ao chamar Sérgio Moro e Paulo Guedes pra sua equipe de governo. É que eles são um tanto gigantes demais politicamente. Quer dizer, o primeiro é praticamente um deus pra classe média tradicional e pr'aqueles mergulhados no lacerdismo. Bolsonaro não pode simplesmente demiti-lo, como um primo meu me fez notar ontem. Ele pode, mas não pode. O mesmo tem de ser dito de Paulo Guedes. No momento em que esse aí for embora, o vínculo e trégua entre o Reino dos Bozós e aquelas forças que são chamadas de ''mercado'', os agentes financeiros e rentistas para quem sucessivos governos da Nova República batem continência, vão se esfarelar entre gritos e ranger de dentes.

O ''guru'' dos Bozós, o ocultista Olavo de Carvalho, é uma pessoa instável, com problemas psicológicos e uma deslealdade crônica. Ele já estabeleceu os limites entre suas ideias e as do atual governo nesse caso do grupo de parlamentares do PSL que meteu um perdido na China. Se o Ernesto Araújo for minado pelo Itamaraty, pelos militares -- que consideram sua política externa uma loucura --, e exonerado, o Olavo vai meter o dedo no próprio rabo, xingar todos os ancestrais do Bolsonaro, e dizer que nunca acreditou de fato no sujeito. E isso pra não falar do Silas Malafaia, símbolo encarnado da aliança do Reino com os líderes evangélicos.

Então, o Ernesto Araújo também não pode ir embora sem causar um constrangimento político e sinalizar uma derrota estrondosa pro governo.

E tem o Mourão. Doido pra ser Presidente. Doido pra colocar a mão na paçoca. Doido pra espalhar confusão na própria trincheira até que ela veja nele o único com pulso o suficiente pra resolver a confusão. Nesse sentido, o Mourão tem muito de Costa e Silva. É a mesma natureza de escorpião, o mesmo tipo de veneno, e uma coragem similar pra realizar seu intento, derrubando as lideranças e se afirmando sozinho. O Bozó também cometeu um erro tendo feito de um sujeito desses o seu vice-Presidente, porque o General sempre esteve disposto a ferir de morte o capitão-Presidente [quem ler, entenda].

Mas, na real, o verdadeiro erro do Bozó foi se meter nessa aventura. O Reino que ele fundou é tragicômico.


20 de Janeiro - 16:09

Alessandre Argolo
20 de Janeiro

Li de uma levada só os três primeiros anos, edições completas, formato Deluxe, publicação da editora Panini Comics Brasil, da sensacional HQ "Injustiça - Deuses Entre Nós", baseada no game homônimo.

Existem pelo menos mais dois anos desse arco de HQs da DC, provavelmente a maior série da história. Tenho o quinto ano já adquirido sem ser na versão completa. Falta até aqui adquirir o quarto ano da série. São pelo menos 5 anos de lançamentos mensais tamanho o sucesso editorial alcançado em todo o mundo.

"Injustiça - Deuses Entre Nós" foi lançada originalmente nos EUA em março de 2013 e se seguiram publicações mensais durante ininterruptos 5 anos, pelo menos. Bateu recordes de vendas. Há motivos de sobra para tamanho sucesso.

HQ de fôlego, com uma história muito interessante, baseada na radicalização da visão do Superman sobre o que seria justo ou correto para evitar a perda de vidas inocentes.

Lembra e muito a visão aterradora e não menos paradoxal do filósofo político inglês Thomas Hobbes em sua obra clássica Leviatã, que imagina um tipo de organização estatal onde o poder fosse exercido de forma absoluta como exemplo único de arranjo social onde as contradições fossem limadas do cenário.

Depois do Superman ser induzido ao erro e matar sua mulher, Lois Lane, que se encontrava esperando um filho seu, em razão das ações praticadas pelo Coringa e sua mulher, Arquelina, que fez com que o Superman, dopado por uma mistura de gás do riso e kriptonita, confundisse Lois com um dos seus principais inimigos, Apocalypse, o que levou à detonação de uma bomba atômica em Metrópoles, dizimando instantaneamente 11 milhões de pessoas, o heroi toma medidas drásticas.

Inicia matando o Coringa na frente de um Batman horrorizado, ao atravessar seu braço no peito do vilão. Não satisfeito, Superman faz um pronunciamento às Nações Unidas declarando que não aceitará mais nenhuma perda de vidas inocentes e que punirá implacavelmente toda e qualquer pessoa ou governo que burle essa regra.

O resultado é que ele se torna um vigilante global, intervindo em todas as situações onde vidas humanas se encontram em riscos, não importa a origem da ação, contando no inicio com a ajuda de boa parte da Liga da Justiça, principalmente da Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Ciborgue, Ravena, Robin (na versão Damian Wayne, filho de Bruce Wayne), Shazam e mais uns poucos.

Quem organiza a resistência é ninguém menos do que o Batman, que não concorda com a visão de Superman desse tipo radical de justiça, onde ele suplanta todas as etapas do devido processo legal e toma as decisões e as executa, unilateralmemte.

Esse é o enredo básico da HQ, que mostra nitidamente a formação de um regime totalitário sob o jugo do Superman, que está mais implacável do que nunca. Ele acredita piamente que está fazendo o certo, no que é apoiado pela maioria das pessoas.

A HQ toca em conceitos como política, democracia, justiça, e até mesmo implicações teológicas e/ou religiosas sobre o nível de intervenção de entidades poderosas que podem evitar o mal a um preço muito grande da liberdade pelo altíssimo grau de controle das ações humanas exigido no processo.

Foi a primeira vez que eu me deparei com a certeza de que o questionamento feito por alguns ateus sobre a omissão de Deus perante injustiças pode ter um sentido teológico mais profundo e que não favorece em nada a lógica embutida no argumento em razão do alto grau de comprometimento da liberdade que lhe é inerente. Isso é o que o mundo controlado com mãos literalmente de aços por Superman demonstra, ainda que a finalidade seja nobre. A recorrente discussão sobre os meios e os fins é revisitada.

Ele tem o poder de evitar o mal e a perda de vidas inocentes, expurgando certos tipos de injustiça, mas a um altíssimo grau de comprometimento da liberdade.

É um dilema que a filosofia política conhece e discute há seculos.

Nunca concordei com o argumento ateísta de fundo moral sobre a omissão de Deus diante do mal e das injustiças, que considero pueril e transpõe o que basicamente importa discutir, que é a falta de sentido da existência de Deus.

A partir do momento que se questiona a suposta imoralidade de Deus diante do que Ele poderia fazer contra o mal e as injustiças já se assume como possível a Sua existência. Eu descarto essa abordagem moral sobre a existência de Deus, acho inútil e contraproducente.

Essas e outras discussões são subjacentes à excelente HQ "Injustiça - Deuses Entre Nós".

HQ brilhante nos diálogos e na arte. Recomendo fortemente.


15 de Janeiro - 10:26

Rafael Scovino
15 de Janeiro

A direita brasileira é a "direita do dinheiro", nada tem haver com "a direita dos valores" que se ergue na Europa.

Igualmente nossa esquerda é a "esquerda das minorias" e não "a esquerda do trabalho" que reage na Venezuela, Coréia e Líbia, por exemplo.


15 de Janeiro - 8:48

Uma exposição complementar ao tema desenvolvido em 12 de Dezembro de 2018.


11 de Janeiro

Daí se vê a importância de desumanizar os fetos. A maior causa de mortes no mundo todo em 2018: o aborto

4 de Janeiro

Sobre o caso JOÃO DE DEUS, como sempre, evito tocar num assunto quando nada tenho a acrescentar e detesto comentá-lo nos momentos de maior comoção, por isso coloco aqui pontos que não tenho visto serem comentados, e em nada me interessa se a pessoa em si é culpada ou inocente. O que me importa é a dinâmica social típica envolvida, na qual o caso é exemplo emblemático.

Adiantando a conclusão, É ALTAMENTE PROVÁVEL que João de Deus teve relações sexuais ou promoveu investidas questionáveis com algumas, ou muitas, mulheres, incorrendo em condutas tipificáveis como assédio sexual ou estupro, MAS É ALTAMENTE IMPROVÁVEL, talvez praticamente impossível, que seja realmente culpado da maioria das acusações que está sofrendo.

Em suma: provavelmente culpado de algumas, provavelmente inocente da maioria.

Isso deveria ser óbvio se tivéssemos mais disseminadas as noções mais básicas da realidade em termos de dinâmica sexual.

Que João de Deus seja, ou tenha sido, um homem bastante sexualmente ativo, é fato evidente por ter nada menos que 11 filhos com 11 mulheres diferentes. Acrescentando isso ao fato de ter sido se não um homem atraente, ao menos normal, e RICO E FAMOSO, admirado e concentrador de atenções desde a juventude, e isso num ambiente predominantemente pobre, somente uma absoluta falsificação da realidade para ignorar o fato de que ele será desejado e cobiçado por mais mulheres do que seria capaz de dar conta.

Homens assim não costumam ter qualquer necessidade de assediar mulheres, PORQUE ELES SÃO ASSEDIADOS! Qualquer homem célebre, ilustre e ou rico, atrairá mulheres pela sua simples "Condição de Alfa". Portanto, embora seja possível que ele tenha incorrido em investidas não autorizadas ou mesmo abusivas (pois é comum homens assim se acharem bons demais para serem recusados), é incomensuravelmente mais provável que tenha apenas correspondido a investidas voluntárias.

Lamentavelmente, o resultado contraditório de meio século de Feminismo é: pregando que mulheres devem ter "liberdade sexual", o "direito" de agir como homens e sobretudo que são naturalmente tão libidinosas quanto eles, também pregar AO MESMO TEMPO que elas são vítimas indefesas dos brutais impulsos sexuais masculinos, estupradores em potencial, cuja "castidade" é um bem de altíssima relevância cuja violação causa dano irreversível tal qual a uma virgem vitoriana de família moralista.

Ou seja, a mulher pós feminista contemporânea ocidental é mais sexualmente afetada e delicada do que qualquer outra, visto que não só o estupro é visto como praticamente o mais grave dos crimes, como ainda por cima praticamente qualquer tipo de relação sexual pode ser considerada estupro pelo alargamento paradoxal e INFINITO do conceito.

Quem tiver contato com mulheres africanas não terá dificuldade de notar que elas tem uma visão bem diferente do assunto. Primeiro porque não irão considerar qualquer relação sexual desajeitada como estupro, mas se forem estupradas, ou elas mesmas, ou seus familiares e amigos, irão posteriormente punir o estuprador, ou recorerrão as autoridades, ou simplesmente superam o fato e seguem em frente sem achar que sua vida acabou. O que não irão fazer de modo algum é show de vitimismo nas mídias para transformar o crime numa questão social dando muito mais importância a falar numa "cultura de estupro" ou num "patriarcado opressor" culpando todos os homens, do que em efetivamente punir o estuprador.

E é aí que temos o mais espinhoso dos problemas. Pela concepção pós feminista atual, qualquer mulher pode, a qualquer tempo, simplesmente decidir que relações perfeitamente consentidas no passado foram estupro! Bem como qualquer tipo de flerte foi assédio. E como é evidente que João de Deus tem um vasto passado sexual, não faltará "matéria prima" para ser resignificada segundo viés estuprista. E O MAIS IMPORTANTE! Todas essas denunciantes, além de nada terem a perder, pois acusações de estupro impossíveis de verificar podem ser feitas à vontade, tem alta possibilidade de ganhar uma generosa indenização mesmo que estejam mentindo.

Para piorar, possíveis estupros ou assédios reais ocorridos no passado também não tem mais como ser provados, o que condena todo o problema a uma absoluta indefinição. Se estivesse havendo uma operação investigativa discreta, a possibilidade das denúncias serem sinceras aumentaria exponencialmente, mas a grande mídia é a arena da fraude e da mentira espetaculosa, e não se poderia esperar outra coisa que, uma vez nos noticiários, quaisquer fatos reais sejam obscurecidos pelo sensacionalismo irresponsável.

O resultado é uma autência "Caça às Bruxas", uma histeria coletiva que se multiplica não pelo "encorajamento" a se dizer a verdade, pelo contrário, mas sim para se confirmar a narrativa dominante não importa quão farseca seja, podendo ir desde denúncias de corrupção até abduções alienígenas e possessões demoníacas. O que importa é conseguir os típicos 15 minutos de fama, aproveitar a onda e tirar proveito dela, quer seja para benefícios imediatos ou para destruir reputações por que motivo seja, talvez até por Síndrome da Mulher de Potifar.

João de Deus, com certeza, foi na melhor das hipóteses imprudente em suas condutas, possivelmente crendo que sua fama e prestígio lhe tornassem intocável, e não tendo o bom senso de se desvencilhar de situações potencialmente problemáticas. Pelo contrário, possivelmente tenha "aproveitado" muitas das investidas que recebeu. Mas mesmo na pior das hipóteses, a de que tenha efetivamente cometido vários delitos, não parece plausível que tenha incorrido em centenas de más condutas, que segundo a mentalidade feminista, encobririam milhares, sem que isso afetasse suas atividades. Ele teria que estuprar ou assediar em média uma mulher mulher por dia e elas omitirem por completo o fato, o que pressuporia várias situações diárias onde se isolasse com uma, o que definitivamente não é típico nesse ramo de atividade.

Vale lembrar que ele já foi acusado de vários crimes, desde exercício ilegal da profissão, contrabando de minério e até assassinato, além de outras acusações de cunho sexual, que por sinal tem muitíssimo mais probabilidade de serem bem fundamentadas. Mas nenhumas delas foi adiante. Agora, porém, não enfrenta apenas acusações formais, mas um ataque midiático massivo, que vale dizer, foi deflagrado pela Globo. E ataques desse tipo estão frequentemente associados a falta de fundamentação, bombam na mída por um tempo e depois desaparecem por completo na maioria das vezem sem resultados concretos. Que fim levou o "Estupro Coletivo dos 33"?

O que está realmente em jogo, enfim, não é João de Deus, de quem não tenho qualquer expectativa pessoal, mas sim a deplorável tendêndia de substituir a investigação policial e processo judicial pela balbúrdia midiática caótica e sensacionalista, defendida por Sério Moro, na qual a qualidade das evidências é jogada no lixo em prol da quantidade de denúncias.

Há farta literatura judicial sobre isso e os resultados, praticamente sempre, são vergonhosos, tanto condenando inocentes quanto permitindo que acusados quase certamente culpados escapem impunes devido a interferência midiática arruinar o processo! E os piores de todos, vale dizer, envolvem afetações sexuais, tornando tudo ainda mais nebuloso, confuso e passional.

3 de Janeiro - 22:38

Obs: Serão dados avisos sobre Spoilers quando ocorrerem, lembrando que não considero como spoiler qualquer coisa que esteja abertamente contida nos trailers.

Assisti BIRD BOX no NETFLIX assim que foi lançado, mas preferi ler o livro primeiro antes de comentá-lo, mesmo já tendo em mente quase tudo que escrevo abaixo sobre o filme, a não ser comparações com o livro, que em nada alterou minha percepção essencial média, pois se livros possuem sempre notória vantagem sobre suas versões em filme, e inegável que neste caso possui também desvantagens.

Embora dramaticamente, e em termos de concepção, seja muito interessante, a originalidade da premissa em si fica maculada pelo fato de parecer uma mistura de outras premissas famosas. Não são poucos os que concluíram de imediato que se trata de uma fusão de The Happening (2008) cá pessimamente intitulado "Fim dos Tempos", de M. Night Shyamalan, que trata justamente de um fenômeno que provoca suicídios em massa, e A Quiet Place (2018), cá perdoavelmente intitulado "Um Lugar Silencioso", que no entanto acede mais à lembrança por ser recente. Por sinal, ambos foram por mim comentados respectivamente em Junho de 2008 e 18 de Maio de 2018, e uma leitura nas minhas observações talvez permita inferir que embora ambos os filmes tenham seus méritos, ao pecarem na verosimilhança e na consistência, talvez uma mistura de ambos herde esses mesmos problemas. E de fato o faz.

Apresentando severas deficiências em sua ambientação, é como se Bird Box, porém, respondesse questões que ficaram abertas em The Happening. Neste último, o vento traz um tipo de substância, química ou biológica, que primeiro paralisa as pessoas, em seguida as deixa brevemente em estado de confusão, para logo em seguida cometerem suicídio da forma mais rápida e eficiente que encontrarem. Jamais, porém, sequer sugere o processo mental que de fato impulsiona as pessoas a ato tão extremo, parecendo um mecanismo de controle direto que dribla qualquer tipo de consciência, e age de modo complemente frio.

Obs: a partir daqui, spoilers leves sobre The Happening e Bird Box (filme).

Mas Bird Box deixa claro que a visão das "criaturas", como o livro a elas se refere, desperta uma reação personalizada e fortemente passional. Algumas pessoas parecem ver algo belíssimo, outras algo terrível. Algumas parecem apenas quererem se livrar do impacto da visão, outras, é como se vissem o paraíso pós morte e quisessem se juntar a ele o mais rápido possível, e sempre imaginei algo assim em The Happening.

Cheguei até a considerar, no caso do filme de Shyamalan, o que aconteceria caso alguém falhasse em sua tentativa de suicídio, apenas desmaiando invés de efetivamente se matar. O que ocorreria após acordar? A omissão total do filme quanto a isso é enervante, sugerindo que ninguém, em momento algum, falhou na tentativa, o que soa inverossímil. Mas se considerarmos a situação de Bird Box, fica claro que o efeito do impacto psicológico é permanente, e uma vez desperta, a pessoa daria prosseguimento a sua intenção original.

Exceto, claro, pelo fato de que neste nem todos suicidam, havendo aqueles que apenas enlouquecem, além dos que, já sendo loucos, não parecem sequer afetados. Assim, Bird Box trata melhor esse ponto específico, a não ser pela terrível omissão que praticamente arruína a premissa e narrativa, e que comentarei mais adiante.

Mas não se pode esquecer as cruciais diferenças. Em The Happening o acontecimento é local e temporário, pois ao contrário do que sugere o estúpido título brasileiro, não se trata de um filme apocalíptico como é o caso da "epidemia" evidentemente global de Bird Box. E este também tem a decência de, não tendo uma explicação convincente, deixar o mistério em aberto, invés de sugerir uma "explicação" completamente espúria como a levantada por Shyamalan.

Em Bird Box também há uma clara condição que, devidamente observada, afasta a ameaça, embora às custas da terrível privação da visão, que embora inexistente em The Happening, por outro lado, torna muitíssimo mais difícil escapar. E mais uma vez, volta a dúvida. O que aconteceria com alguém que tivesse sido impedido de suicidar após o fim "infecção"?

Já a privação sensorial é o que aproxima Bird Box de A Quiet Place, ainda que forma bastante oblíqua, pois neste último nenhum sentido precisa ser contido, mas sim, o dom da fala, forçando não a uma situação surda, apesar de uma das personagens o ser, e sim muda, em oposição à situação cega.

Mas é preciso dizer que essas referências não são suficientes para uma comparação, visto haver outras talvez ainda mais apropriadas. A Estrada (2009), filme baseado em livro homônimo e título perfeitamente traduzido, de Cormac McCarthy, deve ser lembrado por incluir tanto uma "peregrinação" por um mundo pós apocalíptico como uma narrativa que alterna a situação desolada anos depois da catástrofe se abater sobre o mundo, tal como A Quiet Place, com os momentos de seu início, incluindo a vida pregressa do personagem principal, como em The Happening. Ademais, assim como ocorre em Bird Box, há foco numa criança que jamais conheceu o mundo anterior, tendo uma infância absolutamente diferente de seus genitores, bem como situações análogas de sobrevivência como a procura por alimentos e fuga de pessoas enlouquecidas.

Embora não haja qualquer tipo de privação sensorial, o que nos leva a outra referência que deveria ser ainda mais óbvia que qualquer outra embora tenha sido pouco lembrada. Ensaio Sobre a Cegueira (2008), baseado no livro homônimo do escritor José Saramago, que infelizmente, diferente de A Estrada, não li.

E POR FALAR EM CEGUEIRA

Mantendo o foco no filme, falemos só agora dos inúmeros problemas, pois uma vez começando, é difícil parar.

A primeira e mais drástica estranheza, para não dizer inconsistência, do filme, é a absoluta falta de referência a uma questão que não vejo como não ser óbvia desde o imediato. Se o fenômeno provoca loucura e impulso suicida apenas por meio de um avistamento, logo as pessoas cegas deveriam ser imunes a ele. Então como raios um filme no qual grande parte do foco está justo no fato de pessoas normais terem que caminhar vendadas no mundo exterior, em momento algum sequer é levantada a questão de que os cegos passariam não só a ser sobreviventes privilegiados, mas capazes de auxiliar grandemente os demais com sua experiência prévia de se mover pelas ruas?

Pois muitas pessoas cegas são capazes de superar a deficiência e se mover no mundo, se não de forma tão eficaz quanto vemos em casos como o filme A Vila (2004), de Shyamalan, com uma autêntica heroína cega, ao menos com desenvoltura muito maior que as pessoas acostumadas à visão. Seriam, de certa forma, os "salvadores da pátria" naquela situação, e a estória teria até uma característica simbolicamente "inclusiva" que o Daredevil jamais poderia ter. E vale lembrar que as crianças, no livro, graças ao treinamento dado pela mãe, tem uma percepção auditiva que não parece dever muito a Matt Murdock, a não ser na versão cinematográfica com Ben Affleck.

Obs: a partir daqui SPOILER PESADO sobre Bird Box (filme e livro).

Mas o filme, e mesmo o livro, não só omite isso por completo, como o autor ainda tenta surpreender justo introduzindo esse tema ao final, como se não fosse de uma obviedade ululante! Até mesmo a insistente comparação com A Quiet Place denuncia isso, visto que neste filme temos uma personagem surda, cuja habilidade com linguagem de sinais a deixa um pouco mais à vontade num mundo onde ninguém pode falar.

É verdadeiramente chocante essa omissão considerando que sequer a estória assim o exige, pois dada a localidade da narrativa, bastaria sugerir que, talvez, os cegos estivessem sendo mortos pelos loucos por sua incapacidade de ver as criaturas, bem como que nenhuma dos personagens conhecesse uma pessoa cega a quem pudessem recorrer. Manter um silêncio intencional sobre isso para tentar vendê-lo como um "surpresa", sinto dizer, é de uma incompetência argumentativa patética! E o livro ainda tenta fazer esse suspense render um pouquinho mais ao final com o agravante de misturá-la com uma das piores ideias de todo a estória.

Além da incrível oportunidade perdida. Em plena era da inclusão politicamente correta dos deficientes físicos, esse era um excelente tema a ser explorado desde o início num livro onde dever-se-ia fazer questão de ser disponibilizado desde o início em Braile e Audio book.

VISÃO INDIRETA

E sem querer desmerecer o filme, que apesar disso tem seus méritos e fornece bons momentos, a questão da cegueira está longe de ser o único problema. Temos, no sentido reverso, o fato do avistamento ser letal até mesmo de forma indireta e por meio de câmeras.

Eu não gosto dessa premissa, acredito que situações assim são muito mais elegantes quanto diferenciam qualitativamente o avistamento ao vivo de um avistamento por meios eletrônicos, e no livro isso é ainda mais evidente, visto que se no filme o homem comente suicídio após avistar uma das "criaturas" em tempo real nas câmeras de vigilância, no livro ele o faz após ver uma gravação anterior num câmera VHS. Sim! VHS!

Mas se é assim, e lembrando que apesar do estranhíssima utilização de uma tecnologia tão antiga numa ambientação que é claramente no tempo presente, então não há a menor possibilidade de que já não houvesse inúmeras imagens circulando na internet causando mortalidade em massa. Pois trata-se de um fenômeno que foi se alastrando de forma gradual, capturando por completo a atenção da imprensa, e pouco importa que qualquer um que filmasse morresse de imediato não tendo a oportunidade de divulgar a imagens, pois haveria muita transmissão de imagens produzidas automaticamente, e, no mínimo, ao menos a notícia de que o avistamento é letal também por via indireta deveria ter sido divulgada em massa na mídia.

E o pior, com os "loucos" que sobrevivem ao avistamento e nada mais querem do que obrigar todos os demais a também verem, considerando que não perdem a racionalidade prática, de certo iriam eles mesmos inundar a internet de imagens! O fato é que não haveria como não saber que o avistamento por meio eletrônico também é fatal. As emissoras de TV seriam as primeiras e perceber isso!

E a remoção dessa premissa não necessariamente prejudicaria a necessidade literária de promover a cegueira compulsória dos personagens, pois improvisar câmeras visualizadoras para se locomover nas ruas não é algo tão simples de se fazer, e bastaria algum tempo de blecaute para que a impossibilidade de carregar as baterias dos celulares e câmeras as inutilizasse totalmente. O que nos leva a outro ponto.

ÁGUA E ENERGIA

Mas a deficiência imaginativa do autor não se aplica apenas a especulação sobre fatos irreais, mas também sobre conhecimentos concretos cruciais para a construção de sua ficção. No livro, ainda mais que no filme, fica evidente que a energia elétrica permaneceu acessível por vários meses após o colapso completo da sociedade, mas isso é evidentemente impossível.

É verdade que os geradores, quer sejam hidroelétricos, geotérmicos ou nucleares, são amplamente automatizados e podem sim funcionar por tempo indefinido, mesmo durante meses. Só que no mínimo 90% dos blecautes não são causados por falhas da geração, mas sim da distribuição, como rompimentos de cabos, desarmamentos espontâneos de disjuntores ou mesmo postes caindo, que são enormemente frequentes e praticamente diárias, e só não são mais sentidas por serem quase imediatamente reparadas enquanto sistemas auxiliares atuando em paralelo permanecem fornecendo energia por outros caminhos.

Mas no cenário descrito no livro, não haveria quem fizesse os reparos, e evidentemente os mais complicados são justo os que envolvem postes derrubados, quase sempre por acidentes automobilísticos. E estamos falando de uma ambientação onde houve uma infinidade de desastres de trânsito, quer de motoristas cometendo suicídios ou perdendo o controle dos veículos devido a outros fatores. Isso sem contar os desarmamentos espontâneos de energia comuns quando iniciam as chuvas, rapidamente reparados por um simples rearme de disjuntores ou chaves de contato mas que exigem que um técnico suba até a unidade num poste e execute a tarefa. E que dizer dos funcionários das empresas de eletricidade que, avistando as criaturas, não iriam imediatamente se jogar nos sistemas elétricos?

Portanto, SEM CHANCE! A energia cairia logo nos primeiros dias, sem nenhuma possibilidade de ser restaurada.

Talvez ainda mais estranho seja o fato de que, por outro lado, no livro, a água acabe rapidamente, mesmo com a energia milagrosamente funcionando. Só que os sistemas de abastecimento hídrico também são largamente automáticos, e ainda que sofram desajustes de dosagem de produtos químicos e colocassem em risco a qualidade da água, são, no sentido oposto ao da eletricidade, muito mais resistentes devido a serem predominantemente subterrâneos. As estações de tratamento e bombeamento, na falta de operadores, não demorariam a enviar água mais escura ou sem desinfecção, mas ainda assim a enviariam por muito tempo, possivelmente em condição não muito pior do que o poço utilizado pelos personagens.

Considerando a redução brusca de consumo, eu aposto que na maioria dos casos os reservatórios extravasariam, e haveria água de sobra por meses.

Mas, claro, isso apenas porque por um milagre a energia continua funcionando, o mesmo milagre que também permitiria a internet e a telefonia celular também funcionar com ainda mais estabilidade que os demais sistemas, e no filme, bem como no livro, vemos que apesar do milagre elétrico perdurar por meses, todo o resto para de funcionar.

Ainda pior é o fato de que a relevância da eletricidade para narrativa é nula. Todos os fatos poderiam se desenrolar da mesma forma sob blecaute. Não há nenhum motivo dramático ou de roteiro pelo qual o autor precise dessa manutenção milagrosa da energia. No livro, ainda há o fato de que a protagonista acha a casa onde vai passar a maior parte do tempo pelo rádio, mas isso é ainda no começo da estória, quando o colapso ainda não estava totalmente consumado.

E com isso, não seria necessário aplicar a problemática premissa da visão por meio de vídeo também ser letal.

Obs: num próximo texto comentarei sobre as diferenças, e deficiências, do livro.
3 de Janeiro - 18:42

Acho que nunca vi tanta precisão simbólica numa foto casual. DIZ TUDO!

Deixando clara minha interpretação do assunto, não estou preocupado com essas pessoas em si e até acho que pode ter sido um brevíssimo momento de ajuste, que talvez possa até ser um breve segundo antes da bandeira do Brasil ser levantada e até mesmo que possam ter senso crítico suficiente para terem se tocado logo de estar se posicionando de forma desastrada.

O ponto é que, independente disto, o forma final da imagem é de um simbolismo perfeito, ao representar com exatidão a ideologia bolsonarista, leia-se:

Embora sejam brasileiros, apoiam um Brasil apenas como capacho, serviçal e lambe botas de Eua e Israel, que, estes sim, devem ser louvados e admirados enquanto o Brasil fica no seu lugar de subalternidade. Por fora, vestem as cores do Brasil, mas por dentro, o que se reflete em suas atitudes, servem a interesses totalmente outros. E até mesmo a bandeira de São Paulo no fundo possui um impacto simbólico crucial, visto ser o estado que em vários aspectos mais se alinha aos EUA, sendo por isso que merece um destaque maior justo por ser como se fosse "os EUA do Brasil".

3 de Janeiro - 17:18

Feliz 5779

3 de Janeiro - 16:01

Pra começar bem o ano.

André Luiz dos Reis
3 de Janeiro

Um dos mitos hoje fortes no discurso político em nosso país é de que um serviço é ruim porque é público, e que o Estado é ineficiente.

Ora, a maior parte dos serviços privados são uma grande porcaria. Um exemplo nítido está nas próprias empresas privatizadas ou nas concessões feitas pelo poder público.

Os serviços de transporte urbanos são uma porcaria privada. Aqui no Rio, a privatização dos trens urbanos só teve por efeito aumentar radicalmente o preço das passagens -- todas as melhorias do setor, como a compra de novos trens, continuam sendo realizadas pelo Estado. A Prefeitura do Rio paga para que as empresas de ônibus coloquem os ônibus nas ruas [parte da passagem é subsidiada], um serviço estupidamente ineficiente.

Os serviços de telecomunicações, que funcionam em um restrito cartel, estão entre os maiores absurdos no Brasil. Mais uma vez, toda infraestrutura que esses serviços usam é pública, e ainda assim as empresas envolvidas no negócio são campeãs de reclamações e multas, e cobram o olho da cara pelo pouco que oferecem.

Durante muito tempo se ouviu aqui no Rio que a distribuidora de energia elétrica responsável pela maior parte da capital melhoraria muito seu serviço caso fosse privatizada. A Light voltou para a iniciativa privada há quase vinte anos, e desde lá só fez aumentar ferozmente a tarifa de energia.

A maior parte da estrutura econômica do nosso país foi impulsionada pela ação do Estado.

Se a iniciativa privada é tão maravilhosa, porque não criou a siderurgia em nosso país? Por que em vez de criar uma petrolífera como a Petrobrás, capaz de desenvolver uma tecnologia de ponta para exploração de petróleo em águas profundas, espera apenas para parasitá-la numa possível privatização ou abertura de capital em Bolsa? Porque empresas símbolos e revolucionárias em nossa estrutura produtiva nascem sempre pelas mãos do Estado? Pense na Eletrobrás, na CSN, na Vale do Rio Doce, na Embraer etc.

Todos esses setores foram desenvolvidos pela mão firme do Estado brasileiro, e depois disso foram doadas não porque ineficientes [a CSN era a maior siderúrgica da América Latina, a Embraer é uma empresa de sucesso, a Vale do Rio Doce controlava reservas minerais capazes de abastecer o mundo inteiro por quatrocentos anos etc.], e sim porque os poderes econômicos privados queriam se apoderar daquilo que não construíram, tendo os negócios protegidos pelo Estado.

O mesmo se aplica à mercantilização dos serviços de saúde, com a oferta de serviços imoralmente caros e de serviço precário.

E os bancos? De que adiantou nos livrarmos dos bancos estaduais, como o BANERJ, pra alimentarmos bancos internacionais como o Santander? Foi a Prefeitura do Rio, com seus privilégios ao Santander, que possibilitou o estabelecimento e a consolidação desse banco entre nós. Hoje, o país é controlado por um cartel financeiro que atravanca a economia e cobra do cidadão os juros mais caros do planeta.

É isso que se entende no discurso político por ''serviço privado eficiente'': abusivamente caro, claramente insatisfatório, e parasita do governo que se propunha a substituir.


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