A VERDADE SOBRE
MARGARETH SANGER

Ela não era Abortista!

Ainda que seja difíci encontrar alguma ideologia mais fradulenta e que o Abortismo, ele não tem o monopólio da desinformação, há anos circula pela web, amplamente divulgado por Pró-Vidas, a afirmativa FALSA de que Margareth Sanger (1879-1966), fundadora da Planned Parenthood e que de fato era racista e eugenista realmente defendendo a redução da população negra, seria uma defensora, talvez a primeira, do aborto.

MAS ELA NÃO ERA um Defensora do Direito ao Aborto e MUITO MENOS UMA ABORTISTA! Pelo contrário! Era contrária, e defendia a contracepção exatamente para minimizar a ocorrência da prática. Somente DEPOIS de sua morte foi que a Planned Parenthood viria a se tornar de fato a maior organização mundial de promoção de aborto, e um dos maiores baluartes do Abortismo.

Essa desinformação sem sido repetida em massa, inclusive pelo documentário Blood Money, no entanto, carece de qualquer fonte confiável. Pelo contrário. No texto de 1918 Birth Control or Abortion?, da própria Margareth Sanger, pode-se notar um discurso mais parecido com uma apologia pró-vida do que qualquer coisa abortista. Ela defendia os métodos anticoncepcionais e de esterilização exatamente para evitar os chamados "abortos de beco" (back-alley abortions) , visto que os mesmos eram por demais arriscados.

O movimento pró-vida parece ter um interesse bem específico ao promover essa inverdade, em especial associar o aborto à eugenia, visto que Margareth Sanger era inegavelmente racista, tendo tido associações até mesmo com a Klu-Klux-Klan. Essa tática sofismática visa piorar ainda mais a imagem do abortismo, como se uma pura e simples luz isenta de distorções já não fosse mais do que suficiente para arruinar qualquer vestígio de decência e honestidade nesta ideologia. Mas a desinformação NUNCA é benéfica, ao menos não para uma causa que visa combater uma das maiores fraudes da história. Não se combate a mentira com outra mentira, e sim, pelo exato contrário, insistindo em mostrar a verdade.

Outros, claro, propagam tal desinformação por ignorância, infectando até mesmo as fontes de referência da web. Eu próprio já corrigi mais de uma vez esse erro na wikipedia em português, mas ela volta como uma praga recidiva. Já na versão em inglês, como quase sempre, pode-se achar informação de melhor qualidade. Como por exemplo, falando sobre Margareth Sanger: "Ela também queria prevenir os abortos inseguros, então chamados de abortos de beco, que eram comuns devido a serem normalmente ilegais na época. Ela acreditava que apesar do aborto ser algumas vezes justificável, deveria ser geralmente evitado, e considerava que a contracepção era o único meio prático de evitar a prática de abortos." (She also wanted to prevent unsafe abortions, so-called back-alley abortions, which were common at the time because abortions were usually illegal. She believed that while abortion was sometimes justified it should generally be avoided, and she considered contraception the only practical way to avoid the use of abortions.)
en.wikipedia.org/wiki/Margaret_Sanger, acessado em 18/05/15.

Mais diretamente, também pode se ir direto ao ponto onde se lê "A defesa do planejamento familiar de Sanger sempre focou na contracepção, invés de aborto. Não antes de meados de 1960, após a morte de Sanger, que o movimento dos direitos reprodutivos ampliou seu escopo para incluir o direito ao aborto assim como à contracepção. Sanger se opunha a abortos, tanto porque eram perigosos para a mãe no início do século XX quando porque ela acredita que a vida não deveria ser eliminada após a concepção. Em seu livro Woman and the New Race, ela escreveu: "enquanto existem casos onde a mesmo a lei reconhece um aborto como justificável se recomendado por um médico, eu asseguro que os centenas de milheres de abortos realizados na América todo ano são uma desgraça para a civilização." (Sanger's family planning advocacy always focused on contraception, rather than abortion.[108][note 10] It was not until the mid-1960s, after Sanger's death, that the reproductive rights movement expanded its scope to include abortion rights as well as contraception.[note 11] Sanger was opposed to abortions, both because they were dangerous for the mother in the early 20th century and because she believed that life should not be terminated after conception. In her book Woman and the New Race, she wrote: "while there are cases where even the law recognizes an abortion as justifiable if recommended by a physician, I assert that the hundreds of thousands of abortions performed in America each year are a disgrace to civilization."[111])
en.wikipedia.org/wiki/Margaret_Sanger#Abortion

Ainda mais importante, é que embora hoje a Planned Parenthood seja a maior organização abortista mundial, ela NÃO ERA quando foi fundada! Somente após a morte de Sanger ela passou a promover o aborto. Curiosamente parece haver um esforço por parte dos abortistas e da própria instituição em disfarçar isso. Aliás a virada da Planned Parenthood para o abortismo é tardia, na década de 1970, tanto que a própria National Organization for Women, nos anos 60, buscava apoio na NARAL - Pro-Choice America que foi co-fundada por Betty Friedan. No artigo sobre Friedan isso é mencionado ao dizer que "Ela apoiava o conceito de que aborto é uma escolha da mulher, e que não deveria ser um crime ou uma decisão do médico, e ajudou a formar a NARAL (NARAL pró-escolha da América) numa época que a Planned Parenthood não era ainda apoiadora." (She supported the concept that abortion is a woman's choice, that it shouldn't be a crime or exclusively a doctor's choice, and helped form NARAL (now NARAL Pro-Choice America) at a time when Planned Parenthood wasn't yet supportive.[47]) en.wikipedia.org/wiki/Betty_Friedan#Abortion_choice.

Na verdade, nem mesmo os próprios Rockefeller, seguramente os maiores vultos por trás da promoção do aborto, não eram abortistas até meados de 1960, conforme explica em detalhes Dra Renata Gusson, cujo vídeo você pode acessar em A Fundação do Feminismo, onde eu compilei mais detalhes sobre essa história, inclusive me dando ao trabalho de recuperar o texto seminal de Kingsley Davies, frequentemente citado pela doutora e publicá-lo AQUI, onde é apresentada a fundamentação por trás da proposta que levaria a adoção do Abortismo.

Por fim, não se trata de uma defesa de Margareth Sanger, e sim sobretudo uma defesa da honestidade e precisão de informação. A luta contra a mentira e a desinformação não pode recorrer às elas mesmas para combatê-las.

Marcus Valerio XR

Esboçado ao longo do Primeiro Semestre de 2015

Publicado em 28/06/15


ABORTISMO
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Aborto à Francesa