Os 300 da Suécia

ou
Como trocar o importante pelo irrelevante.
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Como negligenciar todo um contexto político cultural quando um certo Movimento de Resistência Nórdica de teor nacionalista faz uma passeata no dia 1° de Maio, Dia do Trabalhador, na Suécia, com o emblemático contingente de 300 homens engravatados, cuja ideologia vem fortalecida após uma nova política de restrição de fronteiras para deter a entrada de imigrantes médio orientais?

Simples, focar toda a importância num gestinho simbólico pífio de absoluta irrelevância que nem a própria autora levou a sério! O quase imperceptível protesto da obscura ativista negra Tess Asplund, que sequer irei linkar aqui porque 100% de todas as notícias em português e a maioria esmagadora das em inglês ou espanhol que tocam no assunto o descrevem como 'O Heróico ato de uma mulher negra que "desafiou" um movimento nazista'. De um perspicaz fotógrafo, tentou-se divulgá-la como um ícone histórico de resistência à opressão, apesar de ter durado exatos 4 segundos onde sequer reduziu o passo da marcha, não proferiu palavra alguma e logo foi removida, e protegida, pela polícia, e um companheiro branco que se limitou a "dar o dedo", e sem os quais certamente ela sequer teria tido coragem de se aproximar da manifestação que seguiu adiante ignorando-a por completo.

Este breve vídeo mostra tudo o que há para ser visto atestando a total nulidade do ato, enquanto a maioria dos outros, editados, tentam fazer o ocorrido parecer mais relevante do que é. E mais. A própria autora se mostrou não apenas surpresa com a repercussão da foto mas até mesmo assustada com a possibilidade de uma hipotética retaliação. Em suas próprias palavras: "Estou em choque. Os nazistas são muito agressivos, então eu estou um pouco 'Que merda, talvez eu não devesse ter feito isso, eu quero paz e sossego.' Esses caras são grandes e loucos.", disse a ativista de 1,60m e 50kg, lutando para manter a calma.1

Ela não deveria se preocupar, ninguém entre os membros do movimento nacionalista em questão parecem ter dado a mínima para ela, que evidentemente não tem nem de longe a "coragem" que a mídia está tentando lhe imputar em seu esforço de obscurecer qualquer informação relevante sobre o ocorrido, limitando-se a não apenas dizer que os manifestantes são 'nazistas', o que seria apenas substantivação, mas a chamá-los de 'nazistas', o que se torna adjetivação da versão aparentemente menos infantil de dizer que algum movimento é 'do mal'.

Quem quiser conhecer alguma coisa sobre o acontecido, onde os manifestantes ostentavam o cartaz "Luta contra os Grandes Financistas e os Traidores do Povo", não pode contar com a web em português. Vai ter que se virar. Mas vou fazer um breve e rápido trabalho do tipo que toda nossa praticamente inútil mídia internética achou por bem dispensar.

O Movimento de Resistência Nórdica é uma organização assumidamente Nacional-Socialista fundada em 1997 que opera na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, resultante de dissidências e desmembramento de organizações anteriores, muitas delas com membros criminalizados. Hoje, no entanto, atingiu o estatuto de partido político, já tendo elegido seu primeiro e único representante entre os 290 municípios suecos. Apesar dessa representatividade insignificante, boa parte da ideologia do partido está espelhada no do partido dos Democratas Suecos, de teor conservador, nacionalista e resistente à União Européia, que já detém nada menos 14% do parlamento sueco e 10% da representação sueca de 20 membros no Parlamento Europeu. 2

Previsivelmente, o Site oficial do MRN não tem tradução para outros idiomas que não o sueco, o que seria de se esperar de um movimento étnico pouco amigável a estrangeiros que não os demais nórdicos, lembrando que seus idiomas, especialmente sueco, norueguês e dinamarquês, são bastante parecidos, sendo em geral inteligíveis entre si.

Neste breve vídeo da manifestação, pode-se ter uma visão melhor da passeata, que brada basicamente pela restrição a entrada de imigrantes não nórdicos, especialmente muçulmanos, pela rejeição ao sionismo, capitalismo financista e liberalismo em geral, lembrando que ao mesmo tempo, nacionalistas também são anticomunistas. Devido a dificuldade de encontrar material que não em idioma nórdico, esse depoimento anti-sinonista de 2012, em espanhol, de um dos membros da organização, pode ser bastante útil para detalhar melhor a mentalidade por trás do movimento.

Trata-se do mesmo grupo envolvido em controversa ocorrência na estação central de trem de Estocolmo. Grupos nacionalistas e conservadores descreveram com um ato pacífico de divulgação e panfletagem com algumas manifestações acaloradas, e a mídia liberal e progressista como um ato de violência contra mulheres e crianças imigrantes. A absoluta ausência de imagens de qualquer agressão num mundo bigbrotheriano repleto de câmeras, bem como a total ausência sequer de fotos de feridos, laudos médicos, boletins policiais ou mesmo depoimentos, fala a favor de um lado.

No link Swedish far-Right mob attacks migrants in central Stockholm in wake of social worker murder há praticamente o único vídeo relevante do caso, onde pode-se ver a segurança ameaçando alguém que não se sabe ser um imigrante ou um dos manifestantes, enquanto as legendas do vídeo dizem, "isso parece aquilo" e "aquilo parece isso".

Mas agora, deixando de lado especulações e desinformações, vamos aos fatos.

A imigração em questão interessa aos grandes empresários e ao setor financista, visto implicar em mão de obra barata, o meio mais rápido, direto e fácil de baixar os custos de produção e consequentemente aumentar lucros. As meras "mãos invisíveis do mercado" favoreceriam a movimentação de trabalhadores menos exigentes dispostos a trabalhar mais por menos, para alegria dos liberais. Ainda que "mãos invisíveis" também sejam responsáveis pelas más condições de vida de determinadas regiões do globo, submetidas a séculos de colonização e exploração violenta dos mesmos países que hoje falam em liberdade, e de onde saem essas populações dispostas a pegar de volta um pouco daquilo que as metrópoles, direta ou indiretamente, lhes expropriaram. Isso quando o que se vê não sejam exércitos com armamentos de última geração, incluindo "aviões invisíveis", destruindo a já precária infraestrutura de regiões que se tornam insuportáveis gerando migrações em massa, dentro da qual aproveitadores e manipuladores infiltram toda sorte de espiões, baderneiros e terroristas.

Uma Esquerda decente de legítimo teor trabalhista deveria receber esses imigrantes, fiscalizá-los e sindicalizá-los, descartando, claro, os mau intencionados, garantindo aos trabalhadores estrangeiros os mesmos direitos trabalhistas e equipará-los à mão de obra nativa. Isso impediria que os imigrantes, pelas precárias condições de vida, formassem guetos no país que os recebe, evitaria desemprego expressivo entre a mão de obra nativa, e desincentivando a migração, trocaria a grande quantidade de trabalhadores imigrantes por maior qualidade dos que em menor quantidade emigrassem.

Mas a Suécia é o expoente mundial no processo corruptor que despojou a Esquerda de toda sua dimensão econômica para transformá-la no pior tipo de neoesquerdismo feminista, LGBTT, racialista, abortista, vitimista e hipócrita até não restar nem mais um pingo da Luta de Classes original e toda ela passar a servir ao mesmo poder econômico que finge combater. E ainda que boa parte disso se deva ao fato da escandinávia ter atingido tamanho padrão de vida que fica difícil outra coisa que não decair, lembremos que ela foi escolhida como o maior laboratório social mundial para experiências liberais que foram da total desregulação sexual para a mais restritiva afetação puritana típicas da esquizofrenia feminista.3 Visto que a cultura nórdica parece desde sempre receptiva a tais noções como já o apontava o viajante árabe e erudito muçulmano Ahmad ibn Fadlan, no Século X. Bem como na mesma época outro estudante muçulmano, o viajante persa Ahmad ibn Rustah, destacou a grande receptividade dos nórdicos a estrangeiros. 4

Os nacionalistas, incluindo os que ainda insistem no paradoxal conceito de 'nacional-socialismo', que são considerados Extrema-Direita apesar de serem absolutamente hostis ao grande Capital, encarnam o tradicional papel belicoso de defesa étnica e territorial que se é o responsável histórico por toda força de uma população e o fundamento de qualquer civilização, também é, nessa modalidade, obsoleto diante da força dos Estados Nacionais cooptados pelo Capital Transnacional. E esse papel de resistência costuma ser feito sem a sofisticação necessária para afastar o estigma de xenofobia e truculência, mesmo quando não é o caso, minimizando possíveis alianças com abordagens tão corajosas quanto, mas mais articuladas e que sabem focar no verdadeiro inimigo, que não é o pobre trabalhador imigrante, e sim as elites econômicas que a todos exploram.

Resultado: Vitória dos mesmos Grandes Financistas e Traidores do Povo, que controlando o Estado por meio dos partidos, conseguem pela esquerda corrompida e vendida ao interesse elitista mal disfarçado, taxar qualquer reação nativa de nazista, racista, fascista, machista e todos os adjetivos rotulantes cuja principal função é paralisar o pensamento e disparar reações pavlovianas que jamais permitirão a apreensão do possível conteúdo por trás deles. Bem como, pela direita corrompida pelo interesse elitista explícito, cooptar à justificada rejeição ao neoesquerdismo corrupto para engrossar as hostes dos que deveriam defender a tradição mas passam a defender o direito irrestrito do poder econômico em explorar ainda mais os trabalhadores.

Em suma, as elites bancárias e empresariais, em grande parte sionistas, manipulam a tudo pela farsa de uma "luta" entre o Liberalismo Econômico, à direita, e seu irmão de sangue Liberalismo Cultural, à esquerda, que corrói o poder de mobilização dos trabalhadores pela substituição da pauta econômica pelas pautas separatistas de raça, sexualidade e principalmente gênero, que também tem como função principal reduzir as taxas reprodutivas.

Somente o pensamento varonil jovial pode se iludir ao ponto de achar que a defesa de uma nação pode ser feita apenas pelos braços armados masculinos. Se para cada um daqueles 300 houver uma mulher disposta a gerar ao menos 3 descendentes, então eu apostaria que se trata de uma resposta séria e promissora no sentido de preservação étnica de um nicho populacional já bastante reduzido. Mas se estivermos falando de um bando de solteirões ou mesmo maridos cujas esposas trocam a família pela carreira em corporações privadas e estatais a serviço da mesma elite financista supracitada, então tal reação não passa de um espasmo final de desespero de uma cultura moribunda e sem chance de se reerguer.

Pois além de esmagada pela totalidade do poderio econômico, estatal e midiático, ainda estaria sendo vítima da maior de todas as armas de destruição populacional em massa já inventadas, o genocídio lento e silencioso da erradicação populacional por não reprodução.

No máximo, o que resta aos simbólicos 300 é relembrar o papel dos antigos espartanos no desfiladeira das Termópilas (que hoje são tidos como heróis mas eram mais xenófobos e truculentos do que qualquer nazista jamais sonharia ser) diante do poderio colossal combinado do Grande Capital, do Sionismo Bancário Transnacional, do Estado vendido, e aos muitos milhões de imigrantes, especialmente muçulmanos, que ainda pretendem invadir o país.

Mas esse papel de Leônidas, a grande mídia, controlada pelas mesmíssimas forças supra citadas, já reservou à "brava" ativista negra (devidamente protegida por homens em câmeras e armas) que realizou um gesto de absoluta insignificância a não ser para quem quer distorcer por completo toda a realidade e apresentar o tabuleiro de desiguais forças completamente invertido.

Marcus Valerio XR

26 de Maio de 2016

1. Tradução minha de citação em inglês em Woman who defied 300 neo-Nazis at Swedish rally speaks of anger

2. O Partido dos Democratas Suecos, fundado em 1988, saiu da obscuridade a partir de 2010, quando finalmente conseguiu representatividade para adentrar o parlamento do país, passando a crescer continuamente em reflexo a uma reação popular cada dia maior às políticas neoesquerdistas dominantes na Suécia. Hoje é o terceiro maior partido do país, com 49 parlamentares eleitos. Já o Parlamento Europeu é composto de 754 membros, 20 sendo suecos dos quais dois são do referido partido. Em conjunto com outros partidos de naipe ideológico similar, o nacionalismo ganha expressiva força na política da União Européia, inclusive apresentando muitas vezes o que é chamado de eurosceptism, uma forte descrença, crítica ou mesmo rejeição à ideia de União Européia. Ainda assim são menos numerosos que os Liberais de Esquerda ou de Direta.

3. Embora pouco divulgado, muito se fala na Suécia como uma cobaia para experiências sociais, especialmente feministas, exatamente por sua já histórica tendência a igualdade de gênero. Desde breves artigos como MARRIAGE AND FAMILY: Swedish social laboratory's disastrous legacy, a livros como The Social Laboratory, the Middle Way and the Swedish Model: three frames for the image of Sweden, bem como o artigo sobre o livro A Brief Story of Swedish Sex: How the nation that give us free love redefined rape and declare war on Julian Assange.
4. Os artigos da wikipedia sobre Ahmad ibn Fadlan e Ahmad ibn Rustah são bastante informativos. Mas no primeiro caso o texto Among the Norse Tribes: The Remarkable Account of Ibn Fadlan é bem mais detalhado. Ahmad Idn Fadlan foi romanceado pelo escritor de Ficção Científica Michael Crichton na obra Os Devoradores de Mortos, que como grande parte das obras deste escritor foi transformada em filme, O 13o Guerreiro, no qual foi interpretado por Antonio Banderas.

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