PLANETA ÓRFÃO - I

Esta estória se passa num planeta singular. Diferente de qualquer outro, ele não orbita uma estrela.
Está a anos-luz de qualquer sistema estelar. É um planeta errante, que vaga no espaço recebendo luz
e calor de um pequenino satélite incandescente, uma mini estrela, que gira ao seu redor. Para facilitar
a narrativa, pensemos nos personagens como se fossem humanos, com vida e cultura semelhantes.

ATENÇÃO! Finalmente, após 7 anos, está no ar a Continuação.

PLANETA ERRANTE

A reunião regular do conselho de sapientes que ocorria neste dia era diferente de qualquer outra. Há muito tempo não se via alguém se pronunciar com tanta ousadia e determinação. ONURB clamava com toda a convicção algo inaceitável para a maioria. A idéia de que seu mundo, se movia no espaço.

- ONURB. - Disse um dos mais de 200 presentes. - Embora tenhamos muito respeito por suas pesquisas e sua contribuição para o aumento de nossa Sapiência, essa idéia nos faz lembrar as velhas noções de que o mundo era plano ou as loucas suposições de que a terra é oca!

- É tão absurdo quanto aquela teoria ridícula que dizia que nosso mundo é que girava em torno do sol! - Disse outro presente.

Entre discretas risadas e burburinhos, havia umas poucas pessoas olhando para ONURB com alguma consideração.

- Estou tão certo disso quanto de que nosso Sol se move à nossa volta. - Exclamou o desacreditado cientista.

Não é de se admirar num mundo como esse, tal resistência as idéias do Senhor ONURB. Sem instrumentos precisos ou qualquer tecnologia mais avançada, ainda pensavam serem as estrelas pequenos pontos relativamente próximos. A constatação de que seu mundo também girava em torno de si próprio fora recente, pouco mais de uma geração. Acreditavam que eram as estrelas que giravam lentamente em torno do planeta, o que determinava o seu "ano". Esse ano/mês equivaleria a cerca de 21 de nossos dias terrestres, ao passo que o dia, que era o ciclo em que seu pequeno sol girava em torno do planeta, equivaleria a 50 das nossas horas.

- Tenho aqui todos os cálculos e diagramas, por um método que eu mesmo aperfeiçoei. Convido qualquer um dos senhores a examinar a evidência. - Continuou o obstinado e já idoso ONURB.

- Não ONURB. Todos sabemos de sua incrível capacidade argumentativa e sua habilidade em manipular fatos, preferimos examinar com nosso próprios métodos. - Replicou um outro cidadão.

- Mas é exatamente devido às falhas dos métodos convencionais que não se consegue constatar essa realidade! A medição de posicionamento estelar é uma prática recente, só mesmo com novos parâmetros é possível compreender a realidade como ela é. - Continuava ONURB

- Isso é uma afronta à memória do grande SELETOTSIRA! - Protestou um outro sapiente reclamando a autoridade de um dos grandes pensadores da história.

- SELETOTSIRA foi uma das maiores inteligências que podemos imaginar, mas não queiramos que ele seja perfeito. - Mediou um outro sapiente. Era a primeira voz que se levantava sem dirigir-se contra as idéias de ONURB.

- Então de onde ele tirou tal conhecimento? Da LUZ CENTRAL? - Replicou o que havia protestado.

Então uma nova voz se anunciou. - Já que os senhores tocaram no nome do Divino CENTRO... - Pronunciou a voz feminina.

Em quase todas as formas de vida inteligentes da galáxia que se dividem em dois sexos, tende a ocorrer a predominância social de um sobre o outro. No caso deste mundo eram os homens que geralmente lideravam. Porém as mulheres tinham importante papel social. Eram as transmissoras dos valores e dos conhecimentos básicos aos mais jovens e a maior parte dos mais velhos. Também dominavam quase por completo as instituições religiosas. A ousada senhora continou.

- O que o livro da LUZ CENTRAL têm a nos dizer? O que podemos interpretar sobre este assunto?

Apesar das religiões não serem dominantes nesse cenário de predominância científica e racional, elas ainda tinham forte apelo. Num ambiente onde a grande maioria era masculina, a senhora de certa forma representava a sapiência religiosa da sociedade, e continuou.

- Meu nome é NEDIB e quero lhes chamar atenção para nosso guia espiritual. O livro do Divino CENTRO favorece as idéias de ONURB. Vemos no verso 7152 que um dia, daqui há muito tempo, estaremos juntos ao grande CENTRO. Sob a benção da LUZ CENTRAL que jamais sairá do centro do céu. Já no verso 6117, fica claro que a LUZ CENTRAL em torno do qual gira todo o universo, é imóvel! Isso é confirmado por inúmeros outros versos assim como a informação de que um dia chegaremos a estar sob sua benção luminosa branca. Sendo assim, se o CENTRO não se move, não pode vir até nós mas sim nos levar até ele, e portanto estamos nos movendo.

- Mas por que não percebemos esse movimento? - Reagiu outro sapiente.

- Porque nos movemos muito devagar. - Respondeu de imediato NEDIB.

ONURB não esperava apoio do meio religioso, para ele o livro do Divino CENTRO não era confiável, "coisa de mulher" diziam alguns. Porém diante de uma platéia tão reacionária, ONURB se sentiu melhor mesmo quando uma chuva de críticas se levantou contra ele e NEDIB, que já começavam a ser insultados.

- Basta! - Se ergueu outro renomado cientista. - Por mais que discordemos da teoria de ONURB não podemos ser tão intransigentes. Estudo os movimentos celestes há muitas Rotações e mesmo usando as infalíveis fórmulas de SELETOTSIRA confesso que há muitas dificuldades envolvidas. Há muitos desvios que me levam por vezes a ter idéias bastante fabulosas. Me sinto na obrigação de declarar que mesmo eu já fiquei tentado por essa possibilidade e mesmo um grande cientista como ONURB pode cometer erros, e esses erros são compreensíveis e extremamente úteis ao progresso do conhecimento. Não se faz sapiência sem ousadia.

A reação da platéia foi de surpresa. SUALOCIN era um dos mais respeitados pensadores daquela parte do mundo. Suas palavras geralmente influenciavam os sapientes. Porem as reações logo voltaram a aumentar e entre os comentários e intervenções do senhor ONURB, finalmente alguém se levantou resoluto.

- ONURB está certo! - A declaração caiu como uma bomba. O jovem RELPEK era um astrônomo bastante promissor e querido por seus colegas. E apesar de sua vocação para desafiar seus instrutores, poucos esperavam que tivesse coragem de se levantar contra a sapiência da maioria. Durante quase toda a reunião ele estivera absorto em rabiscar cálculos em papéis.

- Ele não é o primeiro a chegar a esta brilhante constatação. - Continuou RELPEK. - Eu mesmo certa vez estive muito envolvido com tal problema, percebi que algumas fórmulas de SELETOTSIRA não pareciam se encaixar em algumas poucas situações específicas. Tive a intuição de que um movimento linear em nosso mundo explicaria certas anomalias mas não consegui produzir fórmulas satisfatórias. ONURB conseguiu, e vejo agora a solução para o problema.

A reunião entrou num caos e as críticas começaram a se tornar mais ríspidas. Mas agora já havia 3 pessoas e "meia" a defender a idéia ao invés de apenas uma. "Meia" porque que SUALOCIN apoiou ONURB apenas parcialmente, .

Os dirigentes acharam por melhor encerrar o expediente, o sol já se punha e logo todos estariam cansados. O assunto foi então selecionado para ser discutido com mais profundidade numa próxima ocasião.

ALIANÇA

Mais tarde, já numa das praças da cidade, 4 cidadãos se reuniam. ONURB, NEDIB, RELPEK e o respeitável SUALOCIN.

- Devo-lhe desculpas ONURB. - Confessou este último e renomado sapiente. Não tive ousadia suficiente para me expor perante o conselho mas... Tenho quase certeza de que você está certo!

- Eu tenho certeza total! - Exclamou RELPEK. - Mas devemos admitir que é difícil provar.

- Tem razão. - Confessou SUALOCIN.

- Há um meio! - Insistiu ONURB. - SELETOTSIRA desenvolveu suas fórmulas do movimento das estrelas muito longe daqui, numa posição planetária que permite uma visão diferente. Se aplicássemos minhas fórmulas lá e obtivéssemos o mesmo resultado, provaremos que não se pode atribuir tais distorções como simples disparidade de latitude.

- Têm razão! - RELPEK arregalou os olhos. - Se pudermos usar o grande Astrolábio de SELETOTSIRA e aplicarmos suas fórmulas, teremos um grau de precisão indiscutível, e se obtivermos o mesmo resultado vai ser muito difícil refutar a evidência de que o mundo se move.

- Mas como fazer isso? - Lamentou SUALOCIN. - É uma longa viagem e o terceiro território está em guerra. Duvido que nos deixem passar rumo a Cidade dos Antigos, e se tivermos que contornar o caminho será simplesmente inviável o gasto desta empreitada.

- Com licença. - Pronunciou-se NEDIB. - A guerra no terceiro território é puramente política e econômica. Sacerdotisas da LUZ CENTRAL podem passar livremente por lá. Poderíamos guiá-los com segurança através do terceiro território até a Cidade dos Antigos.

Todos consideraram a idéia que lhes emprestou um certo ânimo. Porém interveio ONURB.

- Mesmo assim será uma viagem dispendiosa.

- Creio que posso conseguir alguma verba. - Disse SUALOCIN. - Mas não será suficiente.

- Eu posso ajudar. - Declarou NEDIB.

- Com ajuda das sacerdotisas creio que essa empreitada seja viável. - Animou-se RELPEK. - Além disso podem contar com minha ajuda, posso não ser muito rico ainda mas aplicarei todos os meus recursos nesse sentido.

- Por que RELPEK? Você ainda é tão jovem, tem tanto futuro pela frente! - Indagou ONURB - Ainda poderá ser um grande estudioso, tal como SUALOCIN.

- Eu sei! - Respondeu o jovem. - Mas de quê adianta?! Ter que me curvar a uma maioria equivocada não é servir à sapiência. Meu único compromisso é com a verdade! Se conseguirmos provar o movimento do planeta será uma revolução no pensamento. Isso por si só já me basta.

- E você NEDIB? - Continou ONURB. - O que ganharia?

- Disseminar a verdade da LUZ CENTRAL é minha única preocupação ONURB. Se isso for provado, será uma mostra da sapiência do livro sagrado. Ganharemos mais respeito e as pessoas darão mais crédito a mensagem do Divino CENTRO.

RELPEK simpatizava com NEDIB mas não estava muito à vontade com essa idéia. Não gostaria de endossar o livro religioso das sacerdotisas que para ele, não passava de uma obra de mulheres normais, velhas visionárias. Não acreditava na divindade do livro da LUZ CENTRAL. Muitos versos davam a entender que o mundo era plano ou dependendo da interpretação que era oco. Para ele, aumentar a respeitabilidade deste livro poderia ser um retrocesso.

Mesmo assim, estava disposto a aceitar. Logo se formou uma espécie de união de mentes e objetivos. Uma sociedade criada no intuito de promover uma revolucionária verdade. SUALOCIN com sua influência e prestígio conseguiu recursos perante o conselho da cidade, na forma de um projeto de investigação. NEDIB também reuniu apoio do setor religioso e RELPEK e ONURB empenharam tudo o que tinham no projeto.

Em breve a viagem iria começar.

VIAGEM

SUALOCIN cumprira o prometido, em parte como meio de compensar ONURB de outra forma que não endossar abertamente sua teoria, o que poderia lhe custar prestígio. Conseguiu o transporte, os condutores e carregadores e a escolta. Entretanto não faria parte da comitiva.

NEDIB se encarreou de prover o passe pelo Terceiro Território, que devastado por uma guerra não daria passagem aberta a qualquer expedição de nações não diretamente aliadas. As sacerdotisas CENTRAIS tinham livre passagem pois colaboravam grandemente na remoção e tratamento dos feridos e em outras formas de ajuda da qual o Terceiro Território dependia. Além dela ela levava outra sacerdotisa mais jovem como auxiliar.

ONURB gastou a maior parte de seus recursos com equipamentos e livros. Sua família era contra a viagem, razão pela qual não obteve muito apoio.

RELPEK gastou o pouco que possuía nesse projeto visionário. Teve que se desfazer de suas roupas e objetos pessoais mais caros. Levava apenas uma mochila e alguns outros instrumentos astronômicos pessoais.

Nesse mundo o dia era mais curto que a noite, que era muito escura. Mesmo tendo a visão noturna mais desenvolvida do que nós humanos terrestres, eles se locomoveriam vagarosamente na escuridão. Esse planeta era grande, umas 4 vezes maior que a Terra, embora menos denso, e havia muito poucas terras imersas em água. Menos de 10% de sua superfície conhecida era aquática, na forma de longos rios e lagos bastante abundantes mas muito espalhados. A maior parte da água ficava no subsolo, que possuía ricos lençóis freáticos.

A viagem, toda por terra, seria feita num grande carro de tração heólica. Movido a velas que captavam ventos e transferiam sua força para as grandes rodas. Como a maior parte do percurso seria em planícies lisas e bem regulares, e disporiam de muitos ventos, raramente teriam que apelar para tração animal. Mesmo assim levavam para casos de emergência, uma espécie de animal quadrúpede muito forte e dócil, que poderia puxar o veículo em ocasiões especiais.

Partiram assim que o Sol surgia no horizonte. Deixando para trás a cidade e o Quinto Território, passariam por todo o Quarto, pelo Terceiro que estava em guerra civil e poderia ter desavenças com o Segundo, finalmente chegando à Cidade dos Antigos, que ficava no Primeiro Território, de acordo com a divisão político-geográfica daquela região do mundo.

Deixando para trás a cidade pegaram a estrada, como essa primeira parte do percurso era uma contínua descida, não precisaram dos ventos, o veículo caía numa velocidade mantida constante pelos freios que evitavam um ritmo exagerado. Mais tarde, quando nivelou, içaram as velas que se encheram com o farto vento da manhã, período onde a atividade heólica era mais intensa. Na verdade mais da metade de todo o deslocamento necessário ocorreria nessas fases do dia.

FASCÍNIO

O Jovem RELPEK estava enfrentando uma contradição, ao dialogar com EIRAM, a sacerdotisa mais jovem que NEDIB trouxera, não conseguia esconder o fascínio que sentia por seus gestos e modo de falar, mas por outro lado não disfarçava o incômodo com relação à postura da moça, tão devota a religião da LUZ CENTRAL.

Essa religião declarava que tudo o que existia havia emanado de um Centro Luminoso, e para o qual tudo voltaria um dia, assim como todas as pessoas iriam depois da morte.

RELPEK se sentia incomodado com idéias como essa. Ele era um cientista e não podia aceitar nada que não fossem os dados empíricos da realidade. Mas não podia negar que as sacerdotisas realizavam um trabalho respeitável, altruísta, e que mesmo se baseando no que para ele eram fantasias, merecia certo crédito.

Mas o que estava em jogo ali eram seus sentimentos, sendo despertados pela graciosa EIRAM. Era a primeira vez que ele se sentia atraído por uma sacerdotisa. Mesmo assim quis desafiar suas convicções religiosas.

- Mas me diga uma coisa EIRAM. E quanto a aqueles versos que dizem que o mundo é plano?

- Plano? Não. Você está enganado. Não há versos que afirmem isso. É apenas uma má interpretação. - Respondeu delicadamente EIRAM num belo sorriso.

- Tem certeza? Não é isso que eu ouvi.

- O que você ouviu RELPEK?

- Um verso que diz que abaixo dos infinitos planos do mundo existe uma... Uma luz eu acho. Mas fala de infinitos "planos"! Como se o mundo se extendesse retilíneo e indefinidamente.

- Não. Não é isso. De fato houve quem interpretasse dessa forma, mas a palavra que traduzíamos como "plano" não está afirmando no sentido de uma forma planificada, ela se traduz melhor como "horizonte", como terras que se extendem até perder de vista.

- Mas isso só faz sentido numa idéia de terra plana. - Interviu RELPEK tentando ser simpático.

- Fazia quando achávamos que o mundo era plano, mas também faz sentido num mundo esférico. Veja bem o termo "horizontes", infinitos que se perdem de vista. Não quer dizer que são planos mas sim que são infinitos. E como o mundo é esférico por mais que andemos nunca chegaremos a um final propriamente dito.

RELPEK não tinha como discutir. Não conhecia o antigo idioma em que fora escrito o Livro do DIVINO CENTRO, mas era forçado a concordar que o raciocínio da moça não era estúpido como ele pensava. Mas ainda tinha um trunfo.

- Mas é verdade que há versos que dão a entender que o mundo é oco não?

EIRAM discretamente assumiu com um sorriso conformado. - Bem isso é verdade. O Verso 3127 por exemplo diz: "Para que um dia voltes ao vazio da Terra, onde Brilha a Luz CENTRAL". De fato é difícil interpretar outra coisa que não um espaço vazio no centro do planeta. Mas... Ainda temos muito o que aprender a respeito da Luz Central.

- Bem. - Continuou o jovem astrônomo. - Já perfuramos milhares de kms nas profundezas e só encontramos terra e água.

A sacerdotisa apenas sorriu, e RELPEK não se sentiu animado a continuar.

DESOLAÇÃO

Se movendo principalmente pela manhã e descansando a noite apreciando o céu estrelado, cruzaram sem qualquer problema o Quarto Território e acabavam de chegar ao Terceiro.

No caminho todos se tornaram amigos, principalmente EIRAM e RELPEK, que no momento era discretamente abordado por ONURB.

- E então? Ela já te converteu à LUZ CENTRAL? - Brincou o idoso cientista.

- Ora! Não diga isso! - Se irritou RELPEK

ONURB deu uma gargalhada. - Ah... Não se preocupe. Eu sei como é isso. Também já fui jovem, e ela realmente é linda.

Mas ao longe avistaram várias colunas de fumaça, e fogo. Eram os sinais da guerra. Avançaram com cuidado.

Horas depois passavam pelo que fora um campo de batalha. Havia centenas de feridos e dezenas de mortos. Perfurados por setas, rasgados por espadas ou queimados por fogo. O cenário era assustador. Gritos de agonia ecoavam por toda parte.

Dezenas de sacerdotisas e curandeiros locais cuidavam dos feridos. Os mortos eram encaminhados para os crematórios.

Alguns soldados se aproximaram do veículo de forma ameaçadora e já apontavam suas lançadeiras de setas mas ao verem NEDIB imediatamente recuaram. Ela desceu do veículo e falou com outras sacerdotisas do local e logo eles não só avançaram pelo território como ainda receberam uma escolta.

Com isso cruzaram toda a extensão do Terceiro território, devastado pela guerra civil. As sacerdotisas reprimiam a vontade de parar para ajudar pois havia muitas trabalhando para isso, enquanto a missão delas era outra. E finalmente, após alguns sustos e muita desolação, deixavam o Terceiro território, mas não antes que um mensageiro viesse às pressas até eles com uma carta endereçada a NEDIB. Ela leu, fez uma expressão séria e então se voltou a seus amigos.

- Parece que o Segundo Território se envolveu na guerra e que a presença das Sacerdotisas da Luz Central não é tão bem vinda quanto aqui. Daqui para a frente podemos correr sérios riscos.

- O Segundo Território em guerra?! - Reagiu ONURB. - Mas isso é uma ameaça à Cidade dos Antigos!

NEDIB concordou. - Esperamos que sejam suficientemente sensatos para não levarem o problema até o Primeiro Território. Lembremos que atualmente é o Segundo Território, sob o governo de Segundos ONGAM, que é responsável pela defesa e abastecimento da Cidade dos Antigos.

- Pode ser muito arriscado. - Disse EIRAM.

- Sim! - Concordou RELPEK. - Mas desistir está fora de cogitação!

- Claro. - Confirmou OBURB.

- Que a Luz Central nos ilumine. - Terminou EIRAM.

Continuação

Marcus Valerio XR
Ano de 2001-2002

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