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29 de Agosto

Realidade e Ficção em

GAME OF THRONES

(Sem Spoilers desta vez.)

Prosseguindo o tema continuado em 22 de Agosto.

Concluindo o que eu queria dizer sobre a série há tempos, chamo atenção para o que há de atraente na temática trágica, com morte de personagens para os quais torcemos, causando muitas vezes tristeza, decepção, até revolta contra o autor. Sem entrar no mérito da estética do trágico em si, que abordei em minha tese de mestrado.

A maioria concorda que mergulhar em universos de fantasia é uma espécie de "fuga da realidade", não exatamente no mau sentido, mais um descanso do real. Mas digo que se trata mais da vontade de viver uma outra realidade, da mesma forma como viajar para outros países não é necessariamente uma fuga do nosso, mas apenas a vontade de conhecer um diferente.

É querer, portanto, viver um outro mundo radicalmente distinto. No entanto uma das características mais curiosas do ser humano é confundir o Real com o Ruim. A expressão "bom demais para ser verdade", o problemático discurso do Agente Smith no primeiro The Matrix sobre a rejeição ao paraíso, ou o próprio Mito do Éden sugerem nossa incompatibilidade com a perfeição. O próprio Pessimismo, amplamente abordado por mim na supracitada tese, tem essa característica da preferência do Real em detrimento do Bom, embora digo que seja uma falsa dicotomia.

Assim, obras de conteúdo excessivamente benevolente geram essa sensação de falta se seriedade, de demasiado irrealismo, até infantilidade. Escrever uma obra onde todos são felizes e a justiça funciona com perfeição sem ser enfadonho talvez seja o maior de todos os desafios literários.

Por isso, quando se acrescenta dentro de uma obra ficcional tragédias que desafiam as expectativas previstas da vitória do Bem, o resultado é uma sensação de realismo, pois nosso mundo concreto está cheio de experiências assim. Ele não é verdadeiramente justo, e mesmo quando "fugimos dele" para um mundo de fantasia, uma justiça onipresente na estória termina por ter um efeito alienante, uma dificuldade de realmente mergulhar na estória.

O sofrimento nos aprisiona no real mais do que qualquer outra coisa, e fazer o espectador, ou leitor, sofrer com uma obra é uma forma eficiente de "aprisioná-lo" na narrativa. A diferença em Game of Thrones é que parece fazer isso num grau bem maior que a média de uma saga de fantasia. A tragédia existe em Senhor dos Anéis ou em Harry Potter. A morte de Dumbledore, até por ser inesperada numa obra mais leve e juvenil, foi a que mais me atingiu até hoje num livro, tanto que muitos, inclusive eu, esperavam que tal como Gandalf, ele retornaria, ou não tivesse de fato morrido. Mas pensando pela ótica da Saga do Herói fez perfeito sentido, pois Harry Potter estaria protegido de ter que enfrentar seu destino enquanto ele vivesse.

Game of Thrones talvez exagere na dose, talvez "enrole" demais o espectador, mas apesar disso não muda a estrutura mítica da saga, como expliquei em 22 de Agosto, com heróis que irão efetivamente triunfar de algum modo, pois a sequência de tragédias só é suportável, o choque de realidade numa obra ficcional como esta só é tolerável, como forma de densificar a experiência de imersão emocional. Se após tudo isso não for entregue o que a estrutura simbólica delineou desde o princípio, isto é, a conclusão catártica da missão heróica, o resultado tende a ser similar ao desastroso final da famosa série LOST.

(É, aliás, por este motivo que até hoje deliberadamente não iniciei a leitura dos livros, pois mesmo sendo leitor ávido temia acompanhar uma saga com um possível final frustrante, sem contar o risco de que o autor morra antes de finalizá-la.)

Por isso não se justifica a reclamação que muitos estão fazendo a respeito dos rumos últimos da série, cuja sétima temporada foi muito mais benevolente com o espectador, entregando generosamente várias expectativas e passando até a ser acusada de "fan service". Todos os revezes ou estão em aberto, ou foram exemplarmente justos, (Cersei e Euron Greyjoy podem ser detestavéis, mas deram àquelas víboras de Dorne exatamente o que mereciam.) diferente de praticamente todas as temporadas anteriores. Mas isso é o que se esperaria de uma saga se aproximando de seu final, ainda que a aceleração da narrativa possa ser questionável.

Resta agora esperar para ver se tudo isso se confirmará, se teremos uma conclusão épica digna de uma obra de fantasia, ou se, quem sabe, não decidirão estragar tudo no final. E nem digo isso de um final apocalíptico, se Jon Snow morresse eu torceria pelo White King sem pestanejar.

O que estragaria a série seria justo a frustração de sua conclusão heróica, mesmo que trágica, que dá um sentido final a tudo o que foi desenvolvido até agora, a fim de transformar profundamente os Sete Reinos, quer seja para uma nova era do Fogo, e da Luz, ou para o fim derradeiro do Gelo e das Trevas.

28 de Agosto

Lilian G. Fraga
28 de Agosto

Existe uma diferença essencial entre Maduro e Dilma. O primeiro resiste ao golpe imperialista como pode até o fim, tem claro apoio da massa e sobretudo, controle sobre as Forças Armadas. Herança chavista. Com a parca herança de Lula, Dilma não teve uma estratégia louvável; só assistiu ao desenrolar institucional das coisas. Hoje o Brasil está completamente controlado, em vias de destruição absoluta de sua soberania. Espero que a Venezuela tenha fim diferente. Quanto à nós a falta de mobilização popular frente ao saque da nação, a nutrição de fé no pleito eleitoral próximo só demonstram o aprofundamento de nossa degradação cívica e intelectual.


25 de Agosto

Em Estuprando Números, de 2014, eu já dizia isso e em ESTUPRISMO já havia explicado o porquê, tanto que O Estupro Coletivo da Consciência Social foi apenas uma das confirmações de previsões que se tornaram tão tediosas que até perdi o interesse no assunto.

Portanto, quando a GLOBO nos vem com "Brasil teve um estupro coletivo a cada 2 horas e meia, em 2016; número cresceu 124% em 5 anos", a minha surpresa é ZERO!

O motivo é simples: QUANTO MAIS FEMINISMO, MAIORES OS ÍNDICES DE ESTUPRO. Isso ocorre principalmente porque o conceito de estupro vai sendo mais e mais alargado rumo à máxima Feminista Radical de que "Toda relação heterossexual é estupro", mas segundo porque é bem provável que tenha havido aumento mesmo, visto que o principal legado do Feminismo é a destruição sistemática de todas as formas reais de proteção contra o crime (o Patriarcado, o cavalheirismo, a auto prevenção feminina etc), substituindo-as por protestos espetaculosos e inúteis e por delírios sociológicos, capitalizando o aumento para se retroalimentar e aumentar ainda mais a campanha rumo a inviabilização de qualquer relação heterossexual.

E que também sirva de lembrete para outra previsão confirmada: a de que a derrocada do Governo Dilma não teria efeito algum em frear o crescimento do Feminismo no Brasil, pelo contrário. Os próprios dados vindo do Ministério da Saúde atestam que a fraude estatística e a corrupção ideológica continuam lá, e como eu também já havia dito, ante uma possível leve retração nas campanhas públicas, as elites econômicas, de onde provém realmente o Feminismo, iriam intensificar sua campanha privada, como a Globo, o maior órgão feminista do Brasil, tem esfregado na cara de todo o mundo em alternância com seu amplo suporte à destruição da economia nacional.

Isso só surpreende a quem insiste em se manter estúpido e não ver que Liberalismo Econômico FATALMENTE LEVA a Liberalismo Cultural e vice e versa. Feminismo e Libertarianismo são os braços Esquerdo e Direito do mesmo poder globalista. Seu aparente conflito de interesses não passa de teatro para iludir os incautos. Quanto mais economicamente liberal um local seja, mais feminista ele será e vice versa.

24 de Agosto, 19:42

Ação Avante
24 de Agosto

Em 24 de agosto de 1954, Vargas saiu da vida e entrou para a História. Morria o maior líder do Brasil no pós-Império (e o único que deu significado real à República).

Vargas foi um dos poucos homens que enxergava o Brasil como uma civilização, não como um amontoado de pessoas que devem ser administradas. Com seus erros e falhas, ainda foi o melhor presidente que já tivemos em toda a República - e é um homem equiparável a Dom Pedro II. Vargas foi um imperador, um rei republicano.

Como ele tentou mudar a posição do Brasil no cenário internacional, foi atacado não só por forças externas (a UDN foi uma das ferramentas do atlantismo para derrubá-lo), mas também internas (a mídia podre, as oligarquias e castas corruptas). Não resistiu a essa pressão.

No dia de hoje, deixamos nossa singela homenagem à memória de Vargas. Homens como ele fazem falta, principalmente nessa época em que somos governados pela escória, por aquilo que há de pior e mais imoral. Um homem que tentou construir uma nação vale mais do que toda a casta que hoje se empenha para desmantelar completamente o Brasil enquanto país e o legado varguista como um todo. Mas isso jamais acontecerá: Vargas viverá em nossa memória e teremos nele sempre um ícone.

Vargas foi um profeta: ele disse que a mesma casta que o derrubou também tentaria derrubar o Brasil, inclusive vendendo todas as suas riquezas. É isso o que acontece agora. Mas nós faremos nosso papel: vamos resistir.

Viva Vargas, viva o Brasil!


24 de Agosto, 16:40

E já deixei registrado publicamente em vídeo na Câmara dos Deputados em 21/06/2017! Se o projeto corruptor em curso não for detido, NÃO HAVERÁ MAIS BRASIL! Seremos divididos em países menores, a começar pela saída do Rio Grande do Sul ou mesmo da Região Sul inteira, seguido de São Paulo e Rio de Janeiro. Encerrando em definitivo a nossa história enquanto grande nação.

Nova Resistência - Brasil
24 de Agosto

Vai sobrar alguma coisa do Estado brasileiro até o fim do governo Temer?

Agora querem privatizar a Casa da Moeda. Algo que quase nenhum país na história fez até hoje. Pelo menos entre os países desenvolvidos. Sim, novamente, o Brasil quer seguir países subdesenvolvidos, como a maioria dos da África e Ásia, ao invés de copiar os países desenvolvidos.

No mundo, hoje, são poucas as empresas que participam do setor da impressão de moeda. Isso quer dizer estamos falando de um setor oligopolista. Por definição, trata-se de uma situação de mercado na qual é garantido, de antemão, que haverá ineficiência.

Mas não basta. Uma breve análise das principais empresas do mercado, como a De La Rue, ligada ao banco de investimentos Rothschild and Sons, mostra envolvimento direto dessas empresas em diversos complôs governamentais, inclusive envolvendo chantagens diretamente ligadas à participação que a empresa em questão tem na impressão de dinheiro.

Essa empresa, por exemplo, uma das maiores desse mercado, foi "premiada" com o monopólio sobre a emissão de moeda no Iraque pós-guerra e na Líbia pós-destruição. Dois países que, anteriormente, se destacavam pela eficiência de seus Estados, pela prosperidade de sua população e por terem sistemas bancários, financeiros, completamente desvinculados do sistema internacional, tendo ainda grandes reservas de ouro.

São dois países que jazem destruídos. E o Brasil está em um processo de autodestruição, sem nem ter sido invadido. O Brasil está sendo saqueado como se tivesse havido uma invasão de vândalos. Mas não houve invasão militar. Que batalha ou guerra perdemos para estarmos sujeitos a isso?

Não adianta reclamarem ou justificarem que, apesar da impressão de moeda passar ao controle privado, a emissão dela será determinada pelo Banco Central que, hipoteticamente, continua público. O caráter público do Banco Central não passa de fachada. Cada vez mais a sua autonomia em relação ao governo tem sido ampliada (essa era uma das principais plataformas de governo de Marina Silva e Aécio Neves). Aumentar a autonomia do Banco Central é reduzir a influência do Estado nele e aumentar a influência dos bancos privados.

Assim, cada vez mais, são os bancos privados que controlam a emissão de moeda no Brasil, tal como passarão a controlar a impressão da moeda.

E quem controla a emissão de moeda, quem controla a moeda, controla o país.

Não há outra palavra para isso que está sendo feito, além de TRAIÇÃO.

LIBERDADE! JUSTIÇA! REVOLUÇÃO!


23 de Agosto

David Deccache
22 de Agosto

DÍVIDA PÚBLICA: AUDITAR É A SOLUÇÃO ?

Nas décadas de 1980 e 1990, tivemos um gravíssimo problema com a dívida externa: contraímos uma enorme dívida, principalmente em dólar, estabelecida a taxas de juros flutuantes. Quando os juros americanos subiram de maneira abrupta na década de 1980, nossa dívida externa se tornou extremamente cara, insustentável. Por se tratar de dívida contraída em moeda estrangeira, o governo brasileiro tinha duas formas de obter essas divisas para fazer frente às suas obrigações externas e necessidades de importações : i) via exportações; ii) via empréstimos e financiamentos externos. Como o Brasil não conseguia recuperar sua dívida externa apenas com o resultado da balança comercial (saldo entre exportações e importações), teve que se submeter às regras ditadas pelos países centrais e pelas instituições que eram porta-vozes deles (como o FMI, por exemplo), para a obtenção de empréstimos.

Essa submissão manifestou-se na forma da imposição de políticas de cunho neoliberal – extremamente nocivas ao nosso tecido econômico-social. A dívida externa torna o país extremamente vulnerável às exigências do credor externo, tirando a autonomia nacional para a realização de políticas econômicas e sociais estratégias. Quando tratamos de dívida interna, temos diferenças substanciais. A mais óbvia é a contratação na própria moeda que emitimos, uma dívida em Reais. Outra diferença, sendo uma consequência da primeira, é que o próprio Estado Brasileiro, dadas algumas restrições "naturais" a um país periférico, determina a taxa de juros da dívida que contrata. Mais que isso: os títulos emitidos pelo tesouro funcionam como uma espécie de “moeda” que rende juros, ou seja, o credor dessa dívida quase sempre estará interessado em trocar moeda em espécie, que não rende juros, por títulos públicos. Daí a facilidade de um Estado Nacional em contrair e “rolar” dívidas na moeda que emite. Percebemos que há uma grande diferença de autonomia, soberania e vulnerabilidade quando tratamos de dívida externa e interna.

Analisadas de maneira rápida algumas diferenças entre dívida externa e interna, vamos descrever brevemente o funcionamento e a importância da dívida interna para o desenvolvimento econômico e social de uma Nação.

Um primeiro passo para compreender o funcionamento da dívida pública é entender os determinantes de sua evolução ao longo do tempo. Basicamente, se o governo gastar mais do que arrecada com impostos, haverá emissão de moeda para cobrir esse diferencial e, para fins de controle de liquidez (controle da inflação), essa nova moeda, em parte, será trocada por títulos públicos, que rendem juros. Dessa forma, fica claro que um dos condicionantes do crescimento da dívida pública é o gasto fiscal deficitário do governo - déficit esse que pode ter sido direcionado para a elaboração de programas sociais e de investimentos públicos.

A dívida pública contraída em moeda nacional é um importante mecanismo de desenvolvimento econômico, social e de busca do pleno emprego ao alcance do Estado. É por meio dela que o Estado se financia para executar suas políticas fiscal e monetária. A primeira trata basicamente do provimento das funções essenciais do Estado para a população, enquanto a segunda busca, em última instância, a estabilidade de preços. Logo, a questão central do debate sobre o endividamento público não deveria ser a utilização ou não desse instrumento, mas de que modo a dívida é contratada.

O grande problema da dívida brasileira não é o seu tamanho – nem sua existência - mas o custo determinado pelas altas taxas de juros e o seu prazo de vencimento. Nossa relação dívida/PIB é de aproximadamente 70%, enquanto países como o Japão e os EUA, por exemplo, possuem dívidas em relação ao PIB de, respectivamente, 250% e 106%, mas com taxas de juros próximas a zero. Até países de menor desenvolvimento relativo possuem taxas de juros expressivamente mais baixas que a nossa. O México tem uma taxa de juros real em torno de 1,3% a.a., que no Brasil gira em torno de 6% a.a. A taxa de juros no Brasil, portanto, torna a nossa dívida absurdamente cara e serve como mecanismo de transferência de renda do conjunto da sociedade para os rentistas, detentores dos títulos da dívida.

Além da taxa de juros elevadíssima, temos outro problema: o prazo de maturação da dívida brasileira é extremamente curto, em média de 4,6 anos. O mais preocupante é que algo próximo de 20% da dívida vence em menos de 12 meses. Essa dinâmica que associa juros elevados com prazo de vencimento curto, torna a dívida um grande peso para o conjunto da sociedade.

Um Estado preocupado com o desenvolvimento socioeconômico deve usar a dívida pública – contratada na moeda que ele mesmo emitiu – para atenuar as mazelas geradas pelo capitalismo. A dívida pública sempre existirá, o ponto é: a quem ela serve? Uma dívida cara e de curto prazo, como a nossa, serve ao rentismo. Uma dívida longa e barata, pode servir ao trabalhador. Sendo assim, o nosso foco deve ser a adequada gestão da dívida e não a sua criminalização.

Por fim, temos algumas formas de resolver o problema aqui levantado:

(i) reduzir estruturalmente a taxa de juros – e isso implica um amplo debate sobre a gestão da nossa política monetária (e seus mecanismos de transmissão);

(ii) taxando o capital de forma que a transferência financeira seja equalizada por uma estrutura tributária progressiva, portanto, justa;

(iii) a busca pelo alongamento estrutural dos prazos da dívida.


22 de Agosto, 22:03

Mais sobre a telessérie

GAME OF THRONES

(Leves spoilers das temporadas anteriores)

Continuando o tema iniciado às 18:35

Outro motivo pela qual muitos percebem Game of Thrones como uma série "imprevisível" é o fato dela desenvolver mais os tradicionais "Red Shirts", isto é, personagens que são colocados na estória já marcados para morrer, e suas tramas secundárias. Em geral estes não são desenvolvidos. Costumam ser apenas rostos as vezes até sem nomes, e na maioria dos filmes é completamente previsível o que ocorrerá com eles.

Mas Game of Thrones pegou uma boa quantidade desses personagens e não apenas deu nomes e uma breve história. Em alguns casos os desenvolveu extensamente. Dado o fato de que houve demora para que muitos dos protagonistas centrais ficassem evidentes, ao menos nas duas primeiras temporadas ocorreu alguma incerteza sobre a quais recairiam as linhas principais da narrativa. Em especial devido ao fato de que estamos acostumados a achar que estas recairão sempre sobre os interpretados por atores mais famosos, como o Sean Bean.

Só que incertezas iniciais similares ocorrem em praticamente todas as estórias, com a diferença de que costumam durar poucos minutos, e algumas produções recentes até tem se atrevido a violar a expectativa do ator mais famoso, como por exemplo The Cabin in The Woods (2012). Sem contar casos lendários como da série britânica Blake 7 (1978), que pelo jeito sou o único brasileiro a ter assistido, cujo o personagem principal que dá nome ao programa, interpretado pelo na época muito badalado Gareth Thomas, sai de cena na segunda temporada e a série ainda durou mais duas!

Afora esses recursos que realmente impõem algumas surpresas ao espectador, por outro lado, há porém algo de espantosamente previsível em Game of Thrones. Uma regra praticamente inviolável que pode ser resumida no seguinte: "O Que Quer Que Vejamos Ser Planejado, NÃO DARÁ CERTO!"

Simples assim. Os planos traçados sempre furam! Quer sejam detalhados, ou seja uma mera expectativa do que esperamos acontecer. Viserys quis casar sua irmã para ganhar um exército? FAIL! Stannis reúne uma frota para tomar King's Landing? FAIL! Theon promete convencer seu pai a colocar a Casa Greyjoy a favor de Robb Stark? FAIL! Clegane pretende ganhar uma graninha entregando Arya a seus parentes? FAIL! Daenerys e Tyrion esperam ferrar os Lannisters tomando Casterly Rock? FAIL! FAIL! FAIL!!!

Os protagonistas muitas vezes conseguem o que querem, mas sempre com reviravoltas narrativas imprevistas. Por vezes seus planos dão certo? Sim. Mas não os que nos vemos ser apresentados! Foi numa surpresa de última hora que vimos Daenerys conquistar o exército de Imaculados, que vimos Tywin Lannister derrotar Stannis, Littlefinger salvar Snow e seu exército na reconquista de Winterfell ou mesmo os Dothraki e Drogon trucidarem os Lannisters após a tomada de High Garden.

As únicas exceções que me lembro foram: a expedição que Jon Snow comandou além da muralha para eliminar os traidores da Night Watch liderados por Karl Tanner, que tinha inclusive matado Jeor Mormont; e a cura conseguida por Jorah Mormont para e doença Greyscale. Estas apesar de alguns contratempos ocorreram mais ou menos como se esperava.

Mas essa regra tem se mantido mesmo agora quando a narrativa da série claramente está acelerada, correndo em um episódio eventos que antes demorariam vários. Vamos ver que raios vai acontecer no episódio final da temporada.

22 de Agosto, 18:35

Fantasia e Tragédia sobre a telessérie

GAME OF THRONES

(Leves spoilers das temporadas anteriores)

Sem dúvida a série já entrou para a história e estará em qualquer Top 10 das maiores de todos os tempos, mas a grande maioria dos espectadores parece não entender o real motivo de seu sucesso. Ainda é comum muitos apontarem o fato de ser uma série imprevisível, que mata impiedosamente personagens amados, até com toques de sadismo sobre os laços afetivos desenvolvidos com o público.

Só que para quem examina a série (e aqui não me refiro aos livros) com experiência em sagas "mitológicas" de fantasia, Game of Thrones tem sido perfeitamente previsível em sua estrutura básica, sendo as "incríveis" surpresas e reviravoltas nada mais que uma sofisticação do papel dos 'Red Shirts'. Vejamos. Em primeiro lugar, apelando sempre a narrativa da Saga do Herói popularizada nos trabalhos de Freud, Jung, Joseph Campbell, Robert A. Jonhson e outros, é evidente que a série tem seus heróis cativos que desde no mínimo a segunda temporada está evidente que não poderiam ser tirados da estória. Demora um pouco para que fique claro quais são porque no começo há aparentemente vários candidatos e uma certa incerteza sobre a relevância da magia.

Os heróis centrais da trama, hoje está claro, são Jon Snow e Daenerys Targaryen. Esta última porém só emergiu como heroína mítica após seu renascimento simbólico na fogueira, como a Mãe dos Dragões. Já Snow é evidente, para o bom entendedor, desde sempre por reunir todos os arquétipos do herói mítico, como origem misteriosa, aceitação de uma missão numa "terra desolada", evidentes virtudes e competências cavalheirescas etc, e a perda da figura paterna, que no caso também satisfaz seus "irmãos" Robb Stark e Arya Stark.

Esta última, também é claramente uma das sub heroínas fixas da trama, em conjunto também com Bran Stark. E por fim duas outras figuras também emergem como mais controversas mas ainda potencialmente heróicas, como os Lannisters Jamie e Tyrion. Sendo o primeiro mais uma saga de redenção.

A questão é, o que diferencia Jon, Daenerys, Bran e Arya, de Jamie, Tyrion e Robb Stark? Ou mesmo de Eddard Stark, que foi basicamente o herói trágico da primeira temporada?

Principalmente A Magia! Jamie, Tyrion, Robb e Eddard tinham ou tem nenhum ou muito pouco envolvimento com os elementos mágicos da saga, sendo basicamente protagonistas políticos, mas não míticos. Já as estórias de Jon, Bran e Daenerys são indissociáveis dos elementos mitológicos primordiais da série, o Gelo e o Fogo, sendo que Bran cumpre um papel mais místico que heróico, se qualificando para ser um tipo de Mago, que dará suporte ao heróis principais, tal como Sam Tarly também. Arya, por sua vez, também está inteiramente envolvida noutra dimensão sobrenatural da trama, embora paralela.

Ademais, Jon e Daenerys tem a grande missão de revolucionar ou restaurar uma grande ordem mundana. Eliminar a grande ameaça Whitewalker para ele, unificar e pacificar os 7 reinos, para ela. Missões que terminam convergindo. Ao passo que a estória de Arya é mais uma espécie de vingança pessoal.

Jon, por fim, ainda viria a apresentar elementos cruciais para o desenvolvimento do grande herói mítico. O contato com mulheres misteriosas e perigosas, no caso ruivas, um período de exílio, de breve de desgraça, de sofrer um traição e por fim morrer e ressuscitar. Sem contar a revelação sobre sua verdadeira origem. Daenerys se por um lado não é tão óbvia, exceto na "ressurreição" simbólica, é desde o começo uma rainha titular ao Trono de Ferro. Mas até ela tem o contato com a "bruxa", ainda na primeira temporada, a perda do amado e o desafio místico ainda na segunda temporada. Sem contar outros que vieram depois.

Por isso, embora trágico, em nada quebra a estrutura da série a triste morte de Robb Stark, até porque ela já havia sido claramente antecipada a nível simbólico. No momento em que ele se recusou ao sacrifício de se casar com uma Frey, rompendo o contrato com o asqueroso senhor Walder Frey, e colocou seu interesse pessoal, sua paixão, acima do cumprimento de seu dever, ele perdeu a prerrogativa heróica que o caracterizava antes.

Note que isso NUNCA acontece com Jon Snow. Ele está totalmente comprometido com o cumprimento de sua missão. Jamais coloca qualquer interesse pessoal à frente da defesa do todos os reinos e está disposto a qualquer sacrifício, não estando sequer interessado nos benefícios políticos ou nas riquezas que poderia obter disso. Tal qual o santo, não vive Para o mundo, mas Por ele. E isso o torna ainda mais mítico que a própria Daenerys, que cumpre papel mais político.

Portanto, do ponto de vista estrutural simbólico, nada há de imprevisível em Game of Thrones. É uma típica série de fantasia, com sagas heróicas clássicas evidentes e intocadas, só tendo fama de algo exótico graças aos recursos que utiliza para desviar o foco da trama principal. Como dar muita ênfase a personagens secundários, mesmo os 'Red Shirts', sobre os quais falarei depois.

21 de Agosto, 15:52

Íntegra do
MANIFESTO PELA UNIÃO NACIONAL
por Aldo Rebelo
Junho de 2017

O Brasil vive grave e profunda crise, que ameaça seu futuro de Nação livre, próspera e soberana. O esforço de nossos antepassados, sem temer sacrifícios nem renúncias para construir a País é posto à prova pela atual desorientação sobre que rumos seguir para ampliar a independência e a autonomia nacionais, elevar o bem-estar material e espiritual da população e proteger o convívio democrático entre os brasileiros. As rupturas operadas na ordem institucional geraram um quadro de aguda polarização, agravado pela recessão econômica, pelos altos níveis de desemprego e subemprego, e pela violência em suas variadas formas. A sociedade brasileira encontra-se dividida, desorientada e desalentada, com sua agenda pautada por atores e interesses minoritários, e mesmo antinacionais, ambiente ideal para a proliferação de várias formas de morbidez social, entre elas a corrupção.

Somente a união de amplas forças políticas, econômicas e sociais, em torno de uma proposta de reconstrução e afirmação nacional, pode abrir caminho para a superação da crise atual. Tal proposta não pode ser apenas uma plataforma de metas econômicas e sociais, mas deve buscar sua inspiração no estado de espírito capaz de mobilizar amplamente os diversos atores da sociedade, com o objetivo comum de ver o País progredir de forma que os benefícios do desenvolvimento sejam percebidos por todos eles, levando-os a se sentirem como seus protagonistas ativos. Este projeto exige como pressuposto que a defesa e o desenvolvimento do Brasil sejam o fundamento para assegurar a efetiva expansão dos direitos sociais e da democracia.

A elaboração e implantação do projeto de construção e afirmação nacional não poderão limitar-se à classe política, mas terão que ser compartilhadas pelos mais diversos segmentos representativos da sociedade. Isto exige o afastamento de toda sorte de preconceitos motivados por ideologias e maniqueísmos, que se mostram insuficientes e limitados para permitir o entendimento da situação. Acima de tudo, é necessário abandonar a enganosa dicotomia entre Estado e Mercado, que tem servido apenas para mascarar a captura das estruturas do primeiro por coalizões de interesses particulares, substituindo-a por uma eficiente cooperação entre o poder público e a iniciativa privada, em prol do bem comum, como ocorreu e ocorre em todos os países que conseguiram enfrentar e remover os desafios no caminho do desenvolvimento duradouro e sustentável.

As gerações que nos antecederam ergueram material e espiritualmente o Brasil, em quatro grandes movimentos, a saber:

1) a formação da base física, a conformação do território, do ano zero de 1500 e da originária Terra de Santa Cruz, ao Tratado de Madrid, em 1750, que configurou de forma aproximada as atuais fronteiras nacionais e iniciou o processo de mestiçagem que caracterizou a formação social brasileira.

2) a epopeia da Independência, consolidada em 1822, representada nas figuras luminares de Tiradentes e José Bonifácio, Patriarca idealizador de um projeto de Nação que ainda guarda grande atualidade.

3) a fase da defesa e manutenção da unidade territorial, com D. Pedro I e D. Pedro II e que se encerra com a libertação dos escravos em 1888;

4) a República proclamada por Deodoro da Fonseca e consolidada por Floriano Peixoto, que tem o apogeu em Getúlio Vargas e seu ambicioso programa de industrialização e modernização do Estado, pondo em prática aspirações anteriores dos movimentos Sanitarista, Tenentista e da Nova Educação. A partir de Vargas o Brasil oscilou ao sabor das correntes varguista e anti-varguista, até os nossos dias.

Hoje, nos marcos da economia globalizada e com o País em condições mais favoráveis que no passado, temos a missão de iniciar um novo projeto nacional, o quinto movimento, em três direções e três objetivos:

1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País;

2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas;

3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma política que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.

A crise nacional acontece em meio a um quadro global de mudança de época, marcado por:

a) agravamento das consequências socioeconômicas negativas da globalização dirigida pelas finanças especulativas internacionais;

b) alteração do eixo geoeconômico mundial para a Eurásia-Pacífico;

c) emergência de um cenário de poder multipolar, em contraposição à unipolaridade do período posterior ao fim da Guerra Fria;

d) novas revoluções científicas e tecnológicas e rápida introdução de tecnologias inovadoras (Quarta Revolução Industrial), com profundos impactos sobre as formas de produção de bens e serviços, níveis de emprego, relações de trabalho, qualificação da força de trabalho e as próprias relações sociais em geral. Todos esses aspectos terão influência determinante para o necessário projeto nacional brasileiro, que, por sua vez, é condição decisiva para exercer influência sobre a dinâmica global. Por isso o projeto nacional brasileiro precisa contemplar a relevância continental do País, que ocupa metade da América do Sul, representa cerca de 50% da economia da região, faz fronteira com dez outros países e representa a força motriz potencial para a integração física e econômica do subcontinente. O Brasil deve assumir definitivamente o papel de liderança benigna e não hegemônica do bloco sul-americano, dando-lhe “massa crítica” para participar de forma eficaz e positiva na reconstrução da ordem mundial que está em marcha.

É fundamental que o sistema financeiro reoriente seus esforços para estimular e apoiar as atividades produtivas. Os títulos da dívida pública não podem continuar sendo o investimento mais rentável do País, como ocorreu no período de 2001-2016, muito acima de qualquer atividade produtiva. A aspiração ao desenvolvimento não pode ser bloqueada pelos interesses rentistas locais ou estrangeiros.

A reversão da desindustrialização que afeta o País é crucial. O Brasil tem regredido dramaticamente em capacidade industrial, principalmente no segmento de alta tecnologia, impactando as camadas médias da sociedade, com a perda de empregos qualificados e de melhor remuneração. A despeito da rapidez do processo, ainda temos uma das dez maiores e mais diversificadas bases industriais do mundo. Além de recuperar a capacidade produtiva, é determinante requalificar todo o setor industrial para enfrentar o desafio da Quarta Revolução Industrial, baseada em elevados índices de automação e conectividade, e intenso fluxo de inovações tecnológicas de ponta.

A retomada do desenvolvimento brasileiro exige a estruturação de cadeias produtivas de maior valor agregado baseadas em conhecimento nacional. Isto, por sua vez, requer a ampliação dos investimentos públicos e privados em todas as dimensões da educação e geração do conhecimento e de sua aplicação inovadora na economia nacional, incluindo o apoio efetivo e criterioso à capacitação e elevação da produtividade das empresas nacionais. O Estado Nacional deverá passar também por uma profunda reforma que incorpore e internalize no seu sistema de controles o princípio da incerteza que rege a descoberta científica e a dinâmica da inovação, de forma a não travar a atividade de pesquisa ou inibir a criatividade do empreendedor.

Aos alarmantes índices de deficiências educacionais da população matriculada na rede de ensino, soma-se a crescente degradação do ambiente escolar, com o aumento da violência e o abandono das noções de disciplina e hierarquia, sem as quais o esforço de aprendizagem está fadado ao fracasso. A realidade tem demonstrado que além da destinação de recursos é urgente a retomada da questão educacional como prioridade central do Estado, que deve protegê-la dos vícios do corporativismo, enaltecer o papel do professor e restaurar sua autoridade dentro da sala de aula e na sociedade.

A agricultura, a pecuária e a agroindústria constituem ativos econômicos, sociais, culturais e geopolíticos de grande importância para o Brasil. Mesmo enfrentando a forte e subsidiada concorrência dos criadores e agricultores europeus e norte-americanos, nossos, pequenos, médios e grandes produtores abastecem o mercado interno e ganham cada vez mais espaço no comércio mundial de alimentos. O status de grande produtor de grãos e proteína gera para o Brasil, além de divisas, respeito crescente num mundo cada vez mais carente de segurança alimentar. O Brasil deve valorizar social e culturalmente seus trabalhadores, criadores e produtores rurais, protegê-los com financiamento, crédito e seguro; destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação para melhorar a produtividade de todas as atividades a eles relacionadas.

As Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional e cumprem a dupla missão de defender e construir o País. Do programa nuclear ao nosso primeiro computador, da pesquisa espacial, indústria aeronáutica e defesa cibernética, as instituições armadas têm cumprido papel de vanguarda e pioneirismo. Cumprem missão humanitária socorrendo os índios e ribeirinhos da Amazônia ou as vítimas da seca no sertão nordestino sem perder o etos de organização de combate e de defesa da Pátria.

Portanto, é preciso valorizar e reconhecer as Forças Armadas brasileiras, seus feitos e seus heróis, seus valores, patriotismo e elevado espírito de generosidade e solidariedade para com a comunidade. Tal atitude deve ter sentido educativo para as crianças e para a juventude exposta ao ambiente de corrosão dos valores da nacionalidade com que convivemos no dia a dia.

A política ambiental deve refletir um real compromisso com o desenvolvimento sustentável do País, em vez de simplesmente se enquadrar em agendas formuladas por atores e interesses externos. Entre outras prioridades, deverá enfocar as deficiências em saneamento básico, disposição de lixo, ocupação irregular de áreas de risco, e a ampliação da infraestrutura de previsão e resposta a emergências causadas por fenômenos naturais.

Da mesma forma, é preciso uma urgente redefinição da política para as populações indígenas, compatibilizando-a com o direito de toda a população a uma evolução civilizatória digna, respeitando-se as suas tradições culturais e sua contribuição decisiva para a constituição da identidade nacional. Somente assim será possível assegurar-lhes uma integração gradativa à sociedade nacional, como cidadãos plenos e aptos a dispensar, eventualmente, a tutela permanente do Estado.

Alvo de pressões e cobiça internacional, a Amazônia clama por ações efetivas de controle e afirmação da soberania sobre seu imenso território, e por políticas públicos de estímulo e apoio ao seu desenvolvimento e de proteção de suas populações indígenas e ribeirinhas e da biodiversidade.

Nossa produção artística e cultural, em sintonia com os grandes movimentos da Nação, inventou o Brasil ao longo da sua história. É importante defender e promover o rico e variado patrimônio cultural da Nação brasileira, sua língua, suas tradições e múltiplas manifestações, sua criatividade e seu potencial de desenvolvimento econômico, enfrentando as práticas concentradoras e restritivas dos grandes conglomerados internacionais da mídia e da internet.

O Brasil deve promover e exaltar a participação da mulher na construção do País e reconhecer em nossas antepassadas indígenas, africanas e europeias relevante papel na constituição da Nação e na formação da identidade do povo brasileiro.

A luta sem trégua contra o preconceito racial no Brasil se impõe pela valorização da herança e contribuição africana na formação da cultura e da identidade nacional brasileira e pela celebração da mestiçagem como traço decisivo de nosso legado civilizatório. Devemos repudiar qualquer tentativa de se introduzir no Brasil modelos importados de sociedades que institucionalizaram o racismo em suas relações sociais.

O combate à corrupção deve ser um objetivo permanente da sociedade e do Estado, mas não se pode paralisar o País a pretexto de se eliminar um mal que é endêmico nas economias de todo o mundo.

O Brasil precisa voltar a crescer. Esta é a questão central. Não há como sanear as finanças públicas sem que a economia cresça e a arrecadação tributária aumente. Não há como se negar que o Brasil precisa de reformas que corrijam distorções, eliminem privilégios corporativos, facilitem a empregabilidade e o funcionamento da economia. Mas não haverá equilíbrio da Previdência se não houver emprego e arrecadação. Não haverá reforma que convença o empreendedor privado a investir se não houver perspectiva de demanda. E para o Brasil voltar a crescer, o primeiro consenso a ser alcançado é que todos se convençam disso. Nenhum homem ou mulher de boa vontade irá se opor a algum sacrifício se isso significar esperança para si e futuro para seus filhos. Mas todos precisam abrir mão de alguma coisa. São inaceitáveis reformas que descarreguem o peso do ajuste sobre os ombros dos mais fracos e protejam os interesses de grupos elitistas que concentram o patrimônio nacional.

O Brasil é um País rico, principalmente em recursos humanos. Se todos puderem compartilhar do desenvolvimento dessa riqueza ele será mais próspero e feliz. Ninguém é contra que os mais capazes e talentosos se enriqueçam. Ninguém é contra que quem empreenda tenha a justa recompensa pelo seu esforço. Mas o Brasil não precisa, não deve e não pode ser tão desigual. Esse é o grande acordo que precisa se estabelecer na sociedade brasileira. É em torno desse ideal transcendente de grandeza nacional e de justiça que devem se unir os brasileiros de todas as classes, profissões, origens, condições sociais e credos.

21 de Agosto, 02:30

E o que já venho dizendo há algum tempo. Se você acredita que a santíssima trindade de avaliação de créditos do mercado financeiro internacional (Fitch Ratings, Standart & Poor's e Moody's Corporation) são instrumentos honestos em benefício da sociedade, e não outro braço do poder econômico para devastar umas economias e enriquecer outras, então, parabéns! Você é tão liberal que deixa o seu cérebro livre para fazer o que quiser invés de operar sobre os opressores critérios da racionalidade.

‘Mercado’ blinda Meirelles e finge não haver crise fiscal à vista

No exemplo em questão, em 2015 com uma previsão de rombo de R$ 30 bi a Standart & Poor's deu uma classificação de risco ao governo Dilma mais baixa do que o que foi dado agora com uma previsão de abismo de R$ 522 bi num cenário econômico incomensuravelmente pior em todos os aspectos! A não ser, claro, para quem financia essa canalhice toda e ainda está tendo suas bilionárias dívidas perdoadas.

Dê uma olhadinha na lista histórica de avaliações e confira a incrível consistência com relação às etapas da crise que nos levariam ao buraco em que estamos.

Se a maior artimanha do Diabo é convencer aos outros de sua inexistência, a maior artimanha da Plutocracia Globalista é convencer que o impessoal "mercado", e não ela, a conduzir os rumos da economia global.

20 de Agosto

O Dia em que o "NÃO SALVO" trollou a grande mídia de todo ocidente.

Desafio Aceito 25 – Fazer da Coréia do Norte campeã da Copa!

Seguramente não há na atualidade país mais sujeito a mitos e afirmações fantasiosas do que a Coréia do Norte. O senso comum a respeito É INTEIRAMENTE CONSTRUÍDO com base em hoaxes, mal entendidos e fraudes descaradas. A maioria das pessoas sequer sabe que o país está aberto ao turismo e que há inúmeros vídeos de pessoas que o visitaram, inclusive norte americanos, disponíveis na internet. E até mesmo aqueles com viés muito crítico ao país já desmistificam a maior parte das bobagens que se crê sobre o assunto.

Num cenário destes, é bom relembrar, ou informar para quem não o saiba, que o site de humor Não Salvo, conseguiu trollar os grandes órgãos de mídia, especialmente no setor esportivo, da maioria dos países com a piada de que o governo norte coreano enganou sua própria população dizendo que seu país, que sequer participou da disputa, ganhou a Copa de 2014.

Tudo bem que a brincadeira foi muito bem feita, mas vamos ser sinceros, NINGUÉM acreditaria nisso se fosse dito de qualquer outro país. Mas como foi com a mitológica República Democrática Popular da Coréia, o grau de crença instantânea foi imenso.

O motivo? PORQUE A GRANDE MAIORIA JÁ ACREDITA EM SANDICES SIMILARES!!!

Nesse artigo está tudo explicado detalhadamente, inclusive com um pedido de desculpas pelo fato da brincadeira ter ido muito mais longe do que esperavam seus autores.

E que isso sirva de lição aos que pensam que sabem alguma coisa sem nunca terem tido o mínimo trabalho de pesquisar a respeito.

19 de Agosto

Aniquilando a já aniquilada pretensão de racionalidade da Ideologia de Gênero, em parte dizendo de outra forma o mesmo que eu disse em Transexualidade X Feminismo mas acrescentando muitas outras informações.


16 de Agosto, 20:50

Por um lado, um "tratado" detalhado como esses deveria constranger definitivamente as cabecinhas que realmente acreditaram que sendo liberalóides, estavam pensando por si próprios, e não fazendo o papel de otários de toda e qualquer massa de manobra que não se preza.

ESFERA DE INFLUÊNCIA: COMO OS LIBERTÁRIOS AMERICANOS ESTÃO REINVENTANDO A POLÍTICA LATINO-AMERICANA

Mas por outro lado tem que dar um desconto. Foi uma estratégia muito bem feita.

16 de Agosto, 17:34

Essa corja que tomou o poder com a ajuda da horda de patetas que fingia se incomodar com corrupção e gastos públicos, pode até não ter candidato para ganhar eleições presidenciais, mas de certo seria fortíssima candidata numa disputa à título de mais corrupta de todos os tempos.

Ação Avante
15 de Agosto
R$ 543 BILHÕES
PERDOADOS EM DÍVIDAS
DE GRANDES CORPORAÇÕES
É MAIS QUE O DOBRO DO
"ROMBO" DA PREVIDÊNCIA

A gangue que nos governa (ou melhor, finge governar) vai votar a Medida Provisória Nº 793[1] que, basicamente, perdoa uma série de dívidas e concede descontos imensos para inúmeras empresas, num montante que pode chegar a R$543 bilhões[2]. Esse é um valor imenso: corresponde a 17.45% do total da dívida pública[3] e 37.2% a mais do que todo o "rombo" na Previdência Social.

A justificativa para perdoar essas dívidas (e com certeza elas vão ser) é "estimular a economia". Mas quem vai ter as dívidas perdoadas? Grandes negócios, inclusive de empresas envolvidas em corrupção, como a JBS. Não é dívida de pequeno ou médio empresário, é dívida de magnata. E é gente que tem como pagar as dívidas, já que investem rios de dinheiro comprando políticos corruptos.

A maioria dessas dívidas são de empresas do agronegócio. E a maioria dos políticos que vão votar a lei são representantes do agronegócio[4]. São homens legislando em causa própria. As intenções óbvias desse projeto não são de fomentar a economia ou dinamizar a geração de empregos. É simplesmente um bando de corruptos perdoando as próprias dívidas.

Com esse montante, muitos dos problemas econômicos do país poderiam ser resolvidos. Se o governo realmente estivesse interessado em recuperar o país, ele cobraria essas dívidas. Se você, contribuinte, deixar de pagar suas dívidas com o banco ou o governo, jamais terá esse "perdão".

O governo só legisla para ricos. Se você não é rico e defende esse governo, ou você é sádico ou é masoquista.

Notas:
[1] www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2017/Mpv/mpv793.htm
[2] brasil.elpais.com/brasil/2017/08/15/politica/1502754070_555329.html
[3] R3,11 trilhões (valores de janeiro de 2017): g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-sobe-1142-em-2016-para-r-311-trilhoes.ghtml
[4] economia.estadao.com.br/noticias/geral,parlamentares-que-vao-votar-perdao-de-dividas-devem-r-533-milhoes,70001895469


14 de Agosto, 21:24

Game of Thrones teve uma audiência de "apenas" 2,22 milhões de espectadores nos EUA em seu episódio de estréia, mas foi crescendo contínua e progressivamente até atingir 10 milhões nos episódios mais recentes. Mais informações em Game of Thrones - Audiência (Wikipedia).

Só que a mesma série também é A MAIS PIRATEADA de todos os tempos! A conclusão, portanto, é óbvia. NO MÍNIMO, nem esta série nem qualquer outra corre qualquer risco devido a pirataria e É QUASE CERTO que seja o contrário. A melhor forma de explicar um crescimento tão rápido da audiência é justo o fato de que uma vez tendo perdido um episódio, os espectadores recorrem à pirataria e com isso tomam gosto pela série e ficam mais animados para acompanhá-la pelos meios legais.

O que quer que a pirataria tire de audiência e lucro por um lado, devolve por outro com bônus, e ainda forçou as produtoras a desenvolver serviços baratos e eficientes como o NETFLIX. Não é a toa que as produções de cinema e TV são cada vez mais caras e movimentam cada vez mais dinheiro.

Por isso talvez não exista campanha mais pérfida e hipócrita do que a que tenta criminalizar pirataria digital chegando ao ponto de até mesmo querer equivalê-la a tráfico de drogas, visto ser uma conduta absolutamente sem vítimas. Até porque o assalariado que paga R$5,00 num DVD pirata não iria pagar dez vezes mais se a pirataria não existisse. Ou seja, ela muito mais inclui no mercado, do que exclui, espectadores que antes ficavam de fora.

Projetos de lei como SOPA (Stop Piracy Online Act), PIPA (Protect IP Act) e ACTA (Anti-couterfeiting Trade Agreement) propostos pelo lobby empresarial dos EUA, que prevêem bizarrices como por na cadeia quem faz downloads, confiscar dispositivos eletrônicos de suspeitos e até proibir o acesso à internet de quem sofrer condenações, são uma insanidade que só podem existir na cabeça de sociopatas que elevaram seu fetiche doentio de propriedade virtual (que em geral é usurpada dos verdadeiros autores) acima até mesmo da racionalidade simplista do mero lucro direto.

Já elaborei vasta análise sobre esse assunto, acessíveis por REVOLUÇÃO DIGITAL.

E de qualquer modo, inúteis. O POPCORN TIME (o Netflix pirata), está aí pra quem quiser acessar, oferecendo o download 100% gratuito e em alta definição de Game of Thrones poucas horas depois do mesmo ser exibido na HBO, e já com legendas em vários idiomas! (Embora as vezes demorem para acertar na sincronização.)

Uma legislação só é defensável quando é desejável, ou seja, visa implementar um bem ou reprimir um evidente mal, e quando evidentemente é possível. O combate a pirataria não é um nem outro, pelo contrário.

É nessas horas que testamos a verdadeira capacidade do Mercado de se adaptar a desafios, e nesse caso do universo de entretenimento consegue maravilhosamente!

14 de Agosto, 20:32

Isso sem contar que as grandes empresas privadas brasileiras estão sendo devastadas pela Operação Lava-Jato.

Nova Resistência - Brasil
14 de Agosto

A OI está à beira da falência e há anos vem oferecendo um serviço medíocre apesar dos lucros sempre crescentes de seus acionistas. A Samarco, controlada pela Vale, causou um enorme desastre ambiental cujos danos provavelmente nunca serão pagos.

As privatizações brasileiras foram um fracasso. 15 anos após o início do processo de privatizações o Brasil não progrediu um passo que seja na direção de se tornar um país de Primeiro Mundo ou pelo menos uma potência industrial de médio porte.

Aconteceu o contrário, revertemos a nossa exígua industrialização. Caminhamos na direção de voltarmos a ser um país primariamente agroexportador, sem indústria nacional de capital e controle nacionais. Ou seja, reforçamos os fatores que nos identificam como um país de "Terceiro Mundo".

E não é, apenas, que as privatizações foram desastrosas e não trouxeram nada de positivo. Todas elas, sem exceção, foram fraudulentas e deram prejuízo econômico ao país. Enquanto até os anos 80, as estatais brasileiras eram exemplares e, inclusive, exportadores de tecnologia e know-how, após o governo Sarney o cenário mudou. O primeiro passo do governo Sarney (que foi também o responsável por sepultar o programa nuclear brasileiro) foi proibir a BNDES de financiar estatais. O BNDES, que até então, era a principal fonte e financiamentos para as maiores empresas estatais brasileiras foi impedida de cumprir o papel para o qual o banco foi criado. A partir daí, as estatais foram forçadas a buscar financiamentos de fontes privadas, por juros muito maiores.

Depois, a partir do governo Collor, dentro de um projeto de "modernização econômica", simplesmente se reduziu a transferência de recursos do governo para as empresas estatais. O objetivo era claro: começar a sucatear as empresas públicas, piorando assim os seus serviços, para poder legitimar aos olhos da opinião pública o processo de privatizações comandado pelo Consenso de Washington. No Rio de Janeiro, o capitão da destruição da Telebrás, foi o famoso Eduardo Cunha.

A partir do governo FHC, então, empreendeu-se a fase final do plano. Com apoio da mídia, que berrava pela dilapidação de todo o patrimônio brasileiro, acumulado e construído com décadas de esforço dos trabalhadores e poupança do governo, a maioria das empresas públicas brasileiras foi oferecida para venda por muito menos do que elas valiam. Em alguns casos, empresas foram oferecidas por menos de 10% de seu valor real.

Mas não é só isso. Com que dinheiro essas empresas públicas foram compradas? Com dinheiro emprestado pelo BNDES. Ou seja, dinheiro do governo, dinheiro nosso, utilizado para dar patrimônio público a empresas privadas. Empréstimo esse parcelado em décadas, a juros mínimos. E em vários casos o governo ainda sofreu calote. E não cobrou.

Mas também não é só isso. No caso das concessionárias de serviços públicos, com as do setor elétrico, para garantir uma maior rentabilidade para os compradores, a última medida do governo antes das privatizações foi aumentar o valor cobrado pelo serviço.

Isso é o que acontece quando o Estado é tomado de assalto por forças privatistas, por empresários e amigos e parentes de empresários, em suma, por gente que quer ver um Estado cada vez mais fraco. Ora, como se espera que um Estado ofereça serviço de qualidade quando os seus guias são anti-Estado?

Seguiremos testemunhando as consequências ruinosas das privatizações dos anos 90, enquanto hienas e urubus clamam pela privatização da Petrobrás (aliás, de forma cômica, uma "privatização" para estatais estrangeiras).

Os loucos continuarão insistindo nisso, enquanto os sensatos seguirão apontando o dedo para os destruidores do Brasil.

LIBERDADE! JUSTIÇA! REVOLUÇÃO!


14 de Agosto, 16:04

Na realidade, a grande maioria das pessoas não faz ideia de que Cristo Redentor e Estátua da Liberdade são rizíveis comparadas a dezenas de outros monumentos em várias partes do mundo, incluindo aquela que por quase meio século foi a maior, e para mim a mais bela, de todas, a Mãe-Terra de Volvogrado (antiga Stalingrado) na Rússia. (Não confundir com a de Kiev na Ucrânia, que também é impressionante.)

E a grande maioria também não faz a menor ideia de que tanto esta maravilhosa estátua no senegal quanto outros 16 monumentos mundo afora foram construídos pela Mansudae Overseas Projects, uma construtura evidentemente estatal da Coréia do Norte.

12 de Agosto, 18:35

Eu acrescentaria mais alguns itens mas estes já estão bons.

12 de Agosto, 2:32

Ação Avante
11 de Agosto

Já ocorreram duas intervenções militares no Brasil (ao menos os dois episódios principais): uma em 1889, que colocou fim ao Império; e outra, em 1964, que colocou fim ao modelo de governo varguista. As duas foram respostas criadas pelas oligarquias dominantes: Dom Pedro II tinha projetos sérios para industrializar o Brasil (tanto que investia forte no Visconde de Mauá - Irineu Evangelista de Sousa), e o varguismo foi uma tentativa de retomar a industrialização nacional.

Essa oligarquia é essencialmente ruralista. Seu objetivo sempre foi e sempre será o de manter o Brasil como um país agrário, dependente de exportação de commodities e agroexportação. É verdade que, durante o Regime Militar, houve uma tentativa e industrializar o país - mas sempre com capital externo emprestado, o que plantou as sementes do imenso endividamento econômico do qual ainda somos reféns. Desde o fim do Império, todas as tentativas de se realizar uma industrialização nacional e autônoma foram sabotadas. É o que aconteceu, por exemplo, com a sabotagem contra a Gurgel, uma montadora de veículos nacionais que foi destruída para dar espaço para as montadoras estrangeiras (e isso já depois da "redemocratização).

Mas ainda há quem implore por uma terceira intervenção militar. Isso é reforçado pelo mito de que os militares eram ilibados e que não houve corrupção naquele período, o que é mentira: o próprio Marcelo Odebrecht confessou que os esquemas de corrupção já haviam sido iniciados ainda no período dos militares. As corporações militares, principalmente suas cúpulas, são submissas à plutocracia reinante. São parte do problema, não a solução.

"Intervenção militar" não é a solução. Há inúmeros militares honrados, mas a organização em si é apenas uma das engrenagens do sistema atual - principalmente com uma ideologia positivista patrimonialista corroendo os quartéis. Enquanto não houver uma ideologia realmente patriótica e popular nas Forças Armadas, elas serão apenas um dos escudos da casta corrupta. Eles não vão lutar contra essa casta, eles são sua guarda pretoriana.

Precisamos fortalecer organizações populares de base. É algo bastante difícil, mas é um projeto muito mais realista do que esperar que heróis fardados salvem o país, como se fossem a solução mágica para todos os problemas. Não somos princesas a se salvar, mas sim um povo que deve lutar.


11 de Agosto, 16:08

Mais sobre Gladium Volantis.

Ou, DE COMO A ONDA DOS FIDGET SPINNERS MOTIVOU-ME A MATERIALIZAR UMA MÚSICA.

Inaugurando uma nova sessão onde discorrerei um pouco sobre minhas composições.

11 de Agosto, 15:24

Autores de novelas, aprendam com a realidade!

Chantageado por ex que fingiu gravidez, jovem diz que teve saúde abalada

Rapaz termina a relação, mulher não aceita, frauda uma gravidez e o obriga a pagar alimentos gravídicos e pensão por mais de um ano! Lembrando que o pagamento de alimentos gravídicos é absolutamente irreversível. Mesmo que o acusado de ser o pai depois prove não sê-lo, não terá direito a qualquer ressarcimento e também não há qualquer punição para a mãe mesmo que fique evidenciado que esta mentiu descaradamente.

Mas como nesse caso a gravidez não existiu, a situação muda.

Apesar da linguagem questionável, o texto Justiça @#$% brasileira obriga rapaz com câncer na coluna a pagar alimentos a moça por uma gravidez e bebê que nunca existiu tem algumas informações interessantes sobre a Lei de Alimentos Gravídicos.

11 de Agosto, 14:44

Texto que explica bem que mesmo sem uma teologia específica anterior, devido a menor relevância do assunto antes do Século XX, a doutrina católica sempre foi essencialmente contrária ao aborto. Douglas Beaumont: Tomás de Aquino sobre o Aborto

10 de Agosto

Como prestar um serviço E UM DESSERVIÇO informativo ao mesmo tempo. Com ênfase para o segundo.

O artigo da BBC O retorno de Enéas, ícone da extrema-direita e 'herói' de Bolsonaro já começa farsesco pelo título.

O simples uso do termo "extrema" quer para a Direita ou Esquerda já denuncia de ante mão ignorância dominante, ou má-fé, sobre o espectro ideológico, ao insistir na jumentisse de sugerir que uma linha única entre os extremos sirva para outra coisa além de confundir e manipular incautos. (Libertários expiariam metade de seus pecados se conseguissem popularizar mais o Diagrama de Nolan, que explica de forma bidimensional e muito mais lúcida o universo político ideológico.)

E ao chamar um dos maiores gênios políticos de nossa história de "herói de Bolsonaro", prentende-se muito mais difamar o Dr. Enéas Carneiro do que efetivamente dignificar o Jair.

Em seus mais de 14 mil caracteres, tamanho muito além da capacidade de leitura da grande maioria dos internautas, o texto presta informações corretas sobre as doutrinas de Enéas, suas opiniões sobre diversos temas, e trás falas de pessoas que conheceram bem este ícone histórico da política brasileira e rejeitam ou no mínimo não comentam a infeliz comparação com Bolsonaro, apontando suas enormes divergências e mesmo amplas incompatibilidades, que deixarão qualquer leitor não idiota com a sensação de que o título e chamada da matéria não passam de uma isca barata para fazê-lo parecer o exato contrário do que é.

Só que tudo isso é dito a partir de 1/3 a metade do texto, sendo os parágrafos iniciais destinados a confirmar o engodo do título e ludibriar os néscios, e a maioria dos leitores, especialmente coxinhas e bolsominions, mal conseguiriam chegar a 1/4 do artigo antes de cederem ao impulso irresistível de joga paciência, ler noticiário esportivo, assistir abobrinha no Youtube ou abrir uma guia anônima no navegador.

Assim, o texto fornece boas informações para leitores esforçados e estudiosos, mas primordialmente presta o absoluto desserviço de ludibriar a maioria e diferente do que muitos que o tem justamente criticado enfatizam, nem é tanto uma forma de favorecer Bolsonaro, até porque quem realmente conhece Enéas sabe que o Jair de hoje é uma completa fraude em termos de Nacionalismo. Nem mesmo o tema do Nióbio, que de fato ele teve em comum com Enéas, lhe interessa mais da mesma forma que antes, visto que passou a frisar cada vez mais nossa dependência ao Agronegócio.

O real objetivo maior do artigo é sobretudo difamar o lendário e legítimo ícone do Nacionalismo Brasileiro, comparando-o a uma figura amplamente repudiada (em geral pelos motivos errados) por grande parte da sociedade, visto que Enéas tem sido cada vez mais popularizado, para horror das plutocracias liberais, e então recorre-se a uma sutil estratégia espantalho para compará-lo com alguém que não chega aos seus pés em termos de envergadura intelectual, estatura moral e compromisso com o Brasil.

9 de Agosto, 20:21

Após existir em minha mente por umas três décadas, e semanas de trabalho para ser "materializada", publico este quase indefinível música que funde Rock Progressivo, Piano, "Heavy Metal" orquestrado. Quase um Concerto para Piano e Banda de Rock.

Inspirada em filmes e jogos antigos e que deve sua materialização, pasmem, aos Fidget Spinners! (Depois explico.)

9 de Agosto, 19:15

Nova Resistência - Brasil
9 de Agosto


O Capital não tem Pátria e tende a se internacionalizar: essa poderia ser apenas uma máxima teórica abstrata, não fossem os fatos.

Vejamos caso da famigerada JBS, gigante "brasileira" no ramo do processamento de carne, mas que possui cerca 80% das suas operações no exterior e conta com 56 fábricas nos Estados Unidos (20 a mais que no próprio Brasil). Ou do bilionário Jorge Paulo Lemann, o "brasileiro" mais rico do mundo, que vive na Suíça desde os anos 90 ou de empresas de origem nacional como Fitesa, Intercement, Stefanini, Iochpe-Maxion, que já alcançaram índices de internacionalização que superam a marca dos 60%.

Os exemplos abundam e poderíamos citar muitos outros.

O caso é que somente um burguês poderia se dar ao luxo de pairar sobre o planeta dessa forma: sem pátria, sem solo, vivendo como um nômade em um mundo onde as fronteiras caem diante do poder financeiro da classe dominante global.

Do outro lado da equação, o proletariado segue enraizado em sua terra, em seu chão, em sua Pátria (salvo os casos onde os próprios burgueses fomentam e causam sua migração para terras longínquas).

Há muito tempo alguém disse que o trabalhador não tinha pátria: estava redondamente enganado. Se existe alguém mais interessado e cuja a vida mais seria categoricamente afetada (de maneira positiva) pela conquista da autêntica soberania nacional, esse alguém é o trabalhador brasileiro, principal vítima do processo de submissão semicolonial a que nossa Pátria, estruturalmente, é sujeitada há decênios. Para o burguês, pouco importa se o Brasil será soberano ou se será um país independente, industrializado e forte. Em qualquer mundo possível, se tudo ruir e for abaixo, basta que ele envie seus recursos em remessas diretamente para os EUA – o volume de recursos enviados por pessoas físicas do Brasil para pessoas físicas nos EUA, a propósito, cresceu 227% no primeiro semestre deste ano.

Como classe conformada em torno do Dinheiro, a burguesia visa única e exclusivamente os lucros – não a civilização. Essa, como já sinalizamos, é lapidada e construída pelo trabalhador: o martelo de aço que forjará o destino de nossa Pátria.

LIBERDADE! JUSTIÇA! REVOLUÇÃO!


8 de Agosto

LULA, PSOL, GOOGLE e IDEOLOGIA DE GÊNERO.

Há algumas semanas Lula disse: "Eu quero que o PSOL governe alguma coisa que a frescura com o PT vai acabar." Veja bem, ele manifestou o desejo de que o partido ganhe uma grande prefeitura, ou o governo de um Estado, e usou o 'frescura' como figura de linguagem.

'Frescura', entenda-se, é uma afetação pouco justificada com certas questões, e não respeitando o "lugar de fala do presidente" nem o "momento" (ele acabara de ser condenado pelo farsante do Moro), várias vozes se levantaram para deixar além de qualquer dúvida que o PSOL, e grande parte da Esquerda, é cheio de frescura mesmo! Caso contrário teriam coisas melhores pra fazer do que problematizar um tweet informal do ícone máximo de toda a Esquerda brasileira.

Faz lembrar o indivíduo que parte para agressão física se alguém se atrever a dizer que ele está muito nervoso. A atitude que confirma a acusação.

Mudando de contexto, um Engenheiro de Software do Google decidiu romper o silêncio e se manifestar contra os pressupostos politicamente corretos da Ideologia de Gênero que norteiam as "políticas de igualdade" da companhia. O texto, que pode ser lido aqui foi não apenas cirúrgico, perfeitamente embasado na mais correta biologia e sequer foi ideologicamente oposto às propostas feministas em questão, pelo contrário, queria dar uma explicação de porque apesar dos massivos esforços em igualar completamente os gêneros, as diferenças persistem mesmo nas searas que mais sinceramente se esforçam para eliminá-las.

Enfim, aquela ingênua esperança de ajudar na solução de um problema diagnosticando-o corretamente invés de insistir em diagnósticos flagrantemente errôneos, sem se dar conta de que não há intenção alguma de realmente solucioná-los.

Também disse que havia um excesso de sensibilidade ('frescura') sobre o assunto e até mesmo intransigência e tendência a autoritarismo por parte de uma linha de pensamento hegemônica que não dialoga com o contraditório.

Adivinhe como foi então a reação dos "cavaleiros da tolerância" e das "amazonas da diversidade e inclusão"?

O mesmo de sempre! O mesmo que acometeu o reitor de Harvard, Lawence Summers, quando disse algo muito parecido em 2005 com ainda mais cuidado e benevolência, apenas LEVANTANDO A HIPÓTESE de que diferenças naturais inatas entre os sexos PODEM FAZER PARTE da explicação para as disparidade de representação entre homens e mulheres em muitas áreas acadêmicas.

Uma reação extremamente agressiva de protestos e gritos com disposição e tolerância ZERO para qualquer tipo de análise e argumentos, e isso na mais prestigiada universidade do mundo! Que terminaram contribuindo para a demissão do reitor.

Diferente das frescuras da esquerda política brasileira onde podem reclamar e espernear à vontade mas ninguém tomará uma real atitude contra o ex-presidente, neste caso já pediram das mais diversas formas, a cabeça do engenheiro de software do Google, apesar de sua mensagem ter tido ampla aceitação e ter feito muitos insatisfeitos "saírem do armário" em suas aflições que não tinham coragem de manifestar dado o grau de absoluta intransigência e autoritarismo do Politicamente Correto.

O grau de total inabilidade em sequer pensar sobre a proposição do desafeto, nem que seja para buscar uma forma eficaz de refutá-la, não resulta apenas de uma postura belicosa que há muito abandonou o campo do debate intelectual para mergulhar na militância tosca e histérica. Mas de uma completa incapacidade real de efetivamente raciocinar sobre a questão, que é o resultado infalível de aceitar integralmente o Determinismo Cultural da Ideologia de Gênero, sem o qual o Feminismo atual é impossível.

Num sentido, é pior que fundamentalismo religioso, pois neste o crente ao menos tem a convicção na existência de um ser sobrenatural que poderia fazer valer até mesmo as mais surreais fantasias. Mas Feministas sequer podem apelar para o sobrenatural, são basicamente um clubinho de desequilibradas (a maioria é mulher) que decidiu que a partir de agora a realidade seria descrita da forma como elas dizem que é, sem qualquer tipo de pesquisa séria ou mesmo argumentação sólida, e com o apoio de plutocratas bilionários muito bem equilibrados (a maioria homens) que por sinal bancam universidades como Harvard ou a de Chicago (aquela mesma dos Chicago Boys), tiveram carta branca para impor sua falsificação de realidade sobre todo o mundo acadêmico, mídia, megacorps e órgãos do governo.

Por sorte, ainda não conseguiram criminalizar formalmente a defesa da verdade, mas não é exagero dizer que os que se atrevem a frontalmente denunciar o castelo de mentiras deslavadas das doutrinas feministas correm risco de ter sua integridade física ameaçada. Não faltam protestos brutais com toda sorte de vandalismo quando uma voz corajosa como Milo Yannopoulos, Janice Fiamengo ou Warren Farrell tenta se levantar num dos espaços dominados pela ideologia feminista.

No Brasil, ainda não chegamos aos extremos já atingidos nos EUA, na Europa ou aqui perto no país dos hermanos. (Experimente pesquisar por "feministas argentinas" pra ver.) Talvez nem venhamos a chegar, visto nossa tradição mais católica e menos liberal que evita que determinados "radicais livres" se alastrem "metastaseando" toda sociedade em nome de direitos e liberdades que sempre se transformam em imposição de deveres absurdos e repressões brutais.

Com sorte, ainda teremos ao menos mais alguns anos onde este tema estará mais para o reino das frescuras que para o do totalitarismo. A não ser que deixemos as reais frescuras liberais culturais que já contaminaram irremediavelmente a esquerda crescendo como o câncer que verdadeiramente são.

4 de Agosto

Quando vi pela primeira vez o trailer do filme The Mist (2007), que pode ser traduzido como "O Nevoeiro", "A Névoa" ou "A Neblina", estava gostando muito do clima de suspense causado apenas pela névoa misteriosa e até me decepcionei um pouco quando surgiram os monstros. Mas isso não impediu que eu gostasse muito do filme.

Posteriormente li o conto original, que pode ser lido de graça em português aqui, e também achei excelente. Aliás, o filme é bastante fiel, tendo como principal diferença o final, já lendário e trágico no filme, sendo por um lado menos chocante, mas por outro lado mais.

Achei a ideia tão boa que eu mesmo há muito tempo penso em escrever um fanfic que já tenho inteirinho na cabeça, e sempre achei que daria uma série interessante. Por isso foi sorte que eu não tivesse ficado sabendo da recente série lançada em Junho passado, começando a vê-la quase imediatamente após descobrir sua existência. Isso evitou que eu criasse uma boa expectativa, e já aos primeiros minutos do primeiro episódio me vi forçado a colocar qualquer expectativa lá embaixo, me obrigando a ver os episódios seguintes mais por um espirito analítico do que por qualquer esperança de ver algo à altura do filme ou do conto original.

A série está indo agora para o sétimo episódio de um total de 10, já assisti os 6 primeiros e sinceramente não recomendo. Além de ter se afastado radicalmente do conceito original, está sendo justamente acusada de deixar a névoa em si quase em segundo plano, focando em dramas novelescos dos personagens, que ainda por cima são recheados de clichês feministas como aliás a maioria das séries recentes, porém num bloco quase didático!

Tem quase tudo lá! A professora moderninha sendo expulsa da escola pelos pais por ensinar educação sexual, a jovem que fica bêbada na festa e depois acusa um rapaz de estupro apesar de não se lembrar de nada. O transsexual que fala em opressão e é desprezado pelo pai. A moça magrinha mas fodona que sai na porrada com homens do dobro do tamanho dela. Os policiais "machistas" de índole questionável etc. E à medida que a série vai evoluindo aparecem já a lésbica, a retratação negativa da religião, a paranóia com o rapaz acusado de estupro, uma cena, ótima por sinal, de verdadeira homofobia no sentido mais apropriado do termo e por aí vai. E de repente chega o nevoeiro pegando a todos de surpresa.

Mas apesar disso a série também pode ser um prato cheio para os antifeministas em geral, pois ao menos parece que todos esses temas estão sendo levado tão ao absurdo quanto costumam ser temas senso comum da cultura norte americana. Já há indícios claros que o estupro parece não ter ocorrido, que o transsexual andou aprontando algumas, a mocinha fodona é na realidade uma assassina viciada e outras aparentes desconstruções dos temas politicamente corretos inicialmente levantados

E mesmo que isso termine não se concretizando, de qualquer modo a série COM CERTEZA é um prato cheio para os masculinistas, pois agora está claro que o personagem principal é, na linguagem masculinista, um Beta bonzinho que se casou com uma "ex-rodada", que pelo jeito foi peguete até do irmão dele e com a maior fama de "vagabunda" na preconceituosa cidade de interior, assumindo uma filha que parece que nem a mãe sabe quem é o pai. E essa mãe, que ao ter uma casa e um família tradicional já declarou que não se sente mais ela mesma, agora tenta por na filha os limites que ela mesma nunca teve, ao passo que o padrasto, que a menina pensa ser seu pai, é obviamente bem mais liberal, permitindo que ela vá numa festa onde, por acaso, teria sido onde ocorreu o suposto estupro, que no entanto não foi confirmado pelo laudo e cuja única evidência seria o testemunho do rapaz transsexual que é amigay da moça e pelo jeito estava com ciúmes, não sei se dela, ou do ficante dela. Aliás voltando a tal cena de homofobia a que me referi, parece estar nela a chave pelo fato dele ter feito a tal acusação. E é claro, agora a mãe está revoltadíssima com o marido a ponto de não querer mais vê-lo nem no que parece o fim do mundo, enquanto ele faz de tudo para ir reencontrá-la e à filha, que ficaram presas num shopping, por sinal junto com o rapaz acusado de estupro sendo constantemente ameaçado pela mãe apesar da própria narrativa estar frisando que ele deve mesmo ser inocente.

Como devem ter notado, até eu estou mais focado nos dramas pessoais do que no tema aparentemente sobrenatural (pois pelo jeito a série optou nesse sentido invés no sentido de Ficção Científica do conto e do filme), visto ser exatamente isso que essa versão faz.

POR OUTRO LADO, outra coisa que me motivou a continuar vendo a série foi justo a retratação da névoa em si, nesse ponto, melhor que no filme, pois o conto original se refere ao fato de que dentro da névoa, todas as percepções ficam distorcidas, que não é de forma alguma como uma neblina comum. Alguns efeitos de desfoque criaram um clima interessante e, adivinhe só? Parece que a série resolveu atender justo aquela minha velha expectativa inicial que tive com o trailer do filme, o de fazer um suspense meramente sugestivo, onde pelo jeito nada temos de monstros, e sim de alucinações que a névoa causa nas pessoas, que porém parecem ser compartilhadas pelas outras. Ou então, ao melhor estilo Solaris ou A Esfera, ela parece materializar conteúdos do inconsciente.

Bem. Já comecei a ver mesmo, já gastei uns 7 giga de download do meu pacote de 50, então agora o jeito é terminar. Vamos ver no que dá.

Mas se sintam avisados! Eu NÃO ESTOU RECOMENDANDO!

Como eu previa, agora após o oitavo episódio, confirmou-se exatamente o que parecia ser o caso: o rapaz acusado de estupro é inocente e aquele que o acusou (a mocinha não se lembra de nada) é o verdadeiro culpado, porém insuspeito porque todos acreditam que ele seja gay além de transsexual. Só que o problema é bem mais grave, o pai dele o rejeitava não por isso, mas por saber que ele é um psicopata. Inclusive era dele a droga que fez a menina apagar.

E pra piorar após a morte do padre a idosa hippie assumiu a liderança de uma nova seita religiosa disposta a matar em nome da Mãe- Natureza.

No final das contas, a série surpreendeu.

2 de Agosto, 08:57

Todos os problemas e soluções da Filosofia Analítica num só parágrafo!

Uriel Irigaray
1 de Agosto

Minha filha, precoce, pergunta: "quem é dodói?". Ela entende bem o conceito de "dodói", à sua maneira pragmática e fenomenológica, e sabe, por exemplo, que os machucados no joelho dela são "dodói". Quando ela pergunta "quem é" ou "o que é" dodói a resposta que eu e Fernanda podemos dar-lhe é tão somente que é "machucado", coisa que ela, de pronto, está aprendendo e repete, satisfeita: "dodói é machucado". Eu noto, triste, porém que a sinonímia só pode oferecer uma ontologia enganosa: ou é tautológica ("dodói é machucado. E machucado? É dodói") ou aparenta sair da tautologia redundante apenas para entrar num circuito recursivo que só pode ir tão longe quanto vá nosso repertório léxico, até voltar a ficar repetitivo (dodói-machucado-ferida-ferimento-injúria- lesão-ofensa-trauma-machucão-moléstia-dodói).

Quando ela pergunta "o que é dodói" diante do dodói em seu joelho, o que se lhe pode responder? Quid est veritas? "O que é a Verdade?" perguntou Pôncio Pilatos diante daquele que era a Verdade (e a vida). Talvez a melhor resposta que se poderia dar a tal pergunta ("o que é dodói") seria aplicar um beliscão (coisa que jamais farei!), assim como a única resposta possível e satisfatória a quem perguntasse que é a morte seria dar-lhe um tiro na barriga - para que a experimentasse, a vivenciasse (paradoxo! Vivenciar a morte) e participasse dela. Por isso não posso responder minha filha e isso me dói o coração.

Eu terminaria por aqui, mas minha filha, ela própria, contudo, forneceu a melhor resposta ao problema, bem agora, ao exclamar "dodói é dodói". Sim! A rose is a rose is a rose. Frente à corrosão pós-moderna não-essencialista, ela proclama o princípio da identidade aristotélico, em sua pureza ingênua. "EU SOU O QUE SOU!", proclamou o Senhor, na sarça ardente, à Moisés (Êxodo, 3:14) Ah'yah Ashar Ah'yah. O mundo voltou a fazer sentido.


2 de Agosto, 08:48

E agora? Não deu lucro! Fazer o quê? Investimentos? Melhorias? Atrair mais clientes com promoções? Demonstrar a "Absoluta Superioridade do Mercado"?

Não! Devolve pro Estado para que este faça os investimentos e retorne pro setor privado lucrar ou fique com o prejuízo.


Jornal DESTAK em 31/07/17

1 de Agosto, 14:16

Gilson Antônio
30 de Julho

Se a Teoria das Cordas estiver correta, e se um alienígena aparecesse no meu quarto com uma tecnologia que permitisse abrir um portal no espaço-tempo, e então me fizesse a seguinte proposta:

Eu entraria no portal, e seria transportado para um Universo paralelo semelhante à este, mas onde a Humanidade finalmente teria superado o paradigma da escassez, numa economia de plena abundância, com seres humanos colonizando outros sistemas solares pela galáxia, onde a Ciência e a Tecnologia tenham avançado tanto ao ponto de abolir o envelhecimento e a morte para todas as pessoas, enfim, o verdadeiro paraíso que tanto luto para que alcancemos um dia. Eu entraria neste portal para viver a utopia do outro lado, mas deixaria este Universo para trás.

Por muito tempo, em uma época de imaturidade e egoísmo, eu responderia afirmativamente à essa proposta, e teria mergulhado no portal sem pestanejar. Mas hoje em dia eu não faria isso. Hoje a minha resposta seria NÃO.

Porque eu percebi qual é o mais profundo significado da vida, e que eu não seria feliz simplesmente fugindo desse mundo para um melhor.

Por mais que o outro Universo fosse perfeito, cheio de desenvolvimento científico e tecnológico para aproveitar, eu teria que deixar pessoas que eu amo para trás. Eu não seria feliz sabendo que minha família, meus amigos e meus alunos ainda estariam precisando de mim. Eu não seria feliz sabendo que poderia ter feito muito mais para mudar este mundo, o Universo em que nasci, para melhor.

É este o Universo a qual pertenço, e sei que é aqui onde eu devo cumprir todas as minhas missões.

É lógico que eu quero viver no paraíso científico e tecnológico que nos espera, onde até mesmo a morte teria sido abolida. Mas só me sentiria digno de usufruir disso tudo se eu tivesse contribuído com algo, se eu sentisse que consegui cumprir com os objetivos que me foram atribuídos. Mais importante do que lutar pela vida eterna, é lutar para que possamos MERECER a vida eterna.

Porque eu acredito que a verdadeira Felicidade não significa uma vida sem problemas, uma vida feita somente de prazeres e de alegrias. Acredito que a Felicidade pode existir mesmo nos momentos difíceis e sofridos.

A minha definição de Felicidade é mais profunda do que isso: É o sentimento de que a sua vida não é em vão, é a satisfação de viver sabendo que você faz parte de algo maior e com propósito. É o impulso que te motiva a enfrentar os problemas para solucioná-los. É encontrar a ti mesmo, e conseguir escutar os sentimentos verdadeiros vindos do coração.

É a habilidade de enxergar a poesia que existe mesmo quando o cenário é cor de cinza.

Se eu nasci antes de alcançarmos a utopia, então significa que eu tenho muito trabalho a fazer neste Universo. E mesmo que eu morra sem nunca vivenciar o paraíso, quero que minha consciência possa descansar tranquila, e feliz por ter feito tudo o que eu podia. Assim como Jacque Fresco, Nicola Tesla, Vladmir Lenin, Rosa Luxemburgo e muitos outros heróis que também lutaram para tornar o mundo melhor, e embora seus corpos não estejam mais entre nós, os seus legados permanecerão eternos.

E para mim esta é a mais importante das imortalidades.


1 de Agosto, 11:09

Um dos mais curiosos subprodutos da "Liberação Sexual" das últimas décadas que também me enganou integralmente durante muito tempo é o argumento de que não deveríamos ter tamanha afetação com a retratação midiática de relações sexuais em comparação com a retratação da violência perante o público infantil.

A velha máxima de que é "um absurdo" condenar cenas de teor sexual ao mesmo tempo que deixamos passar cenas violentas, afinal, a sexualidade está associada ao amor e a vida, ao passo que a violência é ao contrário.

Ma se é óbvio que violência extrema, e especialmente a perversa, deve sim ser censurada para crianças, também não é difícil notar que no caso mais moderado tanto da violência quanto da sexualidade a maioria de nós parece concordar com essa ideia apenas da boca para fora. Admitindo que sim, é estranho se incomodar menos com a violência moderada que com a sexualidade moderada, mas ao mesmo tempo continuando a sentir exatamente isso!

Ficamos muito mais constrangidos, diante de nossas crianças, com cenas sensualmente sugestivas em episódios de "Malhação" do que com cenas de violência mesmo um pouco mais drásticas, como em filmes de artes marciais. Nossos impulsos são bem claros a esse respeito apesar de muitos terem incorporado o discurso que diz que deveria ser o contrário. Por quê?

Toda vez que se notar um claro conflito entre o que se diz e o que se sente, é quase certo que o discurso é que esteja errado, e nesse caso, o motivo é óbvio apesar de inexistir um discurso padrão que o explique.

Ocorre que a violência, ao menos no nível moderado, faz parte da experiência de vida de qualquer criança praticamente desde que ela comece a entender algo do mundo, ao passo que a sexualidade não! Toda criança sabe o que é se machucar, sentir dor, já deu tapas em outrem mesmo que por brincadeira, no mínimo já trocou tabefes com coleguinhas, e não tem dificuldade alguma de entender o que significa sofrer a dor de uma agressão, com sorte, leve, compreendendo perfeitamente o teor de uma ameaça física. Não é mera questão cultural ou social, a violência é estrutural na natureza, é impossível se impor no mundo sem algum grau de violência contra outros seres vivos, a começar por insetos e pragas que esmagamos impiedosamente. (Nesse exato momento meu filho de 1 ano e 4 meses está indo lá dar tabefes no gato por mais que tentemos contê-lo, e só para na hora que brigarmos com ele ou que o gato decidir arranhá-lo!) Aliás, a violência engendra o paradigma fundamental do aprendizado por reciprocidade.

E só na cabeça de pseudo educadores pós-modernos que jamais tiveram nem terão crianças na vida que é possível educar filhos sem qualquer uso no mínimo de ameaça de restrição ou punição física, como se pessoas em estado semi ou pré-linguístico fossem acessíveis ao "diálogo"!

Por outro lado, originalmente, a sexualidade não é compreensível para a criança em nível algum. É algo completamente estranho que só começará a fazer sentido próprio mais de uma década após ela ter nascido. A criança pode se chocar com a cena de uma agressão física, pois já sabe ser algo desagradável, mas não tem como processar por sua própria experiência a cena de uma investida sexual, não tendo sequer um pré-julgamento dela. Devido ao fato de que algum grau de violência é pré-requisito para permanecer existindo, ou qualquer inseto nos mataria, é que praticamente desde sempre estamos acostumados com algum grau de violência, mas ao mesmo tempo somente após a sobrevivência é possível pensar se reproduzir, e por isso mesmo os impulsos reprodutivos são tardios na vida. Diante disse, querer equivaler uma coisa à outra, ou mesmo invertê-la, é absoluta falsificação da realidade, o que não impede esse discurso de ser exaustivamente repetido ao ponto de ter se tornado puro senso comum, no pior sentido do conceito.

Qualquer pessoa normal já terá apanhado e/ou batido, mesmo que levemente, uma vez na vida antes de chegar à puberdade. Mas qualquer criança que tenha tido uma experiência sexual terá sido vítima de abuso e dificilmente não carregará um dano psíquico delicado. O mesmo organismo perfeitamente capaz de suportar e praticar violência leve ou moderada é completamente incapaz de suportar qualquer tipo de experiência sexual.

Por isso nossos instintos se constrangem muito mais quando um casal "dá uns amassos empolgados" do que quando dois pugilistas trocam socos diante de crianças. Mais uma vez, LEMBRANDO que me refiro a violência moderada, tal qual a que crianças estão acostumadas a ver nos filmes de super heróis ou num 'Street Fighter' por exemplo, pois a violência extrema, e principalmente a violência perversa, aquela onde um agressor covarde violenta impunemente uma pessoa indefesa, esta sim pode ser muito pior que a sexualidade, visto também necessariamente não fazer parte da experiência de vida normal de alguém. Violência sexual extrema então nem se fala!

Enfim, voltando ao começo, esse é um dos efeitos bizarros do discurso da Liberação / Revolução Sexual que se deu a partir dos anos 60, atingiu seu ápice nos 80, mas cujos efeitos sentimos até hoje em modalidades ainda mais bizarras a ponto de termos congressistas defendendo direito a cirurgia de mudanças de sexo para adolescentes que mal entraram na puberdade ou que crianças possam se definir como hétero ou homossexuais muito antes da puberdade.

Fomos todos vítimas dessa histeria coletiva, uma confusão que demoraria gerações para ser reparada, a não ser pelo fato de não o será.


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